sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Gymnasiade 2013 em Brasília

A  15ª edição dos Jogos Mundiais Escolares, a Gymnasiade, se realiza nestes dias em Brasília. Considerado o maior evento escolar do mundo, a edição deste ano conta com 1.700 participantes de 35 países. As disputas ocorrerão entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro em  oito modalidades: atletismo, ginásticas aeróbica, artística e rítmica, natação, judô, karatê e xadrez.
A modalidade de xadrez conta com sete participantes no torneio absoluto e cinco no feminino, se realizando torneios pelo sistema round robin.
O presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, grande mestre Darcy Lima, é o diretor da prova. O árbitro internacional Elcio Mourão dirige na parte técnica, secundado pelo árbitro FIDE Ernesto Guevara, e o mestre internacional Luis Rodi.
Algumas fotos da primeira rodada:


A delegação brasileira: Arthur Chiari, Ramyres Coelho, Fernanda Rodrigues e Johan Marques


Mesa 1 no torneio absoluto: os armênios Tigran Harutyunian e Manuel Petrosian


Mesa 2 no torneio absoluto: O brasileiro Johan Marques leva brancas ante o dominicano Jose Perez Feliz


O primeiro jogo em acabar foi o empate entre os portugueses Luis Ferreira e João Vicente


Mesa 1 do torneio feminino: Inês Mendes (Portugal) enfrentando Ramyres Coelho (Brasil) 


Mesa 2 do torneio feminino: Fernanda Rodrigues (Brasil) leva brancas ante Mariana da Silva (Portugal)


A prova concita uma boa atenção da mídia

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Carlsen foi coroado campeão


A cerimônia de fechamento do match pelo título mundial -que acabou com Magnus Carlsen como novo campeão- teve lugar ontem nessa cidade indiana.
Na oportunidade, o número 1 do ranking mundial foi oficialmente consagrado campeão mundial. 
Carlsen recebeu um trofeio dorado, o cheque do prêmio e a coroa de lauréis de parte do presidente da FIDE, Kirsan Ilyumzhinov, e a chefa de ministros de  Tamil Nadu, J. Jayalalithaa.
Jayalalithaa apresentou cheques simbólicos aos dois protagonistas do duelo, após o qual entregou a coroa de lauréis (coletados nas montanhas de Nigris, na mesma região de  Tamil Nadu) ao presidente da FIDE, que a sua vez as colocou no vencedor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Carlsen campeão mundial!!


Talvez o comentário mais repetido nestes dias seja aquele que anuncia uma nova era no xadrez. A vitória de Magnus Carlsen no match, certamente, a configura, porém não somente pelo que significa o fato do norueguês ter-se convertido em campeão mundial, mas também porque é o emergente de uma nova geração de enxadristas, que diferente dos seus predecessores chegam á maturidade enxadrística muito mais novos, utilizam os recursos do computador como nunca antes e jogam um xadrez mais pragmático, não dependente das aberturas. Está Carlsen, certo, como seu máximo exponente, mas também estrelas como Karjakin, Caruana, Aronian ou Nakamura. A velha guarda do xadrez, representada nesta oportunidade por um cansado Anand (dias trás mencionamos que este duelo se assemelhava muito ao Lasker - Capablanca de 1921, fato depois mencionado por Nigel Short) parece ter entregado o mando a essa nova geração de fortes mestres. E se bem que não há nada definitivo (alguns representantes dessa geração, como Kramnik, ainda apresentam batalha e são sérios candidatos a se constituir nos próximos desafiantes do novo campeão), o primeiro passo foi dado.
Magnus Carlsen é um grande campeão que pode fazer muito -sobretudo pela sua juventude- para oferecer ao mundo uma imagem diferente do xadrez e que pode levar a populariza-lo mais no ocidente. 
O seu approach neste match foi muito prática, tendo seu ponto forte no aproveitamento das imprecisões que nos últimos tempos o jogo do agora ex-campeão mundial vinha mostrando. Porém, como ele mesmo mencionou após finalizado o match: «quero acreditar que tive alguma responsabilidade nos erros cometidos por Anand; eu simplesmente jogo e meus adversários se quebram sob a minha pressão, ainda em campeonatos mundiais».

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Carlsen, a um passo do título após nova vitória


Por longe, a nona partida do match foi a mais interessante. Necessitado da vitória, Anand empregou pela primeira vez no duelo uma linha agressiva -a variante Sämisch da Nimzoindia- e a posição logo assumiu um caráter complexo, com o campeão sacrificando elementos posicionais para obter fatores dinâmicos em compensação (a melhor formação de peões das pretas contra a superior atividade das peças brancas). Para a saída da abertura, a posição das brancas impressionava melhor.
Enquanto o mestre indiano tentava elaborar a sua iniciativa na ala de rei me-diante o avanço dos peões tradicional nesta linha, Carlsen realizava seu contrajogo no setor oposto, A posição crítica do jogo aconteceu depois do lance 19 das pretas (19...b4), quando os especialistas recomendam, em vez da abertura do setor com 20.axb4, a mais sutil 20.a4.
De acordo ao ex campeão mundial Garri Kasparov, possivelmente Anand tinha avaliado que a sua posição seria muito boa na linha utilizada no jogo, mas quando as pretas jogaram 22...b3 o campeão pode ter realizado que o cenário não era finalmente tão bom quanto prometia, e por isso «durante o longo tempo de pensamento que antecedeu ao lance Df4 podia se ver que ele estava desconfortável».
«Anand sabia -continuou Kasparov- que tinha boa posição e que algo devia ser feito, porém enquanto não aparecia um caminho forçado á vitória a sua confianza começou decair, a concentração  falhou e finalmente se produz o erro».
Na posição final, as tentativas de dar mate do condutor das brancas não dão certo devido á precisa colocação da dama extra das pretas, preparada para se entregar pela torre branca.
Agora Carlsen necessita somente meio ponto (nos três jogos que restam) para se proclamar como campeão mundial. Um sucesso que, tendo em conta a for-ma de ambos os mestres durante o match, parece provável de acontecer sem completar os jogos previstos no cronograma.

O jogo 9

Anand,Viswanathan (2775) - Carlsen,Magnus (2870) 
WCh 2013 Chennai IND (9), 21.11.2013

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.f3 d5 5.a3 Bxc3+ 6.bxc3 c5 7.cxd5 exd5 8.e3 c4 


9.Ce2 Cc6 10.g4 0–0 11.Bg2 Ca5 12.0–0 Cb3 13.Ta2 b5 14.Cg3 a5 


15.g5 Ce8 16.e4 Cxc1 17.Dxc1 Ta6 18.e5 Cc7 19.f4 b4 


20.axb4 axb4 21.Txa6 Cxa6 22.f5 b3 23.Df4 Cc7 24.f6 g6 25.Dh4 Ce8 26.Dh6 b2 


27.Tf4 b1D+ 28.Cf1 De1 0–1

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um trâmite

 
A oitava partida do match pelo título mundial que se realiza em Chennai (Índia) entregou outro empate tranquilo: Anand não se sente preparado ainda para queimar as naves -se especula que isso pode acontecer nos seguintes dois jogos- e para Carlsen cada meio ponto o acerca ao objetivo.
O norueguês voltou variar de abertura, escolhendo nesta oportunidade abrir com peão rei. Possivelmente o campeão não se decidiu pela Siciliana para não enfrentar algum dos esquemas fechados -como a variante Moscou, 3.Bb5+- que o desafiante costuma empregar e que levariam a uma luta muito seca. Mas a sua escolha não foi, desde o ponto de vista esportivo, muito melhor: a Ruy Lopez Berlinense -adotada também por Carlsen nos seus jogos de pretas- é muito sólida e qualquer desequilíbrio é difícil de obter, ainda mais neste nível.  
Como esperado, Magnus escolheu um esquema tranquilo, e logo o jogo não foi mais que um trâmite rumo a partidas mais decisivas, com anunciadas manobras de simplificação e nenhuma chance de desequilíbrio.
Vale destacar que para seus primeiros vinte lances, o mestre norueguês empregou somente dez minutos ("com a linha escolhida não havia muito no que pensar; em jogos abertos não há necessidade de longos pensamentos" declarou depois da partida), enquanto Anand tinha investido aproximadamente uma hora tentando alguma ideia de iniciativa -em vão-.
Amanha é dia livre; o match continua no dia 21 com o nono jogo, onde Anand conduzirá as peças brancas.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um empate que serve aos dois

 
Neste nível, é prática habitual que depois de uma derrota dura se procure restabelecer a confiança quebrando a má série. É o que fez Anand na sétima partida, onde após uma nova incursão no território da Ruy Lopez Berlinense obteve a mais mínima das vantagens porém não alcançou a concretizar, se contentando com a repetição de lances. Para Carlsen, entretanto, o resultado é positivo: com dois pontos a mais no placar, este empate levando as peças pretas lhe permite manter a diferencia enquanto anula uma das três partidas onde o adversário leva as peças brancas nesta segunda parte do match. O mestre norueguês precisa agora de dois pontos para ganhar o título mundial, e pelo mostrado até aqui se trata de um objetivo bem provável.
Amanha (desde as 07.30 horas de Brasil) tem lugar a oitava partida do match, com o desafiante levando as peças brancas. Voltará Carlsen aos esquemas ultra posicionais que surgem de 1.Cf3 ou tentará quebrar a última resistência do campeão utilizando uma abertura mais ambiciosa?


Anand precisa uma milagre

 
Cumprida a primeira metade dos jogos estabelecidos, o desafiante Magnus Carlsen tem uma vantagem amplia no placar, que o deixa perto do título mundial, sobretudo pelo efeito demolidor que parecem ter as duas vitórias consecutivas obtidas nas partidas 5 e 6.
As duas derrotas do campeão seguiram um mesmo cronograma: um meio jogo complexo, porém equilibrado, manobras demasiado originais, o ingresso a um final difícil porém defensável, a entrega de um peão tentando contrajogo, imprecisões na defesa e posterior queda.
Pode-se dizer que Anand está perdendo pelos seus próprios pecados, porém isso seria somente uma parte da verdade: a outra, também importante, é que Carlsen não somente está jogando o match livre de erros graves, mas também pressiona de forma sutil nas posições onde o equilíbrio pode ser quebrado.
Em certa forma, como o jornal indiano The Indian Express reconhece na sua última edição (16.11.2013), é o inicio de uma nova era no xadrez, e não pela diferencia de idades (que mestres como Nakamura consideram decisiva), mas sim pelo procedimento: a importância da preparação nas aberturas fica relegada e o estudo concreto das possibilidades nas seguintes fases começa ser o fator predominante.
Em qualquer caso, a frase elaborada pelo ex-campeão mundial Garri Kasparov dias trás («temos um match onde um dos mestres joga sem aberturas e o outro sem final») ganha uma dimensão certa, com o adicional que jogar sem final parece ser bem mais fatal que jogar sem abertura.
No entanto, os conhecimentos do final de Anand não são inferiores aos de qualquer outro dos mestres da elite, e o belo exagero de Kasparov se acha bem limitado dentro do nível magistral mais alto. Pode, simplesmente, que Nakamura e outros novos valores tenham parte de razão e que o cansaço tome conta em determinada hora do campeão; pode ser uma má racha -todos têm dias ruins- e também pode acontecer que simplesmente seja a hora de Carlsen e que todos os fatores previamente citados se potenciem nesta fase da suas vidas.
A situação é semelhante desde o ponto de vista psicológico à acontecida no match entre Lasker e Capablanca, quando o então campeão abandonou o encontro antes do final. Se neste ponto Anand não acredita nas suas próprias forças, o match está acabado.
O campeão tem hoje, quando leve as peças brancas na sétima partida, a difícil tarefa de se recuperar. A margem de erro vai ficando muito pequena.