quarta-feira, 19 de novembro de 2014

De recuperações


A sequência compreendida entre as partidas 7 e 8 (as primeiras da segunda parte do match, com as cores invertidas com relação à primeira parte) podem se denominar de recuperação, anímica e esportiva.
Na primeira delas, Viswanathan Anand se mostrou recuperado da debacle da partida prévia (dois dias trás) quando deixou passar um golpe tático evidente que teria mudado a sorte do jogo –e talvez do match-. Como explicara oportunamente, o erro de Anand teve maior peso que o prévio de Carlsen, por duas razões: primeiro, porque o mestre indiano estava inferior e necessitava estar aberto e muito alerta a qualquer milagre. E também porque ao entender o que tinha acontecido não reagiu bem e perdeu sem opor resistência. Mas na seguinte partida, e sendo um gladiador do tabuleiro, o desafiante enfrentou a pressão no tabuleiro e obteve um empate valioso, na que é até aqui a partida mais longa do duelo.
Na seguinte partida foi Magnus Carlsen quem se mostrou recuperado da dura derrota na terceira rodada. Recuperado e capaz de desafiar a Anand no território onde tem fama de ser melhor: a preparação prévia da partida. Porque o campeão foi capaz de surpreender teoricamente com sua escolha de abertura e se manter dentro dos seus analises até passado o lance vinte, obtendo quase uma hora de vantagem no relógio e finalmente um empate fácil.
O ânimo dos dois mestres está, por assim dizer, reforçado nestes últimos dois jogos. Uma excelente noticia para os amadores de todo o mundo, que com certeza vão assistir a quatro verdadeiras batalhas no que segue.

Obviamente, e a medida que o match avança, o ponto de vantagem que tem o campeão pesa mais. O desafiante, ainda com duas partidas levando as peças brancas, provavelmente as empregue para tentar a vitória, enquanto um esquema mais cauteloso deve ser aplicado quando leva as pretas. Na nona partida, por exemplo, que se disputa este 20 de novembro desde as 10.00 horas (horário de Brasil), e que pode ter outra Ruy Lopez Berlinense no tabuleiro. Também há que dar margem à possibilidade que Anand tente obter algo mais de pretas, utilizando algum esquema mais ambicioso, porém provavelmente seja ainda cedo para medidas extremas.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Um esquema pouco usual permite a Carlsen um empate simples


A oitava partida do match pelo campeonato mundial que se desenvolve na cidade russa de Sochi com Magnus Carlsen e Viswanathan Anand como protagonistas finalizou em um rápido empate (não pela quantidade de lances, mas sim pelo tempo utilizado: pouco mais de duas horas e meia), com o campeão mostrando-se recuperado plenamente da derrota da terceira partida, quando no território do gambito de Dama declinado não esteve à altura do laboratório do desafiante.
Mostando confiança nos seus recursos de abertura, Carlsen voltou a enfrentar a linha da partida 3 (a variante Blackburne), escolhendo esta vez a linha principal antiga 6...c5, porém, em vez da usual 9...Da5 surpreendeu com 9...Te8, uma ideia primeiro empregada por Janowski (em 1898) que tinha reputação duvidosa, porém que nesta oportunidade teve a virtude de confundir Anand, que não achou nenhum caminho à vantagem. A liquidação dos peões centrais logo deu passagem a uma troca generalizada de peças, e a abertura se transformou logo em um final com posição simétrica onde a ligeira iniciativa branca não era suficiente para lutar pelo ponto. 

Anand,V (2792) - Carlsen,M (2863)
WCh 2014 Sochi RUS (8), 18.11.2014
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 d5 4.Cc3 Be7 5.Bf4 0–0 6.e3 c5 7.dxc5 Bxc5 8.a3 Cc6 9.Dc2 Te8 


10.Bg5 Be7 11.Td1 Da5 12.Bd3 h6 13.Bh4 dxc4 14.Bxc4 a6 15.0–0 b5 16.Ba2 Bb7 17.Bb1 Tad8 


18.Bxf6 Bxf6 19.Ce4 Be7 20.Cc5 Bxc5 21.Dxc5 b4 22.Tc1 bxa3 23.bxa3 Dxc5 24.Txc5 Ce7 25.Tfc1 Tc8 26.Bd3 Ted8 27.Txc8 Txc8 28.Txc8+ Cxc8 


29.Cd2 Cb6 30.Cb3 Cd7 31.Ca5 Bc8 32.Rf1 Rf8 33.Re1 Re7 34.Rd2 Rd6 35.Rc3 Ce5 36.Be2 Rc5 37.f4 Cc6 38.Cxc6 Rxc6 39.Rd4 f6 40.e4 Rd6 41.e5+ ½–½

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Anand resiste a pressão e obtém um importante empate


Para Viswanathan Anand era uma partida chave: depois da dura derrota na sexta partida, precisava mostrar uma recuperação anímica adequada, e conseguiu o objetivo ao empatar com o campeão Magnus Carlsen na sétima partida, onde também levou as peças pretas.
O desafiante empregou a variante Berlinense da Ruy Lopez e logo ambos os mestres estavam jogando uma das linhas de moda no denominado final do Muro de Berlim. No momento crítico, Anand entregou uma peça para liquidar a maioria de peões brancas na ala de rei, e o jogo abriu passo a outra fase, com Carlsen contando com torre, cavalo e dois peões contra torre e quatro peões do desafiante, com todos os pões na ala de dama.
O campeão tentou de diversas formas achar um caminho para quebrar a resistência do mestre indiano, porém parece que não havia forma, e depois de algumas simplificações o melhor que obteve foi o final puro de torre e cavalo contra torre (o grande mestre Nigel Short considera que as chances de vitória são de um 5%, mas com certeza não neste nível) que depois de alguns lances foi declarado empate.
Amanha é Anand quem leva as peças brancas, desde as 10 horas (horário de Brasil), tentando descontar o ponto de vantagem que Carlsen leva.

Carlsen,Magnus (2863) - Anand,Viswanathan (2792)
WCh 2014 Sochi RUS (7), 17.11.2014
[Notas do mestre internacional Luis Rodi]

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 Cf6 

Desde meu ponto de vista, a escolha mais lógica. Primeiro, porque depois de uma derrota é importante mudar de abertura para evitar lembranças ruins, mas fundamentalmente porque Anand necessita imperiosamente não perder nesta partida depois do grande erro da precedente, e para isso uma defesa sólida é precisa. A Siciliana pode voltar depois, quando a tarefa de recuperação anímica tenha sido feita! 

4.0–0 

Com este lance -aceitando a possibilidade de ingressar ao famoso final berlinense- Magnus varia com relação à segunda partida do duelo, quando empregou o mais flexível 4.d3 e depois de 4...Bc5 5.0–0 d6 6.Te1 0–0 7.Bxc6 bxc6 8.h3 Te8 9.Cbd2 Cd7 10.Cc4 obteve uma ligeira iniciativa que concretizou com ajuda de algumas decisões erradas do seu adversário. É obvio que a equipe do desafiante está preparada para o caso de aparecer novamente no tabuleiro esta possibilidade, pelo qual a variação de linha é o resultado esperado

4...Cxe4 5.d4 Cd6 6.Bxc6 dxc6 7.dxe5 Cf5 8.Dxd8+ Rxd8 


Não pela primeira vez entre estes dois mestres temos no tabuleiro a posição denominada de Muro de Berlim (primeiro empregada em Wemmers - Riemann, Alemanha ch 1880), um final de forte conteúdo estratégico que tem fama de ser a opção mais sólida na atualidade para combater a abertura de peão rei. No match prévio, foi utilizado com ambos os mestres sentados em forma inversa -isto é, com Carlsen levando as peças pretas-. É interessante o processo que levou a esta posição a se transformar, de uma linha exótica, à principal opção preta na Ruy Lopez Berlinense. No primeiro olhar a posição preta parece suspeita: temos a mesma estrutura que a variante das trocas, sem damas (a simplificação favorece nestes casos ao primeiro lado) e com um rei exposto no centro. Se analisarmos algo mais, observamos que diferente da variante das trocas, o peão e branco está em e5 (e não em e4) o que faz uma grande diferencia, desde que as pretas podem utilizar a casa f5 em forma ativa. Um dos primeiros em entender a potencialidade do esquema preto foi Vladimir Kramnik, que no ano 2000 produz uma grande explosão da variante ao emprega-la com sucesso no match pelo título mundial ante nada menos que Garri Kasparov -que, como Anand, tinha fama de preparar de forma excelsa suas partidas-. Novas trilhas foram abertas para ambos os lados, e a teoria foi evoluindo até considerar a posição uma das mais difíceis de bater. Hoje o Muro de Berlim é considerado a principal arma contra 1.e4 -se consideramos que as pretas se conformam com um empate, em caso de necessidade de vitória a Siciliana vem a mão-, ocupando o papel que nos anos oitenta tinha a Petrov 

9.h3 

A última moda. O pequeno lance de peão torre está acorde com um dos principais planos brancos, que é a exploração da maioria de peões na ala de rei, e também tem o objetivo de expulsar ao cavalo preto da sua ativa colocação em f5. A elite está preferindo este lance, enquanto a linha principal teórica segue sendo 9.Cc3. Nesta posição justamente foi onde Kramnik surpreendeu a Kasparov com a ideia 9...Bd7; a ordem com h3 e posterior Cc3 aponta a evitar esta ideia 

9...Re8 

A linha principal. O rei volta a e8, onde fica algo mais protegido e a sua vez oferece defesa ao peão f7 -potencial alvo de atividades com Cg5-. A principal opção é 9...Bd7 uma ideia popularizada por um dos segundos de Carlsen, o também norueguês Jon Hammer, que foi aplicada no anterior match entre os nossos protagonistas. Depois de 10.Td1 Be7 11.Cc3 Rc8 12.Bg5 (posteriormente o italiano Fabiano Caruana tentou melhorar o esquema branco com o imediato 12.g4 no seu jogo ante Adams, Dortmund 2014) 12...h6 13.Bxe7 Cxe7 14.Td2 c5 15.Tad1 Be6 16.Ce1 Cg6 17.Cd3 b6= Anand - Carlsen, Chennai (4) 2013. O jogo se declarou empate no lance 64

10.Cc3 h5 


Uma moderna tabiya do final berlinense! Até não faz muito tempo trás, se considerava este avanço enfraquecedor, porém a prática mostrou que os benefícios de atrasar a iniciativa branca na ala de rei são superiores ao enfraquecimento do ponto g5. Uma das virtudes da ideia é que no caso das brancas realizar o avanço g4, a coluna h se abre outorgando atividade à Th8 

11.Bf4 

As brancas têm outras alternativas populares aqui, como 11.Bg5 e 11.Tad1, mas o lance de Carlsen é a última moda na elite, sobretudo pelos esforços de Fabiano Caruana e Sergey Karjakin  

11...Be7 12.Tad1 Be6 

Este lance se foi consolidando como a principal opção nesta posição. Entretanto, as pretas dispõem de duas alternativas interessantes: a) 12...Ch4 13.Cxh4 Bxh4 14.Ce2 Be7 15.Cd4 g5„ Volokitin - Ki.Georgiev, Sérvia tt 2010; b) 12...Bd7!? é outra ideia de Kramnik nesta posição. Depois de 13.g3 Td8 14.Bg5 Ch6 15.Rg2 Bf5 16.Txd8+ Bxd8 17.Bxd8 Rxd8 18.Td1+ Re7 se alcançou o equilíbrio em Naiditsch - Kramnik, Dortmund 2014

13.Cg5 Th6! 

As pretas estão preparadas para entregar um dos seus bispos -quebrando um dos dogmas fundamentais da posição, que indica que os bispos são a compensação pelos peões dobrados- a cambio de ativar a sua torre rei 

14.g3 

O lance do peão cavalo permite em alguns casos o sustento do Cg5 mediante h4. A principal alternativa é 14.Tfe1 um lance preferido por Caruana. Alguns exemplos recentes com esta ideia são: 14...Bb4 15.g4 (15.Cge4 Tg6 16.Rh2 h4 17.g4!? hxg3+ 18.fxg3 Ce7 19.a3 Bxc3 20.Cxc3 Cd5= Caruana - Andreikin, Tashkent 2014) 15...hxg4 16.hxg4 Ce7 17.Cxe6 Txe6 18.Rg2 Bxc3 (18...Td8 19.Txd8+ Rxd8 20.Td1+ Rc8 21.Bg3 Bxc3 22.bxc3 Tg6= Caruana - Nakamura, Saint Louis 2014) 19.bxc3 Td8 20.Txd8+ Rxd8 21.Th1 Cd5 22.Bg3 (22.Th8+ Rd7 23.Bg3 g5!? 24.Tg8 Cf4+ 25.Bxf4 gxf4= Radjabov - Andreikin, Tashkent 2014) 22...g5 23.c4 Cc3= Anand - Karjakin, Khanty Mansiysk ct 2014

14...Bxg5 15.Bxg5 Tg6 16.h4 

O avanço envolve uma entrega de peão a cambio de atividade, e é a escolha principal no nível magistral; 16.Bf4 Ch4„ é outra possibilidade, Almasi - Naiditsch, Croácia 2014

16...f6 17.exf6 gxf6 18.Bf4 Cxh4 19.f3! 

Para Rf2, Th1 - As brancas têm excelente compensação pelo peão, mas não suficiente para reclamar a vantagem, como demonstraram numerosas experiências no nível magistral 

19...Td8 


20.Rf2 

A mais crítica. Exemplos recentes com outras possibilidades são: a) 20.Txd8+ Rxd8 21.Rf2 Cf5 22.Th1 Cg7 23.Cd1 Bf7 24.b3 b6 25.c4 Be8 26.Cc3 Ce6 com equilíbrio, Naiditsch - So, Wijk aan Zee 2014; b) 20.Tde1 Rf7 (20...Rd7!? é também possível) 21.Rf2 Cf5 22.Th1 Cg7 23.Td1 Td7 24.Txd7+ Bxd7 25.Bxc7 Bf5 26.Bb8 Bxc2 27.Tc1 Bf5 28.Bxa7 Th6 com jogo aproximadamente igual, Motylev - Bacrot, Poikovsky 2014

20...Txd1 21.Cxd1 Cf5 22.Th1 Bxa2! 23.Txh5 

As brancas não conseguem pegar ao atrevido bispo preto com 23.b3 a continuação 23...Bb1 24.Te1+ Rf7 25.Te2 Cd4 26.Td2 c5 27.Ce3 Tg7 28.Bxc7 Re6 29.Bb8 b6 é inclusive algo melhor para o segundo jogador, de acordo com Lysyj e Ovetchkin no seu livro The Berlin Defence

23...Be6 24.g4 

As esperanças brancas estão relacionadas nos últimos tempos com este lance. Esse lado não obteve a vantagem na alternativa lógica 24.Bxc7 Th6 25.Txh6 Cxh6 26.g4 Cf7 27.Re3 Rd7= Solak - Bacrot, Yerevan 2014. A presencia de bispos de diferente cor faz difícil pensar em qualquer tipo de concretização

24...Cd6 25.Th7 Cf7N 

Uma tentativa de melhora sobre o antecedente recente 25...f5 onde 26.g5 (26.Txc7!? pode ser crítica, porém muito difícil de calcular se não se conhece antecipadamente a linha, dado que a torre fica algo fora de jogo após 26...Bd7 Entretanto 27.Ce3 fxg4 28.Bxd6 Txd6 29.fxg4 pode ser algo melhor para as brancas) 26...Cf7 27.Th5 Tg8 28.Rg3 Th8!? (28...c5!?) 29.Txh8+ Cxh8 30.Bxc7 Cg6 levou ao empate à partida Giri - Radjabov, Tashkent 2014. O final é algo melhor para as brancas, mas como acontece em casos semelhantes os bispos de diferente cor dificultam a tarefa de concretização

26.Ce3 Rd8 27.Cf5 c5 

O grande mestre Jonathan Rowson coloca um signo de exclamação a este lance, indicando que "não muito está acontecendo, e Magnus está suficientemente feliz com a posição, porém é um bom impulso moral lembrar que as pretas estão com um peão a mais". Entretanto, possíveis são lances como 27...a6 (a dica do meu computador) e 27...Tg8 alla Radjabov 

28.Cg3 Ce5 

28...Rd7 e 28...Bd5 são outras possibilidades

29.Th8+ 

29.Bxe5 fxe5 30.Th5 é a alternativa, com Anand pudendo chegar ao final da partida mediante 30...Bxg4 31.fxg4 Txg4

29...Tg8 30.Bxe5 fxe5™ 31.Th5 


31...Bxg4!? 

Uma decisão radical por parte do desafiante, eliminando os peões brancos na ala de rei, que provocou divergências entre os observadores de alto nível da partida. Uma questão importante é conhecer se Anand efetivamente tinha considerado a possibilidade de chegar a este tipo de final nos seus estudos prévios da defesa. A alternativa é manter as peças com ideias como 31...Tf8 onde 32.Re3 permite às brancas reclamar que estão ligeiramente melhores pelas chances que outorga a sua maioria de peões. Por alguma razão Anand considerou que as suas chances práticas seriam inferiores neste tipo de cenário, e Radjabov compartilha essa ideia ao mostrar a variante 32...Bd5 33.Ce4 Bxe4 34.Rxe4 Tf4+ 35.Rxe5 (ou 35.Re3 ) 35...Txf3 36.Re6 que considera essencialmente ganhadora para o primeiro jogador

32.fxg4 Txg4 33.Txe5 b6 


Com todos os peões no mesmo setor do tabuleiro, as pretas têm boas chances de empate. Uma forma simples de alcança-lo (porém longa na prática) é ir trocando os peões, contando que o final de torre e cavalo contra torre não se ganha. Algumas reações dos grandes mestres neste final: "Parece que a gente está estimando demais as chances das brancas. O final parece um empate simples para mim" (Fabiano Caruana); "O meu estimado colega Fabiano Caruana foi muito sanguíneo acerca das chances pretas de empate, porém ele não tem 44 anos nem está estressado e cansado" (Nigel Short);  "Seria realmente impressivo se Anand consegue empatar esta posição" (Simen Agdestein". Como o leitor pode apreciar, há opiniões para todos os gostos. O certo é que as brancas sempre têm as melhores chances práticas -embora também as chances práticas de empate das pretas parecem boas- e que os computadores são de pouca ajuda neste tipo de posição! 

34.Ce4 Th4 35.Re2 Th6 36.b3 Rd7 37.Rd2 Rc6 38.Cc3 a6 39.Te4 Th2+ 40.Rc1 Th1+ 41.Rb2 Th6 

Ultrapassado o controle de tempo, cada um dos mestres dispõe de mais uma hora para planejar acontecimentos. A tarefa das brancas consiste em quebrar a fortaleza erigida por Anand, e para isso não precisa se apressar - a vantagem material é permanente-. Alguns observadores auguraram uma partida muito longa desde este ponto. "Magnus pode jogar esta posição mais ou menos eternamente" (Ian Nepomniachtchi); "O pior pesadelo para as pretas é esperar 49 lances antes que c3 seja jogado, logo outros 49 para c4, e assim..." (Nigel Short) 

42.Cd1 Tg6 43.Ce3 Th6 44.Te7 Th2!? 45.Te6+ Rb7 46.Rc3 Th4 47.Rb2 Th2 

Não é fácil achar um plano para concretizar a vantagem branca. "Salvo que Anand cometa um grave erro, você pode com certeza dar uma bonita caminhada, regressar e achar eles ainda levando as peças de aca para lá" (Natalia Pogonina) 

48.Cd5 Td2 49.Cf6 Tf2 50.Rc3 Tf4 51.Ce4 Th4 52.Cf2 Th2 53.Tf6 Th7


54.Cd3 Th3 55.Rd2 Th2+ 56.Tf2 Th4 

Obviamente não é uma boa ideia trocar as torres, ao menos não nesta posição onde ainda tem suficientes peões no tabuleiro 

57.c4!? Th3 58.Rc2 Th7 59.Cb2 

Um plano interessante; pode ter a ideia de levar o cavalo a d5 (uma possível via é a4-c3-d5) 

59...Th5 60.Te2 Tg5 61.Cd1 b5!? 

"Agora as pretas devem obter o empate; talvez a posição sempre estivesse empatada" (Anish Giri) 

62.Cc3 

Qualquer uma menos trocar em b5, que levaria rapidamente ao empate por liquidação da massa de peões 

62...c6 63.Ce4 Th5 64.Cf6 Tg5 65.Te7+ Rb6 66.Cd7+ Ra5 


Com a ameaça de liquidar toda a ala de dama mediante ...Rb4, a5-a4 

67.Te4! 

Outros lances permitem um equilíbrio mais ou menos cômodo: a) 67.Ce5 Rb4 68.Cxc6+ (68.Cf3 Tg2+ 69.Cd2 a5 70.Tf7 a4 71.bxa4 Rxa4 72.Rc3 Tg3+ 73.Cf3 bxc4=) 68...Ra3 69.cxb5 Tg2+ 70.Rc3 Tg3+ 71.Rc4 axb5+ 72.Rxb5 Rxb3 73.Rxc5= Já mencionei que este final não se ganha ;); b) 67.Th7 Tg2+ 68.Rc3 Tg7! é um bonito truque 69.Cf6 (69.Txg7 b4+ leva ao empate por mate afogado) 69...Tg3+ 70.Rb2 Rb4=

67...Tg2+ 

Muito lógica, afastando o rei branco dos peões. A ideia branca pode-se ver na linha 67...Rb4 68.cxb5+ Rxb5 69.Ce5 com excelentes chances práticas para as brancas, desde que a formação de peões preta se deteriora de forma grave

68.Rc1 

68.Rd1 é considerada algo melhor pelo computador (por exemplo, evita o truque citado no comentário seguinte), porém depois de 68...Tg1+ (se as pretas continuam com 68...Rb4 ficam inferiores após 69.cxb5+ Rxb5 70.Te8±) 69.Re2 Tg2+ 70.Rf1 Tb2 o empate parece evidente, por exemplo 71.Cxc5 Rb6 72.Ce6 Txb3 73.c5+ Ra5 74.Cd4 Tb1+ 75.Re2 b4„

68...Tg1+ 

68...Rb4!? é também possível. Se 69.cxb5+ as pretas têm, diferente de casos semelhantes, o lance 69...Rc3! suficiente para alcançar o equilíbrio, por exemplo 70.Te3+ Rd4 71.Te5 cxb5 72.Txc5 a5 73.Txb5 Rc3=

69.Rd2 Tg2+ 70.Re1 bxc4! 

Depois deste lance, a partida se encaminha ao empate 

71.Txc4 Tg3 


72.Cxc5 

72.Txc5+ Rb4=

72...Rb5 73.Tc2 a5 

73...Rb4 com a ideia ...Tc3 teria sido outra simples via à divisão do ponto

74.Rf2 Th3 75.Tc1 Rb4 76.Re2 Tc3! 

Porém não 76...Th5 77.Tc4+ Rb5 78.Cd3 e as brancas estão na beira da vitória

77.Cd3+ 

77.Txc3 Rxc3 78.Re3 Rb4 79.Rd4 Rb5= zugzwang

77...Rxb3 


Com um empate fácil. As pretas podem ainda entregar os seus peões; torre e cavalo contra torre é um empate teórico conhecido. O resto da partida não oferece grande interesse, e possivelmente a continuação tenha mais a ver com o tempo do desafiante -uns nove minutos para todo o resto da partida, mas os 30 segundos por lance de incremento- 

78.Ta1 Rc4 79.Cf2 Rb5 80.Tb1+ Rc4 81.Ce4 Ta3 82.Cd2+ Rd5 83.Th1 a4 84.Th5+ Rd4 85.Th4+ Rc5 86.Rd1 Rb5 87.Rc2 Tg3 88.Ce4 Tg2+ 89.Rd3 a3 90.Cc3+ Rb6 91.Ta4 a2 92.Cxa2 Tg3+ 93.Rc2 Tg2+ 94.Rb3 Tg3+ 95.Cc3 Th3 96.Tb4+ Rc7 97.Tg4 Th7 98.Rc4 Tf7 99.Tg5 Rb6 100.Ca4+ Rc7 101.Rc5 Rd7 102.Rb6 Tf1 103.Cc5+ Re7 104.Rxc6 

Os dois peões isolados pretos caíram, mas a sorte da partida não deve variar: com defesa correta das pretas, as brancas não podem ganhar este final. Ambos os mestres estão jogando esta fase a ritmo de blitz, e Anand conta agora com uns quatorze minutos 

104...Td1 105.Tg6 Rf7 106.Th6 Tg1 107.Rd5 Tg5+ 108.Rd4 Tg6 109.Th1 Tg2 110.Ce4 Ta2 


111.Tf1+ Re7 112.Cc3 Th2 113.Cd5+ Rd6 114.Tf6+ Rd7 115.Cf4 Th1 116.Tg6 Td1+ 117.Cd3 Re7 118.Ta6 Rd7 119.Re4 Re7 120.Tc6 Rd7 121.Tc1 Txc1 122.Cxc1 ½–½

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domingo, 16 de novembro de 2014

O momento mais difícil para Anand


Justo na metade do match, a primeira grande crise se desata no campo do desafiante, que sofreu uma dura derrota na sexta partida: pelo resultado em se e por ter perdido um lance que teria volcado a sorte da partida no seu favor.
O dia livre parece magro demais para se recuperar nos dois aspectos –anímico e esportivo- considerando ademais que o campeão vai repetir brancas –para minimizar os efeitos de jogar com as peças pretas depois de um dia livre, a metade do duelo se modifica a sequência de cores-.
A recuperação anímica é difícil, ainda em casos de enxadristas com tanta experiência e fortaleza anímica como Anand. É que o erro por ele cometido é ainda mais difícil de explicar que o prévio de Carlsen. O do mestre norueguês pode ter surgido de subestimar os recursos adversários em uma posição que parecia de vantagem muito cômoda, na qual somente dois resultados eram possíveis. Sobretudo porque a luta, maiormente estratégica, não parecia apresentar temas táticos. Mas quando Carlsen cometeu o erro 26.Rd2 colocando seu rei em uma casa desafortunada –o campeão imediatamente percebeu a magnitude do problema-, Anand não somente não considerou a réplica correta -26...Ce5, uma tática relativamente simples- tanto como perdeu a única possibilidade ativa da partida por jogar muito rápido –empregou apenas um minuto para seu lance 26...a4-, uma situação mais de capivara que de grande mestre. A sua posterior descoberta da chance perdida fiz que uma posição inferior, mas possível de ser defendida, se transforme rapidamente em ruinas.

Se a parte psicológica não é fácil de remontar, a esportiva apresenta outros problemas, relacionados a como responder a abertura de peão rei do campeão. Anand mudou de defesa na quarta partida, sem repetir a Ruy Lopez Berlinense da segunda onde tinha sofrido uma derrota para evitar lembranças ruins. Será o momento de mudar novamente –talvez regressando à Ruy Lopez-, procurando uma partida sólida, de cara ao empate, para tentar uma recuperação nas partidas de brancas? Ou o laboratório do desafiante vai achar novas trilhas em alguma das várias Sicilianas? O primeiro cenário parece mais provável.

sábado, 15 de novembro de 2014

Carlsen ganha em acidentada partida

A marcação férrea da imprensa norueguense sobre o campeão mundial, depois da partida 6
O campeão mundial Magnus Carlsen chega à metade do duelo pelo título com vantagem após vencer na sexta partida, que teve um desenvolvimento acidentado.
Por decisão unanime, os colegas da elite criticaram a escolha de abertura de Viswanathan Anand para a sexta partida: "Odeio absolutamente a escolha de abertura de Anand" (Hikaru Nakamura); "A escolha de abertura de Anand foi surpreendente. Se não leva em forma direta ao empate, é uma posição desagradável para jogar contra Carlsen" (Pentala Harikrishna); "Terrível escolha de Anand hoje" (Teimour Radjabov).
O desafiante ficou em uma posição algo inferior já desde a saída da abertura, uma Siciliana Paulsen (Kan) que as brancas combateram com uma estrutura Maroczy. Embora a vantagem do primeiro lance leva em casos a posições algo melhores para o primeiro lado, estas podem gradativamente se equilibrar, mas neste caso a posição do mestre indiano era passiva, e somente dois resultados podiam acontecer na teoria.
No entanto, e quando Carlsen estava em pleno trabalho de consolidação e concretização da sua vantagem, um grave erro (26.Rd2?) podia ter permitido a Anand ganhar material mediante uma tática simples (26...Ce5!), e com isso virar a avaliação do jogo. Porém o mestre indiano respondeu rápido  com 26...a4 (aproximadamente depois de um minuto de meditação) e perdeu a chance. Ambos os mestres perceberam logo o que tinha acontecido, e isso modificou o curso da luta, sobretudo para o desafiante, que não se recuperou animicamente e ofereceu escassa resistência até o fim da partida.
O match está agora 3,5 x 2,5 para Carlsen, que repete brancas na sétima partida, a se realizar na próxima segunda desde as 10.00 (horário de Brasil).

Carlsen,Magnus (2863) - Anand,Viswanathan (2792)
WCh 2014 Sochi RUS (6), 15.11.2014
[Notas extraídas dos comentários do MI Luis Rodi para Xadrez Diário]

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 a6 5.c4 Cf6 6.Cc3 Bb4 


A continuação mais ativa. O segundo lado tem duas alternativas de grande popularidade em 6...Dc7 e 6...d6 -estes foram os lances que teve que enfrentar Carlsen na primeira parte do século, nas poucas oportunidades onde escolheu o lance 5.c4 -posteriormente, sua prática se transladou aos mais populares 5.Bd3 e 5.Cc3- 

7.Dd3 Cc6 

Uma escolha difícil de explicar desde que a posição resultante é algo deprimente para o segundo jogador. No nível magistral, as pretas tiveram melhores resultados com as opções 7...Dc7 e 7...d5 

8.Cxc6 dxc6 9.Dxd8+ Rxd8 10.e5 Cd7N 

10...Ce4 11.a3 Bxc3+ 12.bxc3 Rc7 13.Be3 b6 14.Bd3 Cc5 15.Bxc5 bxc5 16.0–0–0ƒ Flores Rios - Lemos, Villa Martelli 2008. Comparado com este exemplo, o cavalo em d7 de Anand fica menos exposto, mas a posição é de todas formas algo passiva

11.Bf4 Bxc3+ 

Os benefícios de deteriorar a estrutura branca na ala de dama não se comparam à permanência deste bispo no tabuleiro, considerando que as casas negras precisam de cuidado

12.bxc3 Rc7 13.h4² 


Apesar da avaliação humilde dos computadores, as brancas apresentam nesta posição uma série de vantagens: mais espaço no centro e na ala de rei, peças com possibilidades mais ativas no geral e par de bispos. Considerando a estrutura simétrica, o valor negativo dos peões dobrados das brancas na ala de dama é mínimo. "A escolha de abertura de Anand foi algo esquisita para mim; as brancas estão muito melhores" (Vladimir Kramnik, que foi um dos comentaristas online do site oficial junto com seu colega Peter Svidler) 

13...b6 14.h5 h6 15.0–0–0 Bb7 16.Td3 c5 17.Tg3 Tag8 18.Bd3 Cf8 19.Be3 g6 20.hxg6 Cxg6 21.Th5 

As brancas mantem uma cômoda vantagem. Contando com peças muito mais ativas, a estrutura das pretas é a que mais sofre 

21...Bc6 22.Bc2 Rb7 23.Tg4!? 

"Muito astuta; pode ser um dia duro para Anand" (Anish Giri). O maior problema de Anand é que Carlsen pode jogar esta posição sem correr absolutamente nenhum risco. "Não sei como as brancas podem ganhar esta posição, mas Anand está tão paralisado que quase nem pode se mexer sem pendurar o peão h" (Nigel Short). Por enquanto, o peão h está defendido em forma indireta pela pressão sobre e5 

23...a5 24.Bd1 Td8 25.Bc2 Tdg8 

Como continuar? Magnus elabora um plano com translado do rei ao outro setor do tabuleiro, mas a implementação da ideia acaba sendo um grande erro! 

26.Rd2? 


Um lance realizado após pouco mais de minuto de meditação. Depois da partida se recomendou outro caminho para o rei: 26.Rd1!? porém nesse caso as pretas podem lutar pelo equilíbrio com 26...Cf8!? 27.Tf4 f5!?; Talvez 26.Tg3!? Ce7 27.Txg8 Txg8 28.g3 Cg6 29.Bd1² com ideia de Be2

26...a4? 

O leitor pode-se perguntar: como é possível que erros deste tipo sejam cometidos no nível mais alto do xadrez mundial? No presente caso, o melhor argumento é que o caráter da luta -preponderantemente posicional- não permite suspeitar que recursos táticos como o que perde o desafiante estejam disponíveis. E como o próprio Anand explicou, ele estava muito concentrado com o plano de avanço do peão a... de qualquer jeito, o mestre indiano empregou apenas um minuto para realizar seu lance 26 (jogando nessa velocidade é mais fácil perder um recurso como o que teve na partida). Pelo lado de Carlsen o erro tem uma explicação razoável: o jogador que conta com a vantagem muitas vezes tende a relaxar, sobretudo se a posição não apresenta perigos evidentes à segurança do rei. Em fim, Anand perde uma grande chance ao não jogar 26...Cxe5! que teria ganho material: 27.Txg8 Cxc4+ 28.Rd3 (28.Re2 Txg8 29.g3 Bd5µ) 28...Cb2+ 29.Re2 Bb5+ 30.Rf3 Txg8 31.g3 (31.Bxh6 Bc6+ 32.Re2 Txg2–+) 31...Bc4µ

27.Re2 

Agora o tema tático foi embora, e parece ser o momento em que ambos os mestres descobriram o lapsus. Para Anand teve consequências muito negativas, pois na fase que segue oferece uma resistência muito fraca. "Ainda se a posição pode ser defendida, depois do acontecido você deve se sentir horrível. É muito melhor não perceber o que aconteceu" (Peter Svidler). Consultado sobre se é possível se recuperar de um golpe como este, o ex-campeão mundial Vladimir Kramnik respondeu: "A minha experiência mostra que não se recupera" 

27...a3 28.f3! Td8 29.Re1 Td7 30.Bc1 Ta8? 

30...Thd8! oferece melhores chances de contrajogo 

31.Re2 Ba4 


32.Be4+ Bc6? 

"Vishy tinha que entregar qualidade. Fácil de dizer quando estou sentado confortavelmente com um copo de vinho e um engine. Mas agora as pretas estão perdidas" (Nigel Short) 32...Ra7! era a última chance. Uma possível continuação é 33.Bxa8 Rxa8 34.Bxa3 Td1 35.Txh6 Ta1 36.Re3 Txa2 37.Bc1 Cxe5 38.Tg7 Cxc4+ 39.Rf4±

33.Bxg6 fxg6 34.Txg6 Ba4 35.Txe6 Td1 36.Bxa3 Ta1 37.Re3 Bc2 38.Te7+ 1–0

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Carlsen obtém um cômodo empate de pretas


A quinta partida do match pelo campeonato mundial que se realiza em Sochi, Rússia, teve outra divisão do ponto, mas desta vez em jornada tranquila para o campeão mundial Magnus Carlsen, que se mostrou recuperado da derrota no terceiro jogo onde levando as peças pretas caiu na preparação do desafiante Viswanathan Anand. Hoje, Carlsen empregou uma linha menos usual da defesa Índia de Dama, logrando um equilíbrio cômodo desde os primeiros lances. Apesar da linha de abertura não esperada, Anand resolveu essa fase sem apresentar sintomas de surpresa e até introduz uma novidade, que também foi bem enfrentada por Carlsen, no que é uma mostra da profundidade que a preparação dos melhores do mundo alcança.
O jogo parecia se encaminhar a um rápido empate, mas a entrega de peão do desafiante com o lance 20.Cd5 -e a posterior aceitação de Carlsen- adicionaram algum dramatismo à luta, derivando em uma posição onde as brancas conquistaram uma ligeira vantagem teórica -talvez difícil ou impossível de concretizar-. Uma rápida liquidação de material na ala de dama entregou um final inofensivo que logo foi declarado empate.
Com este resultado, o placar segue equilibrado em dois pontos e meio. Magnus Carlsen leva as brancas na próxima partida, este sábado desde as 10.00 (horário de Brasil).

Anand,Viswanathan (2792) - Carlsen,Magnus (2863)
WCh 2014 Sochi RUS (5), 14.11.2014

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 b6 4.g3 Bb4+ 5.Bd2 Be7 6.Cc3 Bb7 7.Bg2 c6 8.e4 d5 9.exd5 cxd5 10.Ce5 0–0 11.0–0 Cc6 12.cxd5 Cxe5 13.d6 Cc6 14.dxe7 Dxe7 15.Bg5 h6 16.d5 Ca5 17.Bxf6 Dxf6 18.dxe6 Dxe6 19.Te1 Df6 


20.Cd5 Bxd5 21.Bxd5 Tad8 22.Df3 Dxb2 23.Tad1 Df6 24.Dxf6 gxf6 25.Te7 


25...Rg7 26.Txa7 Cc6 27.Tb7 Cb4 28.Bb3 Txd1+ 29.Bxd1 Cxa2 30.Txb6 Cc3 31.Bf3 f5 32.Rg2 Td8 33.Tc6 Ce4 34.Bxe4 fxe4 35.Tc4 f5 36.g4 Td2 37.gxf5 e3 38.Te4 Txf2+ 39.Rg3 Txf5 ½–½ 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um dilema para Carlsen


A bola, agora, está no campo do campeão. Os últimos acontecimentos viraram a sorte do duelo, e se no anterior dia livre Magnus Carlsen levava a vantagem, tanto no placar quanto no aspecto psicológico, hoje se pode dizer que a situação mudou drasticamente: o desafiante empatou o match e a vantagem anímica é agora dele, pela forma na qual se desenvolveram os jogos 3 e 4.
Nestas horas, a principal incógnita radica na réplica que a equipe do campeão mundial está preparando para enfrentar a abertura de peão dama de Viswanathan Anand. O mestre indiano mostrou uma excelente preparação e técnica no campo das aberturas fechadas, no que representa uma melhora de sua estratégia com relação ao match prévio, quando insistiu com 1.e4 para se chocar uma e outra vez contra a Ruy Lopez Berlinense do então desafiante. Nesse duelo de Chennai, a única partida onde Anand pode criar perigo real foi a nona, que pela primeira vez teve a 1.d4 como seu primeiro lance. O destronado monarca tomou nota disso e neste match seu 1.d4 está fazendo sofrer ao mestre norueguês, que deve achar uma réplica confiável.

Vamos especular: jogar a Grünfeld, como na primeira partida, parece arriscado. Uma coisa é empregar uma abertura que o adversário não espera e outra bem diferente enfrentar a uma linha muito bem preparada dentre as várias que as brancas dispõem contra essa defesa. Voltar ao Gambito de Dama é possível, com os reajustes do caso (as pretas podem melhorar em varias oportunidades sobre a partida 3), porém psicologicamente difícil dada a lembrança do resultado negativo. Índia de Dama? Pode ser. Porém qualquer aposta é válida: Carlsen sempre mostrou uma grande flexibilidade para jogar qualquer tipo de esquema. O único que deve fazer é cair fora do laboratório do desafiante, que de acordo com Peter Svidler é um dos cinco melhores de todos os tempos na arte de preparar partidas e se antecipar às escolhas do adversário.