sábado, 9 de agosto de 2014

Grande vitória ante Letônia

Vanessa Feliciano voltou a vencer no primeiro tabuleiro de Brasil
Grande vitória de Brasil ante Letônia! O triunfo, pela diferencia mínima, coloca á equipe em uma boa posição, melhorando a sua pré-classificação. A equipe feminina também ganhou, ante Sri Lanka, e se acerca aos lugares acordes com a sua pré-classificação.
No absoluto, Leitão não pode com Shirov em um final de fantasia onde teve chances de empate, mas as rápidas vitórias de Mekhitarian e Milos (Gilberto leva 5½ em 6, excelente atuação) e o empate de Fier ante Kovalenko, que vem realizando um grande torneio, deram o triunfo ao time nacional.
No feminino, Vanessa Feliciano e Joara Chaves voltaram a vencer nos seus encontros e mantem uma atuação boa. A rodada deixa também a recuperação de Juliana Terao. Apesar da diferencia de elo, as representantes de Sri Lanka tiveram uma atuação digna e opuseram uma dura resistência
A rodada 7 entrega como principais novidades a liderança isolada de Azerbaidjão, que venceu a Cuba pela mínima. Leinier Dominguez derrotou a Shakriyar Mamedyarov, mas não foi suficiente pois Radjabov e Guseinov também venceram suas partidas. A derrota de Rússia ante República Tcheca é um duro golpe pára os primeiros pré-classificados, que estão perto de se despedir da luta pelo ouro -a margem agora é muito pequena-. Agora os tchecos compartilham a segunda colocação, a um ponto dos líderes, junto com China, Bulgária e România. Também foi noticia a derrota do campeão mundial Magnus Carlsen ante o alemão Arkadij Naiditsch.
No feminino a rodada acaba com um time liderando em forma isolada: Rússia, que venceu no clássico da prova a China, com uma importante vitória no tabuleiro 1 de Kateryna Lagno sobre a campeã mundial Hou Yifan.
A rodada 8 traz um difícil duelo para a equipe absoluta brasileira, que enfrentará a Holanda, um time com cinco grandes mestres, todos acima de 2600 de elo (e um com mais de 2700, Anish Giri). Brasil, que está em ascenso, pode realizar um bom match.
No feminino o time brasileiro enfrenta a Equador, em duelo que a priori pode se considerar equilibrado considerando o elo médio das enxadristas. Uma vitória colocaria à equipe nacional melhorando a pré-classificação.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Importantes vitórias

A cidade sede da Olimpíada entrega numerosas belas paisagens
Brasil recuperou território nos dois torneios, ao vencer a Coreia do Sul no absoluto pelo máximo placar, e a IBCA no feminino, pelo mínimo placar.
Na equipe absoluta descansou Rafael Leitão, e seus companheiros não tiveram dificuldades para superar a oposição que representaram os enxadristas asiáticos.
A rodada 6 deixa dois líderes: a forte equipe de Azerbaidjão, e Cuba, que vem realizando uma muito boa atuação. Uma série de dez equipes se posiciona a somente um ponto, entre eles a primeira favorita (por rating médio dos integrantes), Rússia. Noruega, Armênia e Ucrânia recuperam posições. os locais, com ajuda de Magnus Carlsen, que venceu de pretas a Fabiano Caruana para decidir o match.
A equipe feminina brasileira enfrentou algumas dificuldades no seu match ante as representantes da IBCA (International Braille Chess Association, que agrupa enxadristas não videntes ou com visão reduzida) porém eventualmente venceu o match, o que é muito importante desde o ponto de vista anímico.

Joara Chaves deu o ponto decisivo no match contra IBCA
Na rodada 7, a equipe absoluta de Brasil enfrenta a na mesa 13 a Letônia, um time com o grande mestre Alexey Shirov na cabeça (ok, longe das suas melhores épocas, mas ainda perigoso). O ex top ten não está sozinho: tem mais três grandes mestres na equipe e um mestre internacional, com elo médio algo inferior ao dos nossos representantes. Por en-quanto, eles somente perderam um match, ante Inglaterra.
Para Brasil, é um match bisagra. Se vence, consolida posições e pode brigar por ingressar no seleto grupo dos vinte primeiros.
A rodada traz também enfrentamentos duros nas primeiras mesas: Azerbaijão - Cuba, República Tcheca - Rússia, Sérvia - China e Bulgária - Holanda. E o duelo rioplatense: Uruguai - Argentina, ambos os times com os mesmos pontos que o Brasil.
O time feminino tem uma boa chance de continuar a sua recuperação e criar uma tendência ascendente, já que enfrenta à equipe de Sri Lanka, pudendo obter uma vitória ampla -o maior elo das integrantes da equipe asiática é de 1777-. A figura dessa equipe, por en-quanto invicta, joga nos tabuleiros 2 ou 3, Y. Methmali (1727 elo). De qualquer jeito, é muita diferencia e um 4x0 não seria uma surpresa, embora elas ainda não perderam por esse placar.
A rodada ainda entrega o clássico dos últimos anos entre China e Rússia, únicas líderes da prova com 12 unidades.

Kim,I (1829) - Mekhitarian,K (2568) 
Tromso NOR (6.2), 08.08.2014

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e6 6.Be2 Be7 7.0–0 0–0 8.Be3 Cc6 9.f4 Bd7 10.Rh1 a6 11.a4 Tc8 


Uma posição popular do esquema Najdorf / Scheveningen. Agora 12.De1 é a opção mais utilizada, enquanto o seguinte lance é claramente prematuro 

12.f5?! Ce5!N 

A casa e5 pedia a gritos ser utilizada. O salto de cavalo de Krikor melhora o antecedente 12...Cxd4 13.Bxd4 Bc6 (Frei - Velkos, Austria 1995) 14.fxe6 fxe6 15.Bc4 com iniciativa branca

13.De1 Cc4 14.Bxc4 Txc4


Com par de bispos e a melhor formação, a posição preta é preferível 

15.b3 Tc8 16.Td1 Cg4 

Também possível é 16...Dc7!?

17.Bc1 

Algo melhor é outra retirada, 17.Bg1 que mantem o bispo na defesa do seu rei; 17...Bh4 18.Dd2 Dg5 com ligeira vantagem preta

17...Bh4! 


O objetivo deste lance é criar fraquezas nas casas brancas, que são as que não contam com um defensor no lado branco

18.g3 

18.De2 Cf2+ 19.Txf2 Bxf2 20.Dxf2 Txc3 é uma das linhas que mostram por que o bispo de casas negras branco está melhor em g1

18...Be7 19.Bb2 Cf6 20.h3? 

Superado estrategicamente, o branco tenta um ataque em massa com os peões da ala de rei, mas seus esforços acabam enfraquecendo ainda mais a sua posição; 20.Ba3 Dc7 com ligeira vantagem preta

20...e5 21.Cf3 b5 (clara vantagem preta) 


Agora todo tem a ver com as casas brancas. As pretas estão indo pelas peças que defendem e4, para abrir a grande diagonal 

22.axb5 axb5 23.Ba3 Txc3! 24.Dxc3 Cxe4 25.De1 Da8 26.Rh2 

26.Bb4 Tc8 27.Ta1 Db7 28.Ta2 Cg5 com ampla vantagem preta

26...Tc8 27.Tc1 Cxg3 28.Dxg3 Dxa3-+ 


Desde um ponto de vista matemático a relação material é aproximadamente igual, porém as pretas contam com muitos elementos no seu favor, com destaque para o rei mais seguro, o forte centro de peões, o par de bispos e a atividade das suas peças pesadas 

29.h4 

29.Ch4 Bf6 30.Cg2 e4–+

29...Bxf5 30.Df2 g6 31.h5 Db4 


32.hxg6 hxg6 33.Tg1 Rg7 34.Tg3 Df4 35.Tf1 Txc2 0–1


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Duas derrotas


Duas derrotas, uma ajustada e outra por amplo margem, foi o saldo da participação brasileira na rodada 5 da Olimpíada; o dia livre de hoje chega no momento justo para recompor forças e tentar um novo começo na sexta feira, quando se realize a sexta rodada.
No torneio absoluto, o duelo entre Indonésia e Brasil foi muito parelho, e durante grande parte do tempo os termômetros -assim se bautizou popularmente ao sistema que mostra a avaliação dos computadores em tempo real- não se mexiam do centro. Infelizmente, no primeiro tabuleiro Rafael Leitão foi derrotado pelo seu colega Susanto Megaranto e o resto da equipe não logrou quebrar o empate.
A derrota pode-se qualificar como inoportuna, porque chega no momento no qual Brasil começava a se recuperar e ganhar posições, e porque a priori Indonésia parecia um rival accessível.
Também dura foi a derrota da equipe feminina brasileira, esta vez ante Uzbequistão e obtendo somente um empate, o de Vanessa Feliciano no tabuleiro 1. A mestre internacional vem obtendo os melhores resultados entre as integrantes do time nacional.
Na próxima rodada (6a feira), Brasil enfrenta no absoluto a Korea do Sul, uma equipe totalmente amadora, e no feminino a IBCA (enxadristas com capacidade visual reduzida). Uma oportunidade de recuperação.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Recuperação

Os grandes mestres Rafael Leitão e Alexandr Fier durante a rodada de hoje
Bela recuperação da equipe absoluta brasileira após a derrota da rodada prévia, ganhando de Nigéria por 4-0 com boa atuação de todos os integrantes.
No tabuleiro 1, o grande mestre Rafael Leitão levou as peças pretas ante  o mestre internacional Buni Olape, apelando a sua favorita Siciliana Taimanov. Talvez procurando um empate no estilo do jogo do dia anterior entre Nakamura e Giri, o africano escolheu a pouco usual 7.a3, porém Leitão variou criando um esquema Scheveningen que mostrou conhecer mais e melhor. Um interessante sacrifício de qualidade lhe deu um poderoso centro e logo o ponto.
No tabuleiro 2 o grande mestre Alexandr Fier fez uso de uma das suas últimas descobertas de abertura -a Trompowsky- para criar uma bonita produção com direito a seus já reconhecidos golpes táticos. Foi quase uma miniatura.
Os representantes de Nigéria ofereceram a maior resistência no tabuleiro 3, onde o grande mestre Krikor Mekhitarian teve que progredir ganhando milímetro após milímetro depois de uma abertura Reti que derivou logo em um cenário de Holandesa. Em certo ponto a posição ainda não era clara, porém um erro no apuro de tempo do condutor das brancas (33.Txc2? em vez de primeiro tomar em f6) deu ao brasileiro o ponto.
O grande mestre Gilberto Milos logrou uma rápida vantagem na Índia de Rei Sämisch da sua partida, que lhe permitiu montar uma forte posição de ataque e ganhar material depois. O resto era questão de técnica, e embora fosse a partida mais longa em número de lances, desde cedo já se percebia que a das pretas era uma causa perdida.

Por sua parte, a equipe feminina brasileira perdeu ante România pelo placar de 3x1. O ponto brasileiro se obteve no primeiro tabuleiro, onde a mestre internacional Vanessa Feliciano obteve uma importante vitória ante a experimentada Cristina Foisor (2404 elo).

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Outra vez Uzbequistão


Uma dura queda da equipe absoluta brasileira ante Uzbequistão, que somente obteve meio ponto (no tabuleiro 1, o empate de Rafael Leitão ante Rustam Kasimdzhanov), repetindo derrota e placar ante o mesmo adversário, que já o tinha vencido em Istambul 2012. O ligeiro favoritismo de elo de Brasil não se traduziu  nos tabuleiros, e ao chegar ao controle de tempo a posição de Fier e Mekhitarian era quase desesperada, enquanto a de El Debs inferior. No tabuleiro 1 o ex-campeão mundial FIDE tinha equilibrado de pretas ante o campeão nacional, sendo justa a divisão do ponto. 
Nesse ponto foi que os ex-URSS começaram a jogar duvidoso, permitindo equilibrar nos tabuleiros de Mekhitarian e El Debs. Se consideramos que antes do controle Fier tinha uma posição sustentável, é certo dizer que com alguma sorte o resultado poderia ter sido outro, ao menos mais ajustado que esse 3,5 x 0,5 que faz lembrar ao Alemanha - Brasil do mundial de futebol (sim, no xadrez também há sorte).
Infelizmente, se desaproveitaram as oportunidades e agora há que remar para recuperar posições. Amanhã Brasil enfrenta Nigéria, um rival acessível nos papéis, porém que acaba de vencer a Nova Zelandia, que estava muito acima deles. Com algum cuidado, a equipe deve trazer os dois pontos do match.
A equipe brasileira feminina, depois da derrota ante Rússia, se recuperou vencendo pela mínima a Luxemburgo (2,5 x 1,5, com três empates e vitória de Juliana Terao). O resultado podia ser maior se Feliciano concretizava a vantagem obtida, porém também pior, se as adversárias de Chaves e Chang continuavam a luta em vez de aceitar empate em posições ganhadoras (!). Amanha, entretanto, o Brasil tem uma dura prova em România, a sexta pré-classificada da competição.

Após duas rodadas, Brasil está entre os líderes


Um começo auspicioso para a equipe absoluta de Brasil na Olimpíada que se celebra na cidade norueguesa de Tromso, envolvendo duas amplas vitórias: 4 x 0 ante Trinidad & Tobago e 3,5 x 0,5 ante Bolívia. A equipe feminina, entretanto, debutou com uma fácil vitória ante Aruba (4 x 0) para depois cair ante a poderosa esquadra russa pelo mesmo placar. Neste último encontro a mestre internacional Vanessa Feliciano (foto) assegurou durante grande parte do jogo a Kateryna Lagno, e até teve alguma chance clara de empate no final, porém infelizmente perdeu a chance. Uma pena porque teria sido merecido esse meio ponto, pela luta feita e pelo fator anímico para o time.
Voltando à equipe absoluta, superou a primeira rodada com certa facilidade, e o mesmo pode ser dito da segunda, com exceção do empate que o grande mestre boliviano Oswaldo Zambrana (levando as peças brancas) arrancou de Rafael Leitão, em um jogo tranquilo iniciado com um esquema Giuoco Pianissimo.
Desse segundo match é a seguinte partida, que mostra um bom esquema branco para combater o gambito Volga / Benko, e também um bom trabalho posicional do grande mestre Felipe El Debs.

El Debs,Felipe (2522)
Monroy,Javier (2150) 
Tromso NOR (2.4), 03.08.2014

1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5 b5 4.cxb5 a6 5.bxa6 Bxa6 6.Cc3 g6 7.e4 Bxf1 8.Rxf1 d6 9.g3 Bg7 10.Rg2 0–0 11.Cf3 Cbd7 12.a4!? 


O lance de moda no nível magistral. Antes uma opção muito secundária, este avanço já se posiciona no terceiro lugar entre as ideias utilizadas na posição, embora ainda longe em número de partidas que as linhas principais 12.Te1 ou 12.h3 

12...Da5 

Também populares são as seguintes opções: 
a) 12...Db6 13.De2 Tfb8 14.Bd2 Ce8 15.Thb1 com leve vantagem branca Nakamura - Bologan, Biel 2012; 
b) 12...Ta6 13.Dc2 Da8 14.Cb5 Tc8 15.Bd2 c4 (Moiseenko - Dubov, Khanty-Mansiysk rapid 2013) 16.Bb4!? com ligeira vantagem branca

13.Bd2 Db4 


As brancas mostram estatísticas muito favoráveis contra esta ideia. No nível magistral se prefere a opção 13...Tfb8 onde 14.Cb5 Dd8 15.Dc2 Ce8 16.Tab1 Cc7 (16...Tc8 17.Thc1 Cb6 18.a5 Cd7 19.Dc4± Mekhitarian - Toth, João Pessoa [Brasil ch] 2013) 17.Cxc7 Dxc7 18.Thc1com ligeira vantagem branca, Laznicka - Jianu, Varsóvia 2013

14.De2 Tfb8 

Um exemplo recente com esta linha é 14...Cg4 15.Thc1 Cge5 16.Cxe5 Cxe5 17.Cd1 Db7 18.a5 com ligeira vantagem branca, Aleksandrov - Volodin, Viljandi 2014

15.Thb1


As brancas obtiveram uma posição semelhante à da Nakamura no exemplo do comentário ao lance 12 das pretas. A dama em b4 está mais ativa, porém também mais exposta, o que justifica a avaliação de ligeira vantagem branca

15...h6N 

15...Db3 16.Ta3 Db4 17.Ce1 Ce5 18.Cd3 é algo melhor para as brancas, como em Wagner - Beradze, Maribor 2012

16.b3 g5!? 

O tipo de lance que acaba enfraquecendo a própria posição. Talvez 16...Db7 embora as brancas estão no mando, continuando entre outras com 17.Ta2 com vantagem para o primeiro jogador

17.h3 Rf8 18.Ta2±


18...Tb7 

18...Db6 19.Cb5± Esta é a formação ideal para as brancas, com todo defendido e nenhuma das peças na diagonal do bispo de casas negras adversário. Na partida, a presencia da dama preta em b4 conspira contra este plano, mas as brancas sempre têm a manobra Ce1–d3(c2) para expulsa-l] 

19.Ce1 Ce5 

19...Da5 20.Cc2±

20.Cc2 Db6 21.Ce3 

O primeiro jogador dispõe de varias possibilidades atraentes aqui; uma delas é 21.b4!? onde 21...cxb4 22.Cxb4 Dc7 23.a5 é estrategicamente ganhador para as brancas

21...Da6 22.Dxa6 Txa6 23.f3 e6

23...h5!? procurando contrajogo oferece melhores chance

24.Tc2 Cd3 25.dxe6 fxe6 26.Cb5  


Com esta formação que elimina qualquer possível ideia ofensiva das pretas na ala de dama, o peão a mais começa a valer 

26...Cd7 

26...d5 27.exd5 Cxd5 28.Rf1±

27.Bc3 

A ideia mais lógica: simplificações ajudam a concretizar a vantagem, e mais esta que elimina a melhor peça menor das pretas 

27...Bxc3 28.Txc3 Cb4 29.Td1 Re7

As pretas estão ante uma penosa tarefa de defesa 

30.Cc4 d5 31.exd5 


31...exd5? 

Entendível procura de contrajogo criando um peão livre, porém também abre linhas que vão ser utilizadas contra seu rei. Era necessária 31...Cxd5 32.Tcd3±

32.Te3+ Rf6 33.Ccd6+- Tbb6 34.Ce8+ Rf7 35.Cec7 d4 36.Cxa6 Txa6 37.Te4 Cf6 38.Te5 Cfd5 39.Tc1!? 

Pragmática, devolvendo material para chegar a um final com dois peões a mais. Objetivamente, as brancas podiam jogar 39.Rf2!? por exemplo 39...Rf6 40.Te4 Cc3 41.Cxc3 dxc3 42.Re3 c2 43.Tc1+-

39...Cd3 40.Txc5 Cxc5 

Melhor que 40...Cxe5 41.Txd5 Cc6 42.Td6+-

41.Txd5 Cxb3 42.Cxd4 


42...Cd2 

42...Cxd4 43.Txd4+-

43.Cf5 Cc4 

43...Re6 44.Txd2 Rxf5 45.Td4+- é outra forma de chegar ao final do comentário prévio. Aqui e naquela linha, as chances pretas são consideradas com um otimismo desmedido pelos computa-dores. Os dois peões a mais devem oferecer uma vitória relativamente simples às brancas

44.Tc5 Cb2 45.a5 

Mais um passo do peão, que cada vez se faz mais perigoso. As pretas estão sem contrajogo real, e a última tentativa acaba em novas perdas materiais 

45...Te6 46.Tc7+ Rf8 47.Cd4 Td6 48.Cb3 Te6 49.Tc2 Cd3 50.Td2 Te3 


51.a6 Ce1+ 52.Rf2 

O resto é simples e podia ser obviado pelo condutor das pretas 

52...Txb3 53.a7 Ta3 54.Td8+ Re7 55.a8D Txa8 56.Txa8 Cd3+ 57.Re3 Ce5 58.Re4 Cg6 59.Rf5 Rf7 60.Ta7+ 1-0

Uma muito boa produção de El Debs.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As chances de Brasil

Parte da delegação brasileira em Amsterdam, esperando o voo a Noruega: Álvaro Aranha (capitão da equipe feminina), Krikor Mekhitarian, Vanessa Feliciano, Felipe El Debs e Rafael Leitão (foto: facebook)
Em um contexto esportivo cada vez mais apertado e parelho, os cinco grandes mestres que representam ao Brasil na categoria absoluta esperam realizar uma tarefa digna, com foco em melhorar a pré-classificação e, quem sabe, se arrimar aos lugares de privilégio.
Na passada olimpíada, os pontos altos da equipe foram Rafael Leitão (uma muito boa atuação no primeiro tabuleiro) e Gilberto Milos. Ambos os mestres chegam com um excelente estado a Tromso: Leitão em uma das suas melhores fases na sua carreira, e Milos depois de ter jogado a bom nível o recente Ibero-americano em Linares (España). Se eles mantem o nível, o Brasil já tem uma grande possibilidade de sucesso. O mesmo acontece se Alexandr Fier se acha inspirado, se Krikor Mekhitarian mantem a tendência positiva dos últimos meses e se Felipe El Debs mostra a sua habitual solidez. Os torneios suíços são uma prova de acaso, e qualquer emparceiramento torcido nas últimas rodadas –como aconteceu na passada olimpíada- pode deixar ao time sob os merecimentos, mas sobra qualidade para sonhar com uma boa atuação.
A equipe feminina apresenta uma mistura entre a experiência de Regina Ribeiro, Joara Chaves e Suzana Chang, mais a força e talento das duas melhores enxadristas brasileiras dos últimos tempos: Vanessa Feliciano e Juliana Terao. Nesta categoria a diferencia entre a equipe brasileira e as que brigam pelo ouro é muito grande, e a expectativa deve estar posta em melhorar a pré-classificação a somar experiência de cara a futuras edições.
Na teoria, as equipes brasileiras enfrentam na primeira rodada a adversários accessíveis: a absoluta a Trinidad e Tobago, enquanto a feminina tem Aruba como adversária. Uma oportunidade para iniciar com bom pé a competição.