quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Brasil finaliza olimpíada com sucesso


Brasil finalizou a Olimpíada com um empate ante România no absoluto e uma importante vitória ante Moldávia na prova feminina, melhorando a sua pré-classificação em ambos os torneios.
O duelo contra România no absoluto se apresentava parelho, e os acontecimentos nos tabuleiros deram razão as estatísticas prévias: foram quatro empates que deixaram ao time brasileiro na colocação 22, uma das melhores de toda a história olímpica. Nesta rodada Brasil formou com Rafael Leitão, Alexandr Fier (foto), Krikor Mekhitarian e Gilberto Milos, descansando Felipe El Debs,
China obteve a sua primeira medalha de ouro na categoria absoluta, um fato histórico considerando que a fins dos anos sessenta o xadrez estava proibido nesse país. Hungria, com uma equipe que mistura juventude e experiência ficou em segundo lugar, enquanto Índia obteve o bronze. No match decisivo, China venceu a Polônia 3x1.
A vitória brasileira na categoria feminina permitiu à equipe melhorar a sua pré-classificação, obtendo uma meritória 44a posição na geral. Como esperado, o match contra Moldávia foi equilibrado, resultando em três empates e uma vitória de Joara Chaves -que teve uma boa atuação em Tromso-.
A prova feminina foi convincentemente ganha pela equipe de Rússia -que chegou a estar fora da competição por não apresentar a equipe antes da data limite da organização e foi objeto de atuações judiciais-, que venceu na úl-tima rodada a Bulgária pela mínima diferencia. No geral, o time russo contou com muito boas atuações de Valentina Gunina e Alexandra Kosteniuk, e destaque para a vitória de Kateryna Lagno ante Hou Yifan no match decisivo ante China. A prata foi para China, que empatou no duelo da última rodada -e também nas posições, devendo apelar ao sistema desempate- com a Ucrânia das irmãs Muzychuk.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Brasil, ante uma oportunidade histórica


O Brasil está ante uma oportunidade histórica: se vence a România, no duelo pela rodada 11 da Olimpíada, consegue a melhor atuação de todos os tempos, se posicionando entre os quinze melhores times do mundo.
Quais são as chances? Bem, 50% e 50%. A equipe da România têm um elo médio muito semelhante ao brasileiro, perdeu Nisipeanu que era sua melhor carta (o grande mestre joga agora pela Alemanha), mas ainda conta com grandes mestres de nível como Lupulescu ou Parligras, que levam 6 em 10. Se prevê um duelo duro: no torneio, România sempre esteve lutando nas mesas de acima. Alguns resultados: 3x1 ante Eslováquia, derrota pela mínima ante Bulgária, 3x1 ante Bielorrússia, empates ante República Tcheca e Azerbaidjão... 
Entretanto, para Brasil, que está ante um objetivo inédito, o fato representa uma motivação extra, e deve ajudar. A equipe teve uma segunda parte da prova muito boa, se recuperando do começo algo impreciso e com destaques como as vitórias ante Canadá e Eslováquia.
O resultado individual dos representantes brasileiros, até o momento, é:

* Rafael Leitão, 3 em 7 (+1 = 4 -2)
* Alexandr Fier, 6½ em 9 (+6 =1 -2)
* Krikor Mekhitarian, 6 em 9 (+5 = 2 -2)
* Gilberto Milos (foto), 5½ em 7 (+5 =1 -1)
* Felipe El Debs, 5½ em 8 (+4 =3 -1)

Alexandr Fier está agora no lugar do melhor artilheiro do time, com meio ponto a mais que Krikor Mekhitarian, também de boa tarefa em Noruega.
Na rodada 11 descansa El Debs, pelo qual os enfrentamentos vão ser: Lupulescu - Leitão, Fier - Parligras, Jianu - Mekhitarian e Milos - Nevednichy.

*****************************************
Também histórica é a liderança de China (foto, abaixo), que por primeira vez mostra a sua força no torneio absoluto e tem excelentes chances de vencer. O duelo da última rodada contra Polônia é de prognóstico algo melhor para a equipe oriental, mais que nada pela irregularidade mostrada pelo time europeu.


Apesar da longa tradição histórica do xadrez na China -remontada séculos trás-, o jogo ciência sempre teve que concorrer nesse país com a versão mais popular do xiangqi (xadrez chinês). A federação nacional foi iniciada somente em 1962, como um departamento da associação de xiangqi. Por esses anos foram organizados duelos contra a então potencia mundial do xadrez, a União Soviética, que finalizaram com a vitória desta última. No entanto, a revolução iniciada por Mao Tse Tung proibiu a prática do xadrez, e somente no ano 1976, com a morte do líder, a China ingressou na FIDE e foi desenvolvido um ambicioso projeto, chamado de Grande Dragão para fomentar a prática no país. Na olimpíada de Buenos Aires 1978 um enxadrista chinês venceu pela primeira vez a um grande mestre (e em grande estilo! Procure o jogo Liu Wenzhe - Donner dessa prova). O primeiro grande mestre foi Ye Rongguang no ano 1990, e já no 2000 tinham um enxadrista com mais de 2600 elo (Ye Jiangchuan). Tomou apenas sete anos para obter um que ultrapasse os 2700 (Wang Yue).
No entanto, o crescimento no xadrez feminino se mostrava mais, com campeãs mundiais como Xie Jun (1991-1996 e 1999-2001), Zhu Chen (2001-2004),Xu Yuhua (2004-2006) e o novo prodígio Hou Yifan (atual titular). O xadrez masculino, apesar dos progressos, ainda parece estar longe de obter um título mundial, mas um ouro na Olimpíada pode ser um bom começo, ou ao menos outro logro para um dragão que parece cada dia mais grande.

***************************************


A atuação da equipe feminina brasileira foi, na fase das rodadas 5-10, muito melhor que a primeira, com o time mostrando recuperação e determinação que a levaram a se colocar em posições mais acorde com a sua pré-classificação original (50). Na última rodada enfrenta a Moldávia, a pré-classificada 44, no que supõe um encontro difícil mas que pode ser equilibrado: enquanto as duas primeiras desse time estão realizando uma boa atuação, o ponto fraco delas está nos últimos tabuleiros. O mesmo diagnóstico pode ser feito para o time brasileiro, pelo qual match pode ser imprevisível. Os encontros: Baciu - Feliciano, Terao - Petrenko, Partac - Chaves e Chang - Hincu.
A atuação individual das brasileiras, até o momento, é:

* Vanessa Feliciano (foto), 6½ em 10 (+5 =3 -2)
* Juliana Terao, 5½ em 9 (+5 =1 -3)
* Joara Chaves, 4 em 7 (+3 =2 -2)
* Regina Ribeiro, 1½ em 8 (+1 =1 -6)
* Suzana Chang, 1 em 6 (=2 -4)

***************************************
Antes da rodada 10 a prova parecia se encaminhar a uma vitória simples para a forte equipe de Rússia, que tinha vencido o match decisivo ante China. Porém nessa penúltima jornada, a equipe líder foi surpreendida e derrotada pela Ucrânia, deixando os primeiros pontos no caminho. Era a grande oportunidade para China, porém a equipe liderada por Hou Yifan não pode passar do empate ante Espanha e agora, com um ponto a menos que Rússia (ao igual que Ucrânia) deve esperar por um improvável novo tropeço das líderes, que enfrentam a Bulgária.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Brasil vence a Eslováquia e ascende posições


Os resultados obtidos pelo Brasil na rodada dez valem seu peso em ouro. A equipe absoluta venceu a Eslováquia e compartilha a 11a colocação, a falta de uma rodada que pode oferecer um resultado histórico para o xadrez brasileiro. E a equipe feminina logrou um meritório empate ante a forte seleção da Inglaterra, redondeando uma jornada muito boa.
Na prova absoluta, a vitória de Alexandr Fier -com as peças pretas- sobre Ftacnik foi decisiva para o triunfo final, considerando que nos outros tabuleiros as batalhas acabaram na divisão do ponto. Krikor Mekhitarian, também levando as pretas, obteve um empate cômodo, porém Rafael Leitão (foto) e Felipe El Debs tiveram que defender ferreamente posições inferiores -e até perdida no segundo dos casos-.
A falta de uma rodada, China é líder isolada da prova, após vencer a França pela mínima diferencia (vitória de Yu Yangyi sobre Fressinet). Hungria está a um ponto após uma nova vitória, esta vez ante România. A novidade do dia foi a nova derrota de Magnus Carlsen, esta vez ante o melhor enxadrista croata atual, Ivan Saric.
No torneio feminino, o empate brasileiro se sustentou na vitória de Juliana Terao -que parece ter recuperado seu nível- e os empates de Vanessa Feliciano -ante Jovanka Houska, 2401 elo- e Joara Chaves -teve que defender um longo final de torre contra torre e cavalo da adversária-. Regina Ribeiro ficou inferior desde a abertura e a sua adversária ainda achou um arremate com base no melhor desenvolvimento e a exposição do rei da brasileira.
Até o momento esta prova era um passeio para a equipe russa, que tinha vencido todos seus duelos, porém a derrota de hoje ante Ucrânia deixa ainda aberto o final. Rússia ainda lidera com um ponto de vantagem sobre suas vencedoras e China.
Na rodada 11, Brasil enfrenta a România no absoluto e Moldávia no feminino.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Importante vitória ante Canadá


Uma vitória e uma derrota, amplas as duas, foi o saldo da rodada nona para o Brasil.
A equipe absoluta, em boa atuação, obteve uma vitória fundamental ante Canadá, a priori uma equipe dura e com enxadristas de nível semelhante ao brasileiro.
No primeiro tabuleiro o adversário de Rafael Leitão, Anton Kovalyov, amagou com jogar uma Índia de Dama para transpor logo a um esquema eslavo no qual possui uma grande experiência. Em certo ponto ganhou a iniciativa, forçando ao grande mestre brasileiro a defender com precisão, levando a partida ao empate.
Alexandr Fier tomou riscos de acordo com seu estilo, sacrificando uma qualidade por alguns elementos compensa-tórios (um cavalo bem centralizado, chances de iniciativa na ala de dama) que podiam não ser suficientes mas acabaram confundindo ao seu adversário, que possivelmente em apuro de tempo foi realizando imprecisões que o deixaram perdido.
No tabuleiro 3, Krikor Mekhitarian (foto) protagonizou uma longa partida estratégica ante o grande mestre Sambuev, obtendo a melhor parte de um final aproximadamente igual. No entanto, a sua visão desse final foi melhor e após algumas imprecisões do adversário ganhou uma vantagem decisiva que concretizou em boa forma.
A partida de Felipe El Debs foi rara. Se as bases de dados estão certas, em certo momento ele perdia em um lance (depois do seu movimento 18). Seu adversário perdeu a chance e tudo voltou à normalidade. Mas depois uma tentativa de iniciativa branca acabou em um desastre posicional, com as peças pretas invadindo de forma decisiva.
Em resumo, um excelente resultado de Brasil, que volta a posições de expectativa.
O empate de China com Ucrânia na mesa 1 permite á equipe de França alcançar a liderança. Os galos venceram de República Tcheca pela mínima diferencia. Em uma jornada com muitos empates nas principais mesas, têm mais valor os triunfos de Hungria sobre Israel e Bulgária sobre Cuba.
A derrota de Brasil ante Azerbaidjão no feminino não foi uma surpresa dada as diferencias de elo, mas sempre um placar amplo causa tristeza. Ontem, unicamente Juliana Terao obteve um empate, enquanto nos outros três tabuleiros o resultado foi vitorioso para as adversárias.
A equipe absoluta enfrenta pela rodada 10 a Eslováquia, uma equipe cuja pré-classificação é algo inferior ao do time brasileiro, e que levam cinco vitórias, dois empates e duas derrotas nesta prova. O meu palpite, considerando que até o momento este time (formado por quatro grandes mestres e um mestre internacional) não enfrentou a um dos adversários da elite, é que Brasil pode ter sucesso e lograr uma vitória que seria mais que vital para as posições finais.
A equipe feminina, entretanto, procura a sua recuperação enfrentando a Inglaterra, em match que se adivinha difícil.

Kirsan Ilyumzhinov mantem a presidência da FIDE




O 85o. Congresso da FIDE teve lugar hoje, em horas da manhã e de forma paralela à rodada da Olimpíada que se realiza em Tromso, Noruega. 
A agenda teve como principal acontecimento a reeleição de Kirsan Ilyumzhinov por mais um período ao frente da entidade, após uma votação na qual o titular da FIDE derrotou ao seu adversário, o ex-campeão mundial Garri Kasparov, por 110 votos a 61. Uma porcentagem maior que na passada eleição, quando Kirsan derrotou à formula encabeçada por Anatoly Karpov (suportada por Kasparov). 
Antes do sufrágio, ambos os candidatos tiveram tempo para se dirigir aos delegados. Primeiro falou Kasparov, apresentando a sua equipe (entre eles o estadunidense Rex Sinquefield, um moderno mecenas do xadrez e alma mater do famoso clube de xadrez Saint Louis), prometendo patrocínios "a partir de amanha" e indicando que um dos principais problemas da FIDE é a falta de patrocínio, que adjudica à imagem de Ilyumzhinov. "FIDE -afirmou Kasparov- deveria ajudar às federações, atraindo investimentos. Eu sei como fazer isso".
Na sua apresentação, Kirsan explicou que ele vem mostrando faz 19 anos um trabalho sustenido ao frente da entidade, e afirmou, em resposta às declarações de Kasparov, que "não amanha, mas hoje, estou obtendo fundos para o desenvolvimento do xadrez em África, por valor de meio milhão de dólares". Ilyumzhinov ainda prometeu uma contribuição de 100.000 dólares para a Fundação Kasparov de Xadrez (!) e, arrancando aplausos da plateia (e algum sorriso da oposição) anunciou um investimento de vinte milhões de dólares para o xadrez.
Depois da sua vitória, Kirsan convidou a Kasparov a se integrar no trabalho institucional da FIDE, possivelmente ocupando uma vice-presidência. Não se conhece que vai fazer Garri, mas por enquanto o "ogro de Bakú" já está cobrando que a promessa dos vinte milhões se concretize.
Na oportunidade também se realizaram eleições para os continentes; Zurab Azmaiparashvili venceu na Europa (33x18 ante o anterior titular, o búlgaro Silvio Danailov), Sheik Sultan foi releito em Asia (38x12)

domingo, 10 de agosto de 2014

Derrota ante Holanda no absoluto e vitória ante Equador no feminino



Se sabia que a rodada de ontem podia ser muito difícil, contra uma equipe consolidada e forte como a de Holanda, que está dentro do grupo de países que aspiram a obter uma medalha. A derrota não é então um resultado surpreendente, porém sim foi mais ampla que o que o desenvolvimento das partidas mostrou.
O match pode-se dividir em duas partes: na primeira delas se registrou a vitória do prodígio Anish Giri ante Alexandr Fier e o empate de Felipe El Debs ante Robin van Kampen, ambos jogos relativamente rápidos. A segunda parte do match teve partidas que se estenderam em finais equilibrados mas com uma característica: os holandeses podiam jogar sem correr riscos, enquanto não era simples achar os melhores lances para Mekhitarian e Milos, ainda apremiados pela falta de tempo. E o que podia ter sido dois empates -e derrota pela mínima- se transformou por império do comentado em duas derrotas, configurando assim um placar que não faz justícia à luta dos mestres nacionais.
A boa noticia do dia foi a vitória da equipe feminina, pela mínima ante Equador, um resultado que a coloca melhorando a sua pré-classificação. Novas vitórias de Vanessa Feliciano e Juliana Terao e empate de Regina Ribeiro (foto abaixo).


Pela rodada 9 dois encontros duros: o absoluto ante Canadá (um time com um elo médio algo inferior ao de Brasil; conta com três grandes mestres encabeçados pelo sólido Anton Kovalyov e dois mestres internacionais) e o feminino ante Azerbaidjão (o time das irmãs de Mamedyarov), em match que vai ser uma verdadeira prova de fogo para as enxadristas brasileiras.

sábado, 9 de agosto de 2014

Grande vitória ante Letônia

Vanessa Feliciano voltou a vencer no primeiro tabuleiro de Brasil
Grande vitória de Brasil ante Letônia! O triunfo, pela diferencia mínima, coloca á equipe em uma boa posição, melhorando a sua pré-classificação. A equipe feminina também ganhou, ante Sri Lanka, e se acerca aos lugares acordes com a sua pré-classificação.
No absoluto, Leitão não pode com Shirov em um final de fantasia onde teve chances de empate, mas as rápidas vitórias de Mekhitarian e Milos (Gilberto leva 5½ em 6, excelente atuação) e o empate de Fier ante Kovalenko, que vem realizando um grande torneio, deram o triunfo ao time nacional.
No feminino, Vanessa Feliciano e Joara Chaves voltaram a vencer nos seus encontros e mantem uma atuação boa. A rodada deixa também a recuperação de Juliana Terao. Apesar da diferencia de elo, as representantes de Sri Lanka tiveram uma atuação digna e opuseram uma dura resistência
A rodada 7 entrega como principais novidades a liderança isolada de Azerbaidjão, que venceu a Cuba pela mínima. Leinier Dominguez derrotou a Shakriyar Mamedyarov, mas não foi suficiente pois Radjabov e Guseinov também venceram suas partidas. A derrota de Rússia ante República Tcheca é um duro golpe pára os primeiros pré-classificados, que estão perto de se despedir da luta pelo ouro -a margem agora é muito pequena-. Agora os tchecos compartilham a segunda colocação, a um ponto dos líderes, junto com China, Bulgária e România. Também foi noticia a derrota do campeão mundial Magnus Carlsen ante o alemão Arkadij Naiditsch.
No feminino a rodada acaba com um time liderando em forma isolada: Rússia, que venceu no clássico da prova a China, com uma importante vitória no tabuleiro 1 de Kateryna Lagno sobre a campeã mundial Hou Yifan.
A rodada 8 traz um difícil duelo para a equipe absoluta brasileira, que enfrentará a Holanda, um time com cinco grandes mestres, todos acima de 2600 de elo (e um com mais de 2700, Anish Giri). Brasil, que está em ascenso, pode realizar um bom match.
No feminino o time brasileiro enfrenta a Equador, em duelo que a priori pode se considerar equilibrado considerando o elo médio das enxadristas. Uma vitória colocaria à equipe nacional melhorando a pré-classificação.