SEMIFINAL
1 DO CAMPEONATO BRASILEIRO: CRÔNICA DA RODADA 3
Pelo mestre internacional Luis Rodi
Com o acontecer das rodadas,
vamos tendo duelos mais equilibrados, se bem que a diferencia –nas primeiras
mesas- ainda é grande, chegando a certos casos ser de quase duzentos pontos.
Com isso, os jogos na seção superior se estendem mais no tempo, enquanto as
definições rápidas acontecem normalmente nos tabuleiros mais baixos.
Hoje, no café da manha, tivemos
uma interessante conversa (o AI Elcio Mourão, o gm Everaldo Matsuura, o mf
Dirceu Viana, Kleber Ferreira, Mario Galati e quem isto escreve) acerca dos
empates rápidos, que parecem ser a máxima preocupação dos organizadores de todo
o mundo. Diversas soluções foram criadas: desempate que premia número de
vitórias, modificar a pontuação (como na regra de Bilbao: 3 pontos ao vencedor
e um ao empate) porém na minha modesta opinião a melhor solução é melhorar as
condições de jogo: se organizam provas com ritmos matadores de duplas rodadas
sucessivas, quem pode criticar a um enxadrista que faz um empate rápido para
reservar forças em vez de pendurar tudo pelo cansaço... alias, o melhor exemplo
é o último campeonato nacional brasileiro: a porcentagem de empates rápidos foi
pequena, mas claro que se realizava um jogo por dia, sem duplas rodadas. Assim
é bom jogar; da para preparar o jogo e descansar adequadamente antes da rodada.
No entanto, Matsuura diz que o problema é cultural –parece que aqui no Brasil
não há tanta costume de jogar uma partida por dia- e outros apontam ao
principal problema: o económico, porque quem pode deixar o trabalho tantos
dias? Bem, também é certo que a maioria dos mestres não faz outra cosa na vida
que jogar xadrez! –OK, os pobres organizadores têm que arcar com o gasto de mais
diárias e isso sim é um problema mais sério-. De qualquer jeito, a nossa
conversa foi mais teórica que real: o fantasma dos empates rápidos ainda não
apareceu em Guarapari, e até amigos de toda a vida (é... podes ter vinte anos e
amigos de toda a vida) estão tirando as peças para acima. Bom espírito. Quase
santo.
Passadas três horas de jogo, nas
primeiras mesas somente há uma definição: a vitória, levando as pretas, do
grande mestre Everaldo Matsuura sobre Kleber Ferreira, após uma abertura Bird
que derivou a Siciliana. Nos tabuleiros que envolvem aos líderes segue a luta.
Finalmente, dois dos enxadristas
conseguem se manter no 100% de aproveitamento: o grande mestre Krikor
Mekhitarian, que ganha de Álvaro Aranha após interessante jogo, e o mestre
internacional Christian Toth, que realizou uma boa tarefa posicional na Inglesa
que empregou contra Luiz Abdalla. Os líderes se enfrentam agora pela quarta
rodada; a meio ponto deles há seis enxadristas: o grande mestre Everaldo
Matsuura, os mestres internacionais Evandro Barbosa e Diego di Berardino,
Mateus Mendonça, Felipe Barreto e Vitor Carneiro.
Aranha Filho,Alvaro Z (2280) - Mekhitarian,Krikor Sevag (2524)
Guarapari (3.1), 02.11.2012
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 b6 5.Cge2
O desenvolvimento de moda nesta variante Rubinstein, pelo fato de ser recomendado nos mais recentes livros de repertório branco
5...c5 6.a3 Ba5
Postergando a troca até momento mais favorável. Feita de forma imediata, somente entrega o par de bispos às brancas, sem obter a cambio o tradicional complexo de peões dobrados
7.Tb1 Ca6 8.Bd2 0–0 9.d5!?
Uma ideia introduzida na prática nada menos que por Kasparov (no seu jogo contra Romanishin, Minsk 1979) [9.Cg3 é uma possível alternativa aqui, mais sólida
9...Te8
Muito pouco empregada... porém as pretas estão obtendo excelentes estatísticas nesses poucos jogos onde este lance foi utilizado! Um par de alternativas: a) 9...exd5 10.cxd5 d6 11.Cf4 leva a uma formação de tipo Benoni que pode ser algo melhor para as brancas; b) 9...d6 10.Cf4 e5 11.Ch5 Bf5 12.Cxf6+ Dxf6 13.Tc1 Dg6 14.h4 h5 15.Be2 Dxg2 16.Bf3 com compensação, Gardner - Kovalyov, Edmonton 2012
10.g3
10.d6 deveria ser o lance crítico aqui, porém as pretas podem trocar em c3 e tentar explorar a diagonal maior branca. No entanto, merece atenção 10.Cg3!? como em Ginsburg - Kacheishvili, EEUU 2010
10...Bxc3!
No momento certo, para pressionar pela diagonal. A troca é novidade; previamente tinha se empregado 10...d6 11.Bg2 (Bekker Jensen - Jensen, Koge 1997) porém as brancas podem reclamar a iniciativa nesse caso
11.Bxc3 Bb7 12.Bg2 Cc7
A posição oferece chances para os dois lados, e ambos os mestres podem ficar satisfeitos: o das brancas porque o par de bispos conta; o das pretas porque tem uma formação benoni onde um dos problemas típicos -a falta de espaço- foi resolvido mediante a troca de peças menores em c3
13.0–0 exd5 14.Bxf6
14.Cf4 sem trocar esta peça é também interessante
14...Dxf6 15.Cf4 Te5 16.Cxd5!?
As brancas talvez não deveriam envolver na troca os cavalos -o delas é mais ativo-; possivelmente 16.b4!? d6 17.Te1 seja uma ideia razoável
16...Cxd5 17.cxd5 d6 18.e4 Tae8
Pode ser mais precisa 18....a5 ou 18...Ba6. A retirada da torre permite as brancas o seguinte contrajogo pela coluna
19.Da4! a6 20.f4!?
Tentadora, porém talvez 20.b4! seja melhor ideia
20...T5e7 21.Tbe1?!
Perdendo a sequência seguinte, que acaba com ganho material para as pretas; 21.Dd1 b5 22.Tf2 com aproximado equilíbrio
21...b5 22.Dc2 Dd4+ 23.Tf2
23.Df2 Bxd5 ou 23.Rh1 Bxd5 são também melhores pára as pretas
23...Bxd5 24.Td1 Bxe4 25.Bxe4
25.Txd4 Bxc2 26.Txd6 Te1+ 27.Tf1 Rf8 com vantagem para o segundo lado
25...Dxe4 26.Dxe4 Txe4 27.Txd6 T4e6 28.Tfd2 Rf8
O final de torres é melhor para as pretas. O peão a mais deveria ser suficiente, porém as torres brancas são ativas e oferecem algum contrajogo
29.Rf2 Txd6 30.Txd6 Te6 31.Td7 Re8 32.Tc7 c4
Apesar das aparências, este tipo de posições não é simples de jogar. A torre branca é muito ativa, cortando ao rei preto, e cada progresso custa. Com tempo no relógio, o primeiro jogador pode oferecer uma resistência firme, mas aqui ambos os mestres dispõem de escassos minutos nos seus relógios
33.a4!?
33.Ta7 oferece mais resistência
33...Td6 34.Re2 Td3! 35.b4
35.Ta7 Tb3 com posição estrategicamente ganhadora para as pretas
35...Tb3–+
O resto é simples
36.a5 Txb4 37.Ta7 Tb2+ 38.Re3 c3 39.Txa6 b4 40.Tc6 Rd7 41.Tc4 c2 42.a6 b3 43.Rd2 Tb1 44.a7 Td1+ 0–1
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