sábado, 16 de agosto de 2014

Balanço geral da Olimpíada


China obteve uma vitória histórica nesta 41a olimpíada de xadrez celebrada na cidade norueguesa de Tromso. É um logro inédito, considerando que nos fins dos anos sessenta o xadrez estava proibido nesse país (o governo de Mao-tse-tung o considerava demasiado ocidental). A metade da década seguinte China se afiliou á FIDE e lançou um ambicioso projeto denominado Grande Dragão que levou ao país a um notável crescimento, primeiro evidenciado na categoria feminina (com campeãs mundiais desde os anos noventa) e agora também no absoluto, com esta conquista olímpica.
Com dois grandes mestres com mais de 2700 elo (Wang Yue e Ding Liren), dois com mais de 2650 (Yu Yangyi e Ni Hua) e a jovem estrela Wei Yi, o time chinês venceu em oito encontros e empatou três, perdendo somente uma partida em todo o percorrido pela prova (Peter Leko derrotou a Wang Yue no primeiro tabuleiro do match que os chineses ganharam de Hungria pela mínima diferencia). Momentos decisivos: a vitória na rodada 8 frente ao então líder da prova, Azerbaidjão, e a vitória pela mínima diferencia ante França na penúltima rodada, quando os galos tinham alcançado na liderança aos chineses.
China soube pegar no momento certo e ganhar os duelos que tinha que ganhar. Foi a equipe mais regular, e obteve o ouro de forma merecida.
A prata foi para Hungria, que misturou no time enxadristas de grande experiência  -como Peter Leko, Zoltan Almasi ou Judit Polgar, que anunciou o seu retiro do xadrez competitivo- com as novas estrelas como Richard Rapport ou Csaba Balogh. Para o xadrez húngaro -que tinha vencido a olimpíada de Buenos Aires 1978- um resultado importante.
Assim como a China, outro gigante asiático mostrou sua força em Tromso: me referro ao time da Índia, que com uma formação jovem e sem Anand pode obter a prata.
Relegado ao quarto lugar ficou o primeiro pré-classificado da prova, Rússia. Alguns cronistas consideraram um fracasso esta atuação -e sem dúvidas uma nova frustração depois de varias olimpíadas sem acessar o ouro-, mas também pode ser visto como uma prova do parelho que está o xadrez no nível magistral, com figuras aparecendo aqui é lá. Também se esperava mais de Ucrânia e fundamentalmente de Armênia, que defendia o ouro logrado em Istambul 2012. Outro time que ficou em dívida, por ser local e porque a sua pre-classificação era melhor, foi Noruega. Nem sequer a presencia do campeão mundial Magnus Carlsen ajudou aos nórdicos a aparecer entre os primeiros lugares; o prodígio decidiu esconder a preparação do olhar curioso de seu desafiante Anand e empregou linhas de segunda ordem, coletando duas derrotas, ante Naiditsch e Saric. Carlsen segue em dívida no que faz a atuações olímpicas, porém há que entender que dada a pré-classificação de Noruega, os adversários nem sempre são fonte de motivação -e também, não existe material preparado sobre eles como sem dúvida a equipe do campeão deve ter dos seus principais adversários-.
No que faz ao xadrez latino-americano, era previsível dado o desenvolvimento da prova que Cuba e Estados Unidos obtenham bons resultados -o sétimo lugar dos caribenhos merece destaque-, porém também tiveram boas atuações os times de Argentina e Perú (que finalizaram com os mesmos pontos que Brasil).
Dentro do mundo lusofalante, Brasil é o cômodo líder, mas também há que destacar a boa atuação de Portugal, que finalizou na 58a posição após ser o pré-classificado 75. Angola ficou na colocação 103, perto da sua pré-classificação, Moçambique no 126o lugar, algo menos do esperado.
Do torneio em se, pode-se indicar que este bem organizado, com uma sala de jogo ampla e uma cobertura no site oficial ótima (a melhor dos últimos tempos). 
O ponto lamentável foi a morte de dois enxadristas, um deles na sala de jogo e durante a sua partida: Kurt Meier, de Seychelles, na última rodada, devido a um ataque cardíaco. Horas depois, apareceu morto na sua habitação de hotel o representante do time ICCD (organização que agrupa aos deficientes auditivos), o uzbeco Alisher Anarkulov.
A Olimpíada também vai ser lembrada por ter acontecido em forma simultânea ao congresso da FIDE onde Kirsan Ilyumzhinov reteve a presidência da entidade ao derrotar em forma ampla ao seu adversário Garri Kasparov.
A maior polêmica foi a que envolveu, antes do inicio da prova, à equipe feminina russa, que foi eliminada pela organização por não apresentar o listado em tempo -Rússia tomou os dias esperando uma definição na transferência de Kateryna Lagno, ex representante de Ucrânia-. O presidente Ilyumzhinov defendeu a posição russa, e depois de dias de tensão os organizadores voltaram trás a decisão, permitindo a participação do time que finalmente conquistara o ouro.


Rússia venceu a prova feminina de forma merecida, derrotando no match decisivo a China com vitória de Lagno sobre a campeã mundial Hou Yifan -com esto, penso, Kateryna começa a pagar os 20.000 euros que Rússia teve que pagar como compensação-. A queda na penúltima rodada contra Ucrânia não foi aproveitada pela China, que finalizou na segunda colocação, compartilhada com Ucrânia.
Pelo geral, a prova feminina não apresenta as surpresas que acontecem no torneio absoluto, e as favoritas se distanciam muito do resto dos países competidores. As primeiras equipes pré-classificadas ocupam os primeiros lugares, pelo qual se pode destacar a atuação do time de Cazaquistão, que finalizou na sexta colocação quando estava pré-classificado 17, com os mesmos pontos que Geórgia -uma potencia do xadrez feminino que acabou na quarta colocação-.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O balanço de Brasil

A equipe absoluta, em jantar com o Embaixador de Brasil em Noruega
A participação de Brasil na Olimpíada de xadrez realizada em Tromso, Noruega, pode ser qualificada como um sucesso, desde que ambas as equipes (absoluta e feminina) obtiveram melhoras na sua pré-classificação em ambos os torneios.
O time absoluto tinha ingressado como pré-classificado 30 e finalizou na 22a posição -compartilhando a 12a-, no que é uma das melhores atuações brasileira na história desde a dissolução da União Soviética.
Patra ter uma dimensão do que isto significa, há que apontar que Brasil obteve a mesma quantidade de pontos que potencias como Holanda, França, Estados Unidos, Polônia ou Sérvia. Também se obtiveram os mesmos pontos que na edição 2010, celebrada em Khanty Mansiysk (Rússia), onde Brasil finalizou na 17a colocação.
A atuação de Brasil, rodada por rodada, foi a seguinte:

Rod. Adversário Placar
1 Trinidad & Tobago 4-0
2 Bolívia 3½-½
3 Uzbequistão ½-3½
4 Nigéria 4-0
5 Indonésia 1½-2½
6 Coreia do Sul 4-0
7 Letônia 2½-1½
8 Holanda ½-3½
9 Canadá 3½-½
10. Eslováquia 2½-1½
11. România 2-2

Depois de um começo com vitórias amplas, a derrota ante Uzbequistão -que também tinha derrotado ao Brasil em Istambul 2012- parece ter sido de difícil absorção, como parece mostrar, depois do intervalo que significou Nigéria, a não esperada derrota ante Indonésia. Após esta quinta rodada, Brasil chegava ao dia livre com algumas dúvidas, e se temia que uma sequência vitória ante equipes fracas seguida de derrota ante fortes fosse a estragar o torneio. No entanto, esse dia livre chegou no momento certo, e a segunda fase da prova mostrou uma recuperação muito boa da equipe, com uma vitória simples ante Coreia do Sul e outra bem mais importante e motivadora ante a Letônia de Alexey Shirov. Nessa circunstância se enfrenta a Holanda, que resultou um adversário mais que difícil e venceu com justiça, mas em vez de cair, o time juntou forças e teve uma notável recuperação, vencendo encontros difíceis ante Ca-nadá e Eslováquia, e fechando a sua participação com um empate ante România, outra equipe consolidada e com um histórico respeitável nas olimpíadas.
A atuação individual dos representantes brasileiros foi a seguinte:

* Rafael Leitão, 3½ em 8 (+1 = 5 -2)
* Alexandr Fier, 7 em 10 (+6 =2 -2)
* Krikor Mekhitarian, 6½ em 10 (+5 = 3 -2)
* Gilberto Milos, 6 em 8 (+5 =2 -1)
* Felipe El Debs, 5½ em 8 (+4 =3 -1)

No geral, todos os mestres realizaram uma tarefa boa. Observando os resultados, talvez Leitão pode ter feito algum ponto a mais ou não esteve no seu melhor torneio, mas há que considerar que o primeiro tabuleiro não é fácil neste tipo de provas: pega rival duro, e só rival duro. No caso do campeão brasileiro, teve que enfrentar a verdadeiros monstros como o ex campeão mundial Rustam Kasimdzhanov ou os candidatos ao título Alexey Shirov e Anish Giri. No segundo tabuleiro, Alexandr Fier se mostrou recuperado depois de uma atuação não tão convincente em Istambul, e também Krikor Mekhitarian aportou uma boa quantidade de pontos. Na primeira parte do torneio, quando o começo não tinha sido tão bom, Gilberto Milos foi destaque, mantendo nos tempos bons entre as rodadas 6 e 11 a sua regularidade. Felipe El Debs foi o único dentre os brasileiros que apareceu entre os vinte melhores na sua categoria -tabuleiro reserva, ganhada brilhantemente pelo estadunidense Samuel Shankland com 9 em 10- e aportou a sua tradicional solidez somada a boas vitórias.

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WIM Juliana Terao: boa atuação
A equipe feminina brasileira ingressou como pré-classificada 50 e finalizou na posição 44, o que também pode ser considerado um sucesso, desde que se melhora a colocação com relação às últimas três olimpíadas, onde finalizou na posição 58 (Istambul 2012), 70 (Khanty Mansiysk 2010) e 48 (Dresde 2008).
A atuação de Brasil, rodada por rodada, foi a seguinte:

Rod. Adversário Placar
1 Aruba 4-0
2 Rússia 0-4
3 Luxemburgo 2½-1½
4 România 1-3
5 Uzbequistão ½-3½
6 IBCA 2½-1½
7 Sri Lanka 3-1
8 Equador 2½-1½
9 Azerbaidjão ½-3½
10 Inglaterra 2-2
11 Moldávia 2½-1½

Como aconteceu com a equipe absoluta, a feminina foi de menos a mais, com uma recuperação boa na segunda parte do torneio que levou, depois de duras derrotas ante as repúblicas ex-URSS, a um valioso empate ante Inglaterra e vitória final ante Moldávia. No entanto, e diferente do time absoluto, há muito por fazer para tentar uma atuação que as posiciones mais perto das equipes que lutam pelos primeiros vinte ou trinta lugares.
A atuação individual das representantes brasileiras foi a seguinte:

* Vanessa Feliciano, 7 em 11 (+5 =4 -2)
* Juliana Terao, 6 em 10 (+5 =2 -3)
* Joara Chaves, 5 em 8 (+4 =2 -2)
* Regina Ribeiro, 1½ em 8 (+1 =1 -6)
* Suzana Chang, 1½ em 7 (=2 -4)

Como está sendo costume, Vanessa Feliciano (esteve perto de obter título de WGM) e Juliana Terao foram as principais aportantes de pontos, se somando nesta oportunidade a wim Joara Chaves, que teve uma atuação de destaque e aportou o ponto decisivo ante Moldávia.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Brasil finaliza olimpíada com sucesso


Brasil finalizou a Olimpíada com um empate ante România no absoluto e uma importante vitória ante Moldávia na prova feminina, melhorando a sua pré-classificação em ambos os torneios.
O duelo contra România no absoluto se apresentava parelho, e os acontecimentos nos tabuleiros deram razão as estatísticas prévias: foram quatro empates que deixaram ao time brasileiro na colocação 22, uma das melhores de toda a história olímpica. Nesta rodada Brasil formou com Rafael Leitão, Alexandr Fier (foto), Krikor Mekhitarian e Gilberto Milos, descansando Felipe El Debs,
China obteve a sua primeira medalha de ouro na categoria absoluta, um fato histórico considerando que a fins dos anos sessenta o xadrez estava proibido nesse país. Hungria, com uma equipe que mistura juventude e experiência ficou em segundo lugar, enquanto Índia obteve o bronze. No match decisivo, China venceu a Polônia 3x1.
A vitória brasileira na categoria feminina permitiu à equipe melhorar a sua pré-classificação, obtendo uma meritória 44a posição na geral. Como esperado, o match contra Moldávia foi equilibrado, resultando em três empates e uma vitória de Joara Chaves -que teve uma boa atuação em Tromso-.
A prova feminina foi convincentemente ganha pela equipe de Rússia -que chegou a estar fora da competição por não apresentar a equipe antes da data limite da organização e foi objeto de atuações judiciais-, que venceu na úl-tima rodada a Bulgária pela mínima diferencia. No geral, o time russo contou com muito boas atuações de Valentina Gunina e Alexandra Kosteniuk, e destaque para a vitória de Kateryna Lagno ante Hou Yifan no match decisivo ante China. A prata foi para China, que empatou no duelo da última rodada -e também nas posições, devendo apelar ao sistema desempate- com a Ucrânia das irmãs Muzychuk.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Brasil, ante uma oportunidade histórica


O Brasil está ante uma oportunidade histórica: se vence a România, no duelo pela rodada 11 da Olimpíada, consegue a melhor atuação de todos os tempos, se posicionando entre os quinze melhores times do mundo.
Quais são as chances? Bem, 50% e 50%. A equipe da România têm um elo médio muito semelhante ao brasileiro, perdeu Nisipeanu que era sua melhor carta (o grande mestre joga agora pela Alemanha), mas ainda conta com grandes mestres de nível como Lupulescu ou Parligras, que levam 6 em 10. Se prevê um duelo duro: no torneio, România sempre esteve lutando nas mesas de acima. Alguns resultados: 3x1 ante Eslováquia, derrota pela mínima ante Bulgária, 3x1 ante Bielorrússia, empates ante República Tcheca e Azerbaidjão... 
Entretanto, para Brasil, que está ante um objetivo inédito, o fato representa uma motivação extra, e deve ajudar. A equipe teve uma segunda parte da prova muito boa, se recuperando do começo algo impreciso e com destaques como as vitórias ante Canadá e Eslováquia.
O resultado individual dos representantes brasileiros, até o momento, é:

* Rafael Leitão, 3 em 7 (+1 = 4 -2)
* Alexandr Fier, 6½ em 9 (+6 =1 -2)
* Krikor Mekhitarian, 6 em 9 (+5 = 2 -2)
* Gilberto Milos (foto), 5½ em 7 (+5 =1 -1)
* Felipe El Debs, 5½ em 8 (+4 =3 -1)

Alexandr Fier está agora no lugar do melhor artilheiro do time, com meio ponto a mais que Krikor Mekhitarian, também de boa tarefa em Noruega.
Na rodada 11 descansa El Debs, pelo qual os enfrentamentos vão ser: Lupulescu - Leitão, Fier - Parligras, Jianu - Mekhitarian e Milos - Nevednichy.

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Também histórica é a liderança de China (foto, abaixo), que por primeira vez mostra a sua força no torneio absoluto e tem excelentes chances de vencer. O duelo da última rodada contra Polônia é de prognóstico algo melhor para a equipe oriental, mais que nada pela irregularidade mostrada pelo time europeu.


Apesar da longa tradição histórica do xadrez na China -remontada séculos trás-, o jogo ciência sempre teve que concorrer nesse país com a versão mais popular do xiangqi (xadrez chinês). A federação nacional foi iniciada somente em 1962, como um departamento da associação de xiangqi. Por esses anos foram organizados duelos contra a então potencia mundial do xadrez, a União Soviética, que finalizaram com a vitória desta última. No entanto, a revolução iniciada por Mao Tse Tung proibiu a prática do xadrez, e somente no ano 1976, com a morte do líder, a China ingressou na FIDE e foi desenvolvido um ambicioso projeto, chamado de Grande Dragão para fomentar a prática no país. Na olimpíada de Buenos Aires 1978 um enxadrista chinês venceu pela primeira vez a um grande mestre (e em grande estilo! Procure o jogo Liu Wenzhe - Donner dessa prova). O primeiro grande mestre foi Ye Rongguang no ano 1990, e já no 2000 tinham um enxadrista com mais de 2600 elo (Ye Jiangchuan). Tomou apenas sete anos para obter um que ultrapasse os 2700 (Wang Yue).
No entanto, o crescimento no xadrez feminino se mostrava mais, com campeãs mundiais como Xie Jun (1991-1996 e 1999-2001), Zhu Chen (2001-2004),Xu Yuhua (2004-2006) e o novo prodígio Hou Yifan (atual titular). O xadrez masculino, apesar dos progressos, ainda parece estar longe de obter um título mundial, mas um ouro na Olimpíada pode ser um bom começo, ou ao menos outro logro para um dragão que parece cada dia mais grande.

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A atuação da equipe feminina brasileira foi, na fase das rodadas 5-10, muito melhor que a primeira, com o time mostrando recuperação e determinação que a levaram a se colocar em posições mais acorde com a sua pré-classificação original (50). Na última rodada enfrenta a Moldávia, a pré-classificada 44, no que supõe um encontro difícil mas que pode ser equilibrado: enquanto as duas primeiras desse time estão realizando uma boa atuação, o ponto fraco delas está nos últimos tabuleiros. O mesmo diagnóstico pode ser feito para o time brasileiro, pelo qual match pode ser imprevisível. Os encontros: Baciu - Feliciano, Terao - Petrenko, Partac - Chaves e Chang - Hincu.
A atuação individual das brasileiras, até o momento, é:

* Vanessa Feliciano (foto), 6½ em 10 (+5 =3 -2)
* Juliana Terao, 5½ em 9 (+5 =1 -3)
* Joara Chaves, 4 em 7 (+3 =2 -2)
* Regina Ribeiro, 1½ em 8 (+1 =1 -6)
* Suzana Chang, 1 em 6 (=2 -4)

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Antes da rodada 10 a prova parecia se encaminhar a uma vitória simples para a forte equipe de Rússia, que tinha vencido o match decisivo ante China. Porém nessa penúltima jornada, a equipe líder foi surpreendida e derrotada pela Ucrânia, deixando os primeiros pontos no caminho. Era a grande oportunidade para China, porém a equipe liderada por Hou Yifan não pode passar do empate ante Espanha e agora, com um ponto a menos que Rússia (ao igual que Ucrânia) deve esperar por um improvável novo tropeço das líderes, que enfrentam a Bulgária.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Brasil vence a Eslováquia e ascende posições


Os resultados obtidos pelo Brasil na rodada dez valem seu peso em ouro. A equipe absoluta venceu a Eslováquia e compartilha a 11a colocação, a falta de uma rodada que pode oferecer um resultado histórico para o xadrez brasileiro. E a equipe feminina logrou um meritório empate ante a forte seleção da Inglaterra, redondeando uma jornada muito boa.
Na prova absoluta, a vitória de Alexandr Fier -com as peças pretas- sobre Ftacnik foi decisiva para o triunfo final, considerando que nos outros tabuleiros as batalhas acabaram na divisão do ponto. Krikor Mekhitarian, também levando as pretas, obteve um empate cômodo, porém Rafael Leitão (foto) e Felipe El Debs tiveram que defender ferreamente posições inferiores -e até perdida no segundo dos casos-.
A falta de uma rodada, China é líder isolada da prova, após vencer a França pela mínima diferencia (vitória de Yu Yangyi sobre Fressinet). Hungria está a um ponto após uma nova vitória, esta vez ante România. A novidade do dia foi a nova derrota de Magnus Carlsen, esta vez ante o melhor enxadrista croata atual, Ivan Saric.
No torneio feminino, o empate brasileiro se sustentou na vitória de Juliana Terao -que parece ter recuperado seu nível- e os empates de Vanessa Feliciano -ante Jovanka Houska, 2401 elo- e Joara Chaves -teve que defender um longo final de torre contra torre e cavalo da adversária-. Regina Ribeiro ficou inferior desde a abertura e a sua adversária ainda achou um arremate com base no melhor desenvolvimento e a exposição do rei da brasileira.
Até o momento esta prova era um passeio para a equipe russa, que tinha vencido todos seus duelos, porém a derrota de hoje ante Ucrânia deixa ainda aberto o final. Rússia ainda lidera com um ponto de vantagem sobre suas vencedoras e China.
Na rodada 11, Brasil enfrenta a România no absoluto e Moldávia no feminino.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Importante vitória ante Canadá


Uma vitória e uma derrota, amplas as duas, foi o saldo da rodada nona para o Brasil.
A equipe absoluta, em boa atuação, obteve uma vitória fundamental ante Canadá, a priori uma equipe dura e com enxadristas de nível semelhante ao brasileiro.
No primeiro tabuleiro o adversário de Rafael Leitão, Anton Kovalyov, amagou com jogar uma Índia de Dama para transpor logo a um esquema eslavo no qual possui uma grande experiência. Em certo ponto ganhou a iniciativa, forçando ao grande mestre brasileiro a defender com precisão, levando a partida ao empate.
Alexandr Fier tomou riscos de acordo com seu estilo, sacrificando uma qualidade por alguns elementos compensa-tórios (um cavalo bem centralizado, chances de iniciativa na ala de dama) que podiam não ser suficientes mas acabaram confundindo ao seu adversário, que possivelmente em apuro de tempo foi realizando imprecisões que o deixaram perdido.
No tabuleiro 3, Krikor Mekhitarian (foto) protagonizou uma longa partida estratégica ante o grande mestre Sambuev, obtendo a melhor parte de um final aproximadamente igual. No entanto, a sua visão desse final foi melhor e após algumas imprecisões do adversário ganhou uma vantagem decisiva que concretizou em boa forma.
A partida de Felipe El Debs foi rara. Se as bases de dados estão certas, em certo momento ele perdia em um lance (depois do seu movimento 18). Seu adversário perdeu a chance e tudo voltou à normalidade. Mas depois uma tentativa de iniciativa branca acabou em um desastre posicional, com as peças pretas invadindo de forma decisiva.
Em resumo, um excelente resultado de Brasil, que volta a posições de expectativa.
O empate de China com Ucrânia na mesa 1 permite á equipe de França alcançar a liderança. Os galos venceram de República Tcheca pela mínima diferencia. Em uma jornada com muitos empates nas principais mesas, têm mais valor os triunfos de Hungria sobre Israel e Bulgária sobre Cuba.
A derrota de Brasil ante Azerbaidjão no feminino não foi uma surpresa dada as diferencias de elo, mas sempre um placar amplo causa tristeza. Ontem, unicamente Juliana Terao obteve um empate, enquanto nos outros três tabuleiros o resultado foi vitorioso para as adversárias.
A equipe absoluta enfrenta pela rodada 10 a Eslováquia, uma equipe cuja pré-classificação é algo inferior ao do time brasileiro, e que levam cinco vitórias, dois empates e duas derrotas nesta prova. O meu palpite, considerando que até o momento este time (formado por quatro grandes mestres e um mestre internacional) não enfrentou a um dos adversários da elite, é que Brasil pode ter sucesso e lograr uma vitória que seria mais que vital para as posições finais.
A equipe feminina, entretanto, procura a sua recuperação enfrentando a Inglaterra, em match que se adivinha difícil.

Kirsan Ilyumzhinov mantem a presidência da FIDE




O 85o. Congresso da FIDE teve lugar hoje, em horas da manhã e de forma paralela à rodada da Olimpíada que se realiza em Tromso, Noruega. 
A agenda teve como principal acontecimento a reeleição de Kirsan Ilyumzhinov por mais um período ao frente da entidade, após uma votação na qual o titular da FIDE derrotou ao seu adversário, o ex-campeão mundial Garri Kasparov, por 110 votos a 61. Uma porcentagem maior que na passada eleição, quando Kirsan derrotou à formula encabeçada por Anatoly Karpov (suportada por Kasparov). 
Antes do sufrágio, ambos os candidatos tiveram tempo para se dirigir aos delegados. Primeiro falou Kasparov, apresentando a sua equipe (entre eles o estadunidense Rex Sinquefield, um moderno mecenas do xadrez e alma mater do famoso clube de xadrez Saint Louis), prometendo patrocínios "a partir de amanha" e indicando que um dos principais problemas da FIDE é a falta de patrocínio, que adjudica à imagem de Ilyumzhinov. "FIDE -afirmou Kasparov- deveria ajudar às federações, atraindo investimentos. Eu sei como fazer isso".
Na sua apresentação, Kirsan explicou que ele vem mostrando faz 19 anos um trabalho sustenido ao frente da entidade, e afirmou, em resposta às declarações de Kasparov, que "não amanha, mas hoje, estou obtendo fundos para o desenvolvimento do xadrez em África, por valor de meio milhão de dólares". Ilyumzhinov ainda prometeu uma contribuição de 100.000 dólares para a Fundação Kasparov de Xadrez (!) e, arrancando aplausos da plateia (e algum sorriso da oposição) anunciou um investimento de vinte milhões de dólares para o xadrez.
Depois da sua vitória, Kirsan convidou a Kasparov a se integrar no trabalho institucional da FIDE, possivelmente ocupando uma vice-presidência. Não se conhece que vai fazer Garri, mas por enquanto o "ogro de Bakú" já está cobrando que a promessa dos vinte milhões se concretize.
Na oportunidade também se realizaram eleições para os continentes; Zurab Azmaiparashvili venceu na Europa (33x18 ante o anterior titular, o búlgaro Silvio Danailov), Sheik Sultan foi releito em Asia (38x12)