terça-feira, 5 de agosto de 2014

Recuperação

Os grandes mestres Rafael Leitão e Alexandr Fier durante a rodada de hoje
Bela recuperação da equipe absoluta brasileira após a derrota da rodada prévia, ganhando de Nigéria por 4-0 com boa atuação de todos os integrantes.
No tabuleiro 1, o grande mestre Rafael Leitão levou as peças pretas ante  o mestre internacional Buni Olape, apelando a sua favorita Siciliana Taimanov. Talvez procurando um empate no estilo do jogo do dia anterior entre Nakamura e Giri, o africano escolheu a pouco usual 7.a3, porém Leitão variou criando um esquema Scheveningen que mostrou conhecer mais e melhor. Um interessante sacrifício de qualidade lhe deu um poderoso centro e logo o ponto.
No tabuleiro 2 o grande mestre Alexandr Fier fez uso de uma das suas últimas descobertas de abertura -a Trompowsky- para criar uma bonita produção com direito a seus já reconhecidos golpes táticos. Foi quase uma miniatura.
Os representantes de Nigéria ofereceram a maior resistência no tabuleiro 3, onde o grande mestre Krikor Mekhitarian teve que progredir ganhando milímetro após milímetro depois de uma abertura Reti que derivou logo em um cenário de Holandesa. Em certo ponto a posição ainda não era clara, porém um erro no apuro de tempo do condutor das brancas (33.Txc2? em vez de primeiro tomar em f6) deu ao brasileiro o ponto.
O grande mestre Gilberto Milos logrou uma rápida vantagem na Índia de Rei Sämisch da sua partida, que lhe permitiu montar uma forte posição de ataque e ganhar material depois. O resto era questão de técnica, e embora fosse a partida mais longa em número de lances, desde cedo já se percebia que a das pretas era uma causa perdida.

Por sua parte, a equipe feminina brasileira perdeu ante România pelo placar de 3x1. O ponto brasileiro se obteve no primeiro tabuleiro, onde a mestre internacional Vanessa Feliciano obteve uma importante vitória ante a experimentada Cristina Foisor (2404 elo).

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Outra vez Uzbequistão


Uma dura queda da equipe absoluta brasileira ante Uzbequistão, que somente obteve meio ponto (no tabuleiro 1, o empate de Rafael Leitão ante Rustam Kasimdzhanov), repetindo derrota e placar ante o mesmo adversário, que já o tinha vencido em Istambul 2012. O ligeiro favoritismo de elo de Brasil não se traduziu  nos tabuleiros, e ao chegar ao controle de tempo a posição de Fier e Mekhitarian era quase desesperada, enquanto a de El Debs inferior. No tabuleiro 1 o ex-campeão mundial FIDE tinha equilibrado de pretas ante o campeão nacional, sendo justa a divisão do ponto. 
Nesse ponto foi que os ex-URSS começaram a jogar duvidoso, permitindo equilibrar nos tabuleiros de Mekhitarian e El Debs. Se consideramos que antes do controle Fier tinha uma posição sustentável, é certo dizer que com alguma sorte o resultado poderia ter sido outro, ao menos mais ajustado que esse 3,5 x 0,5 que faz lembrar ao Alemanha - Brasil do mundial de futebol (sim, no xadrez também há sorte).
Infelizmente, se desaproveitaram as oportunidades e agora há que remar para recuperar posições. Amanhã Brasil enfrenta Nigéria, um rival acessível nos papéis, porém que acaba de vencer a Nova Zelandia, que estava muito acima deles. Com algum cuidado, a equipe deve trazer os dois pontos do match.
A equipe brasileira feminina, depois da derrota ante Rússia, se recuperou vencendo pela mínima a Luxemburgo (2,5 x 1,5, com três empates e vitória de Juliana Terao). O resultado podia ser maior se Feliciano concretizava a vantagem obtida, porém também pior, se as adversárias de Chaves e Chang continuavam a luta em vez de aceitar empate em posições ganhadoras (!). Amanha, entretanto, o Brasil tem uma dura prova em România, a sexta pré-classificada da competição.

Após duas rodadas, Brasil está entre os líderes


Um começo auspicioso para a equipe absoluta de Brasil na Olimpíada que se celebra na cidade norueguesa de Tromso, envolvendo duas amplas vitórias: 4 x 0 ante Trinidad & Tobago e 3,5 x 0,5 ante Bolívia. A equipe feminina, entretanto, debutou com uma fácil vitória ante Aruba (4 x 0) para depois cair ante a poderosa esquadra russa pelo mesmo placar. Neste último encontro a mestre internacional Vanessa Feliciano (foto) assegurou durante grande parte do jogo a Kateryna Lagno, e até teve alguma chance clara de empate no final, porém infelizmente perdeu a chance. Uma pena porque teria sido merecido esse meio ponto, pela luta feita e pelo fator anímico para o time.
Voltando à equipe absoluta, superou a primeira rodada com certa facilidade, e o mesmo pode ser dito da segunda, com exceção do empate que o grande mestre boliviano Oswaldo Zambrana (levando as peças brancas) arrancou de Rafael Leitão, em um jogo tranquilo iniciado com um esquema Giuoco Pianissimo.
Desse segundo match é a seguinte partida, que mostra um bom esquema branco para combater o gambito Volga / Benko, e também um bom trabalho posicional do grande mestre Felipe El Debs.

El Debs,Felipe (2522)
Monroy,Javier (2150) 
Tromso NOR (2.4), 03.08.2014

1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5 b5 4.cxb5 a6 5.bxa6 Bxa6 6.Cc3 g6 7.e4 Bxf1 8.Rxf1 d6 9.g3 Bg7 10.Rg2 0–0 11.Cf3 Cbd7 12.a4!? 


O lance de moda no nível magistral. Antes uma opção muito secundária, este avanço já se posiciona no terceiro lugar entre as ideias utilizadas na posição, embora ainda longe em número de partidas que as linhas principais 12.Te1 ou 12.h3 

12...Da5 

Também populares são as seguintes opções: 
a) 12...Db6 13.De2 Tfb8 14.Bd2 Ce8 15.Thb1 com leve vantagem branca Nakamura - Bologan, Biel 2012; 
b) 12...Ta6 13.Dc2 Da8 14.Cb5 Tc8 15.Bd2 c4 (Moiseenko - Dubov, Khanty-Mansiysk rapid 2013) 16.Bb4!? com ligeira vantagem branca

13.Bd2 Db4 


As brancas mostram estatísticas muito favoráveis contra esta ideia. No nível magistral se prefere a opção 13...Tfb8 onde 14.Cb5 Dd8 15.Dc2 Ce8 16.Tab1 Cc7 (16...Tc8 17.Thc1 Cb6 18.a5 Cd7 19.Dc4± Mekhitarian - Toth, João Pessoa [Brasil ch] 2013) 17.Cxc7 Dxc7 18.Thc1com ligeira vantagem branca, Laznicka - Jianu, Varsóvia 2013

14.De2 Tfb8 

Um exemplo recente com esta linha é 14...Cg4 15.Thc1 Cge5 16.Cxe5 Cxe5 17.Cd1 Db7 18.a5 com ligeira vantagem branca, Aleksandrov - Volodin, Viljandi 2014

15.Thb1


As brancas obtiveram uma posição semelhante à da Nakamura no exemplo do comentário ao lance 12 das pretas. A dama em b4 está mais ativa, porém também mais exposta, o que justifica a avaliação de ligeira vantagem branca

15...h6N 

15...Db3 16.Ta3 Db4 17.Ce1 Ce5 18.Cd3 é algo melhor para as brancas, como em Wagner - Beradze, Maribor 2012

16.b3 g5!? 

O tipo de lance que acaba enfraquecendo a própria posição. Talvez 16...Db7 embora as brancas estão no mando, continuando entre outras com 17.Ta2 com vantagem para o primeiro jogador

17.h3 Rf8 18.Ta2±


18...Tb7 

18...Db6 19.Cb5± Esta é a formação ideal para as brancas, com todo defendido e nenhuma das peças na diagonal do bispo de casas negras adversário. Na partida, a presencia da dama preta em b4 conspira contra este plano, mas as brancas sempre têm a manobra Ce1–d3(c2) para expulsa-l] 

19.Ce1 Ce5 

19...Da5 20.Cc2±

20.Cc2 Db6 21.Ce3 

O primeiro jogador dispõe de varias possibilidades atraentes aqui; uma delas é 21.b4!? onde 21...cxb4 22.Cxb4 Dc7 23.a5 é estrategicamente ganhador para as brancas

21...Da6 22.Dxa6 Txa6 23.f3 e6

23...h5!? procurando contrajogo oferece melhores chance

24.Tc2 Cd3 25.dxe6 fxe6 26.Cb5  


Com esta formação que elimina qualquer possível ideia ofensiva das pretas na ala de dama, o peão a mais começa a valer 

26...Cd7 

26...d5 27.exd5 Cxd5 28.Rf1±

27.Bc3 

A ideia mais lógica: simplificações ajudam a concretizar a vantagem, e mais esta que elimina a melhor peça menor das pretas 

27...Bxc3 28.Txc3 Cb4 29.Td1 Re7

As pretas estão ante uma penosa tarefa de defesa 

30.Cc4 d5 31.exd5 


31...exd5? 

Entendível procura de contrajogo criando um peão livre, porém também abre linhas que vão ser utilizadas contra seu rei. Era necessária 31...Cxd5 32.Tcd3±

32.Te3+ Rf6 33.Ccd6+- Tbb6 34.Ce8+ Rf7 35.Cec7 d4 36.Cxa6 Txa6 37.Te4 Cf6 38.Te5 Cfd5 39.Tc1!? 

Pragmática, devolvendo material para chegar a um final com dois peões a mais. Objetivamente, as brancas podiam jogar 39.Rf2!? por exemplo 39...Rf6 40.Te4 Cc3 41.Cxc3 dxc3 42.Re3 c2 43.Tc1+-

39...Cd3 40.Txc5 Cxc5 

Melhor que 40...Cxe5 41.Txd5 Cc6 42.Td6+-

41.Txd5 Cxb3 42.Cxd4 


42...Cd2 

42...Cxd4 43.Txd4+-

43.Cf5 Cc4 

43...Re6 44.Txd2 Rxf5 45.Td4+- é outra forma de chegar ao final do comentário prévio. Aqui e naquela linha, as chances pretas são consideradas com um otimismo desmedido pelos computa-dores. Os dois peões a mais devem oferecer uma vitória relativamente simples às brancas

44.Tc5 Cb2 45.a5 

Mais um passo do peão, que cada vez se faz mais perigoso. As pretas estão sem contrajogo real, e a última tentativa acaba em novas perdas materiais 

45...Te6 46.Tc7+ Rf8 47.Cd4 Td6 48.Cb3 Te6 49.Tc2 Cd3 50.Td2 Te3 


51.a6 Ce1+ 52.Rf2 

O resto é simples e podia ser obviado pelo condutor das pretas 

52...Txb3 53.a7 Ta3 54.Td8+ Re7 55.a8D Txa8 56.Txa8 Cd3+ 57.Re3 Ce5 58.Re4 Cg6 59.Rf5 Rf7 60.Ta7+ 1-0

Uma muito boa produção de El Debs.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As chances de Brasil

Parte da delegação brasileira em Amsterdam, esperando o voo a Noruega: Álvaro Aranha (capitão da equipe feminina), Krikor Mekhitarian, Vanessa Feliciano, Felipe El Debs e Rafael Leitão (foto: facebook)
Em um contexto esportivo cada vez mais apertado e parelho, os cinco grandes mestres que representam ao Brasil na categoria absoluta esperam realizar uma tarefa digna, com foco em melhorar a pré-classificação e, quem sabe, se arrimar aos lugares de privilégio.
Na passada olimpíada, os pontos altos da equipe foram Rafael Leitão (uma muito boa atuação no primeiro tabuleiro) e Gilberto Milos. Ambos os mestres chegam com um excelente estado a Tromso: Leitão em uma das suas melhores fases na sua carreira, e Milos depois de ter jogado a bom nível o recente Ibero-americano em Linares (España). Se eles mantem o nível, o Brasil já tem uma grande possibilidade de sucesso. O mesmo acontece se Alexandr Fier se acha inspirado, se Krikor Mekhitarian mantem a tendência positiva dos últimos meses e se Felipe El Debs mostra a sua habitual solidez. Os torneios suíços são uma prova de acaso, e qualquer emparceiramento torcido nas últimas rodadas –como aconteceu na passada olimpíada- pode deixar ao time sob os merecimentos, mas sobra qualidade para sonhar com uma boa atuação.
A equipe feminina apresenta uma mistura entre a experiência de Regina Ribeiro, Joara Chaves e Suzana Chang, mais a força e talento das duas melhores enxadristas brasileiras dos últimos tempos: Vanessa Feliciano e Juliana Terao. Nesta categoria a diferencia entre a equipe brasileira e as que brigam pelo ouro é muito grande, e a expectativa deve estar posta em melhorar a pré-classificação a somar experiência de cara a futuras edições.
Na teoria, as equipes brasileiras enfrentam na primeira rodada a adversários accessíveis: a absoluta a Trinidad e Tobago, enquanto a feminina tem Aruba como adversária. Uma oportunidade para iniciar com bom pé a competição.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A hora das sessenta e quatro casas

O campeão Magnus Carlsen na sua chegada á cidade sede da Olimpíada
Depois de sediar a Copa do Mundo –uma monumental prova envolvendo a alguns dos melhores enxadristas do mundo em torneio por eliminatórias, classificando para o torneio de Candidatos que a sua vez determina o desafiante do campeão mundial-, a cidade norueguesa de Tromso recebe a 41ª edição da Olimpíada, entre os dias 1 e 14 de agosto, com uma grande participação (178 equipes no torneio absoluto e 139 no feminino) e muita expectativa de observar um xadrez de alto voo, considerando algumas das figuras presentes.
No entanto, a competição teve um começo com polêmicas, envolvendo primeiro falta de verba que fez perigar a própria realização da festa, e logo as discussões envolvendo a inscrição de algumas equipes que foram rejeitadas por não entrar na data limite, entre elas a da equipe feminina de Rússia, o que provocou protestos que finalizaram com a reconsideração da medida. Agora todo isso ficou trás, e a hora das sessenta e quatro casas chegou. Mas as polêmicas prometem continuar, desde que na agenda da festa olímpica está incluída a realização do 85º congresso da FIDE que determinará, entre outras questões, se o atual presidente da entidade, Kirsan Ilyumzhinov, segue no seu posto. A eleição o coloca enfrentando ao ex-campeão mundial Garri Kasparov, uma lenda do xadrez que venceu todo quanto se podia ganhar nos anos oitenta e noventa nos tabuleiros, porém que politicamente se mostra polêmico e organizativamente não tem a mesma altura.
Talvez igual de emocionante, porém no marco estritamente esportivo, promete ser a briga pelas medalhas dentro do tabuleiro. Na categoria absoluta há claros favoritos nas equipes de Rússia (que tenta acabar com a sequia das últimas edições com um time composto por Karjakin, Kramnik, Grischuk, Svidler e Nepomniachtchi), Armênia (ganharam ouro em três das últimas quatro olimpíadas, com o número 2 do rating fide Levon Aronian na cabeça), Ucrânia, França (chega com a sua melhor equipe de todos os tempos) e os Estados Unidos. Possíveis surpresas? China, que se vem superando em cada edição e mostra um crescimento acelerado no domínio do jogo ciência. E quer ser outra Noruega, que chega entonada com o campeão mundial Magnus Carlsen no primeiro tabuleiro. Brasil, entretanto, aparece na 30ª colocação na prévia, com um time formado por Rafael Leitão, Gilberto Milos, Krikor Mekhitarian, Alexandr Fier e Felipe El Debs.

Já no feminino, as suspeitas de sempre: China, Rússia, Ucrânia e Geórgia são firmes candidatas às medalhas. O resto acompanha, e tenta dar zebra. Tomara que uma delas (para bem) fosse dada pelo Brasil, 50ª favorita e integrada por Vanessa Feliciano, Juliana Terao, Joara Chaves, Regina Ribeiro e Suzana Chang.

domingo, 20 de julho de 2014

Jogo comentado: Adams - Baramidze, Dortmund 2014


Adams,Michael (2743)
Baramidze,David (2616)
Dortmund GER (7.4), 20.07.2014


1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 d6 8.c3 0–0 9.h3 Cb8 


A variante Breyer, sem ser imensamente popular, tem seus momentos, associada ao seu uso por parte de fortes jogadores como Spassky no seu tempo ou, mais recentemente, Carlsen

10.d4 Cbd7 11.Cbd2 Bb7 12.Bc2 Te8 13.Cf1 Bf8 14.Cg3 g6 15.a4 c5 16.d5 c4 17.Bg5 h6 18.Be3 Cc5 


A linha principal. Entretanto, 18...Dc7 (Kokarev - Khismatullin, São Petersburgo 2013) é aqui uma opção popular

19.Dd2 h5 20.Bxc5!? 

Adams se desvia da continuação mais empregada, 20.Bg5 onde a linha mais usual segue com 20...Be7 21.Ta3 Cfd7 (Adams - T. Kosintseva, Gibraltar 2011)

20...dxc5 21.Teb1!?N 


Uma nova ideia, com certeza parte da preparação caseira do grande mestre inglês. Se conheciam as seguintes opções: a) 21.Bd1 Tb8 22.De3 Rh7 23.Cf1 Dc7 24.Cg5+ Rg8 25.Be2 Grischuk - Kamsky, Nalchik 2009; b) 21.Cf1 Cd7 22.De3 Cb6 23.C1d2 Cc8 24.g4 hxg4 25.hxg4 Dd7 26.Ch2 Cd6 27.g5 Nijboer - Zherebukh, Haarlem 2012

21...Cd7 22.b3 

O plano é romper na ala de dama 

22...Cb6 

A alternativa é 22...cxb3!? 23.Txb3 b4 24.a5 com ligeira vantagem branca

23.De2 


A estrutura branca é superior, com o peão livre em d5 como principal motivo de orgulho 

23...cxb3 24.Bxb3 c4 25.Bd1 Bc8?! 

Uma rara ideia. Melhor é 25...Dc7 26.Db2 Teb8 com ligeira vantagem branca; e também se pode considerar 25...h4!? 26.Cf1 Bxd5 onde o primeiro jogador mantem uma leve vantagem com 27.exd5 e4 (ou 27...Cxd5 28.Dc2 e4 29.C3d2) 28.axb5 Cxd5 29.Txa6

26.axb5 a5 27.Cd2± 


As brancas conquistaram um novo e incômodo peão livre, enquanto o criado pelas pretas é visivelmente de menor qualidade 

27...Dc7 28.Cgf1 Bd7 29.Ce3 Tec8 30.Df3 a4 

30...Dc5!? 31.Ta2 Bh6 32.Be2 Bxe3 33.fxe3±

31.Be2 Ta5? 

31...Bh6 32.Df6 Tab8 33.Cf3±

32.Cdxc4 Cxc4 33.Bxc4+- 


Material a mais e melhor posição para as brancas. É match point, e Adams o concretiza de uma bela forma 

33...Be8 34.b6 Dd6 35.Bd3 Tac5 36.Bc2 Txc3 37.Bxa4 Bxa4 38.b7 Tb8 39.Txa4 Dc7 40.Ta7 Rg7 41.Rh2 Be7 42.Ta8! Txb7 43.Cf5+!


Se 43...Rh7 44.Txb7 ganha, e se 43...gxf5 então 44.Dh5 conduz a um rápido mate. Uma boa produção de Adams 1–0


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Jogo comentado: Gunina - Dzagnidze, Plovdiv 2014

A nossa publicação Xadrez Diário (enviada diariamente para assinantes) está perto de alcançar 1600 edições, um esforço que acreditamos ser inédito na história brasileira. Interessados em conhecer mais deste serviço, visitem o link seguinte:
A seguinte partida foi publicada na edição 1592, correspondente ao dia 13 de julho de 2014

Gunina,Valentina (2501)
Dzagnidze,Nana (2541) 
Plovdiv BUL (6.1), 11.07.2014

A russa Valentina Gunina é a única líder após seis rodadas no campeonato feminino da Europa que se realiza na cidade búlgara de Plovdiv. O logro se sustentou pela seguinte partida 

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.Dc2 0–0 5.a3 Bxc3+ 6.Dxc3 b6 7.Bg5 Bb7


Historicamente, esta posição é o principal cenário desta clássica variante da Nimzoindia. As brancas dispõem aqui de diversos planos, sendo o escolhido por Gunina uma especialidade do grande mestre russo Aleksey Dreev, com base em uma ideia semelhante do seu colega bósnio Ivan Sokolov 

8.e3 d6 9.Cf3 Cbd7 10.Cd2 Tc8 

Uma ideia popular: as pretas preparam ...c5 e no caso de captura nesse ponto elas retomam com a torre. Também possível -e uma recente incorporação á teoria- é a direta 10...c5 por exemplo 11.dxc5 bxc5 12.Bd3 h6 13.Bh4 Db6 14.f3 a5 15.0–0 a4 com chances para os dois lados, Dreev - Mareco, Indonesia 2013

11.Bd3 

Este lance e 11.b4 são as modernas preferências sobre a anteriormente jogada 11.f3. Aqui as brancas consideram que não precisam cuidar do peão g2: a sua captura leva a interessante com-pensação pelas possibilidades que ofereceria a coluna g aberta 

11...c5 12.0–0 cxd4 13.Dxd4!?N 


A tomada com dama pretende realizar pressão sobre d6 ao tempo que olha a possível passagem à ala de rei. Com antecedência, as pretas tinham empregado a alternativa 13.exd4 onde 13...b5 14.b3 Dc7 15.Tfc1 bxc4 16.bxc4 h6 17.Bh4 e5 (17...Cd5!?) 18.Bf5 Tb8?! (18...Ch5 leva a jogo aproximadamente equilibrado) 19.c5! é algo melhor para as brancas, como em Dreev - Korotylev, Moscou 2013

13...Tc5 

As pretas têm alternativas como 13...De7!? porém Dzagnidze procura atividade

14.f4 h6 15.Bh4 e5!? 


O sacrifício de peão não é ruim, mas deve ser bem continuado. A segunda jogadora tinha outras possibilidades, que vão desde as sólidas 15...De7 ou 15...Dc7 até a mais aventureira 15...Th5!? onde 16.Bg3 De7 17.Be2 e5 oferece chances aos dois lados

16.Dxd6 exf4 

16...Tc6 é outra possível ordem, com a continuação 17.Db4 exf4 18.exf4 levando ao seguinte comentário

17.exf4 


17...Da8?! 

17...Tc6! 18.Db4 Cc5 com compensação, por exemplo 19.Bc2 Td6 20.Cf3 Cd3 21.Bxd3 Txd3

18.Cf3 Td8 

Uma interessante possibilidade é 18...Bd5!? com a ideia 19.cxd5 Txd5 20.Db4 Txd3 =, porém as brancas podem jogar 19.Tac1! com ligeira vantagem

19.Tad1 Bxf3 20.gxf3!? 


Assumindo uma bizarra formação de peões. 20.Txf3 é também possível, e se 20...Ce5 então 21.fxe5 Txd6 22.exd6 Cd7 23.Bg3 com leve vantagem branca

20...Te8?! 

Mais uma imprecisão. Aqui era melhor 20...Tcc8 com as brancas mantendo uma ligeira vantagem mediante 21.Db4

21.b4 Th5 22.Bg3± 


As brancas levam a melhor parte com uma soma de elementos que funcionam no seu favor: par de bispos, peças melhor coordenadas, maioria de peões ativa na ala de dama 

22...Cf8 23.f5! C8h7 24.c5 Td8? 

Esta ideia natural perde de imediato. Era necessária 24...bxc5 embora 25.bxc5 Cg5 26.c6± é claramente melhor para a primeira jogadora

25.Be4!+- 


A simplificação que segue facilita a tarefa branca, restando possíveis adversários ao peão c, candidato firme a ser livre 

25...Txd6 26.Bxa8 Txd1 27.Txd1 bxc5 28.bxc5 Txf5 29.c6 Cd5 30.c7 Cxc7 31.Td8+ 1–0