terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um trâmite

 
A oitava partida do match pelo título mundial que se realiza em Chennai (Índia) entregou outro empate tranquilo: Anand não se sente preparado ainda para queimar as naves -se especula que isso pode acontecer nos seguintes dois jogos- e para Carlsen cada meio ponto o acerca ao objetivo.
O norueguês voltou variar de abertura, escolhendo nesta oportunidade abrir com peão rei. Possivelmente o campeão não se decidiu pela Siciliana para não enfrentar algum dos esquemas fechados -como a variante Moscou, 3.Bb5+- que o desafiante costuma empregar e que levariam a uma luta muito seca. Mas a sua escolha não foi, desde o ponto de vista esportivo, muito melhor: a Ruy Lopez Berlinense -adotada também por Carlsen nos seus jogos de pretas- é muito sólida e qualquer desequilíbrio é difícil de obter, ainda mais neste nível.  
Como esperado, Magnus escolheu um esquema tranquilo, e logo o jogo não foi mais que um trâmite rumo a partidas mais decisivas, com anunciadas manobras de simplificação e nenhuma chance de desequilíbrio.
Vale destacar que para seus primeiros vinte lances, o mestre norueguês empregou somente dez minutos ("com a linha escolhida não havia muito no que pensar; em jogos abertos não há necessidade de longos pensamentos" declarou depois da partida), enquanto Anand tinha investido aproximadamente uma hora tentando alguma ideia de iniciativa -em vão-.
Amanha é dia livre; o match continua no dia 21 com o nono jogo, onde Anand conduzirá as peças brancas.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um empate que serve aos dois

 
Neste nível, é prática habitual que depois de uma derrota dura se procure restabelecer a confiança quebrando a má série. É o que fez Anand na sétima partida, onde após uma nova incursão no território da Ruy Lopez Berlinense obteve a mais mínima das vantagens porém não alcançou a concretizar, se contentando com a repetição de lances. Para Carlsen, entretanto, o resultado é positivo: com dois pontos a mais no placar, este empate levando as peças pretas lhe permite manter a diferencia enquanto anula uma das três partidas onde o adversário leva as peças brancas nesta segunda parte do match. O mestre norueguês precisa agora de dois pontos para ganhar o título mundial, e pelo mostrado até aqui se trata de um objetivo bem provável.
Amanha (desde as 07.30 horas de Brasil) tem lugar a oitava partida do match, com o desafiante levando as peças brancas. Voltará Carlsen aos esquemas ultra posicionais que surgem de 1.Cf3 ou tentará quebrar a última resistência do campeão utilizando uma abertura mais ambiciosa?


Anand precisa uma milagre

 
Cumprida a primeira metade dos jogos estabelecidos, o desafiante Magnus Carlsen tem uma vantagem amplia no placar, que o deixa perto do título mundial, sobretudo pelo efeito demolidor que parecem ter as duas vitórias consecutivas obtidas nas partidas 5 e 6.
As duas derrotas do campeão seguiram um mesmo cronograma: um meio jogo complexo, porém equilibrado, manobras demasiado originais, o ingresso a um final difícil porém defensável, a entrega de um peão tentando contrajogo, imprecisões na defesa e posterior queda.
Pode-se dizer que Anand está perdendo pelos seus próprios pecados, porém isso seria somente uma parte da verdade: a outra, também importante, é que Carlsen não somente está jogando o match livre de erros graves, mas também pressiona de forma sutil nas posições onde o equilíbrio pode ser quebrado.
Em certa forma, como o jornal indiano The Indian Express reconhece na sua última edição (16.11.2013), é o inicio de uma nova era no xadrez, e não pela diferencia de idades (que mestres como Nakamura consideram decisiva), mas sim pelo procedimento: a importância da preparação nas aberturas fica relegada e o estudo concreto das possibilidades nas seguintes fases começa ser o fator predominante.
Em qualquer caso, a frase elaborada pelo ex-campeão mundial Garri Kasparov dias trás («temos um match onde um dos mestres joga sem aberturas e o outro sem final») ganha uma dimensão certa, com o adicional que jogar sem final parece ser bem mais fatal que jogar sem abertura.
No entanto, os conhecimentos do final de Anand não são inferiores aos de qualquer outro dos mestres da elite, e o belo exagero de Kasparov se acha bem limitado dentro do nível magistral mais alto. Pode, simplesmente, que Nakamura e outros novos valores tenham parte de razão e que o cansaço tome conta em determinada hora do campeão; pode ser uma má racha -todos têm dias ruins- e também pode acontecer que simplesmente seja a hora de Carlsen e que todos os fatores previamente citados se potenciem nesta fase da suas vidas.
A situação é semelhante desde o ponto de vista psicológico à acontecida no match entre Lasker e Capablanca, quando o então campeão abandonou o encontro antes do final. Se neste ponto Anand não acredita nas suas próprias forças, o match está acabado.
O campeão tem hoje, quando leve as peças brancas na sétima partida, a difícil tarefa de se recuperar. A margem de erro vai ficando muito pequena.

Nova vitória de Carlsen

 
A sexta partida do match (de um total de doze) começou com uma das opções mais clássicas em matéria de aberturas: a Ruy Lopez, variante Berlinense, com a qual Carlsen tinha obtido um equilíbrio relativamente cômodo na sua anterior partida de pretas. Anand variou com 4.d3, se afastando do sólido final berlinense, mas depois de uma fase de manobras que seguiu aos primeiros lances, o jogo derivou em um final de peças pesadas equilibrado.
Como no jogo do dia prévio, Anand não esteve preciso na condução do final, e chegado o primeiro controle de tempo estava defendendo um final com uma torre por lado inferior, com peão a menos.
Ainda assim o campeão teve chances de realizar uma defesa que lhe permita a divisão do ponto, porém posteriores imprecisões forma agravando a sua situação até acabar em uma posição perdida.
Foi uma dura derrota para Anand, que está perdendo o match mais por imprecisões próprias que devido ao jogo adversário. Agora o campeão enfrenta a dura tarefa de recuperar dois pontos nos seis jogos que restam. O principal fator, nesta situação, é psicológico: há que esquecer os erros e jogar a parte que resta do match como se recém começasse.
Para Carlsen, entretanto, é uma grande oportunidade de obter o título. Sem brilhar, o norueguês está mostrando um xadrez prático e quase sem erros, muito pragmático. Um estilo que lhe permite enfrentar os seguintes jogos sem arriscar, mantendo a posição e especulando com o possível desespero adversário.
O duelo continua o próximo dia 18, com a realização da partida 7. Anand volta a levar as peças brancas nessa circunstância –na metade do match está estabelecido o cambio de cores para não facilitar a tarefa de preparo de algum dos protagonistas-.


Carlsen vence no quinto jogo!

 
A quinta partida foi a primeira definida no match, após uma Eslava Triângulo onde Carlsen, levando as brancas, obteve uma posição ligeiramente melhor desde a abertura. A boa defesa de Anand, com base no contrajogo ativo, devia lhe dar o empate -o que teria sido o quinto consecutivo do duelo-, mas pouco depois do primeiro controle de tempo o campeão mundial não achou o melhor plano e realizou um terrível lance que lhe obrigou jogar um final desesperado, com dois peões a menos.
Nesse final a técnica do mestre norueguês foi impressiva, e de forma simples concretizou a sua vantagem para se por na frente no placar.
Hoje tem lugar a sexta partida do match, a primeira de duas onde o campeão Anand vai levar as peças brancas, procurando a sua recuperação no jogo e no marcador.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Carlsen teve as melhores chances na quarta partida, mas o jogo finalizou empatado

Carlsen e Anand na conferencia de imprensa após a quarta partida do match
Como Kramnik no seu histórico match contra Kasparov, Carlsen utilizou o muro de Berlim (a variante com troca de damas na defesa Berlinense da Ruy Lopez) para enfrentar Anand na quarta partida do match.
O campeão mundial não obteve vantagem na abertura, onde uma linha recentemente na moda (9.h3) foi utilizada, e no meio jogo Carlsen incluso dispus das melhores chances, tendo ganho um peão.
No final de jogo, sempre com o mestre norueguês com um peão a mais, Anand teve que jogar com exatidão para alcançar o empate -a situação inversa do acontecido na partida prévia, quando o mestre indiano teve as melhores chances-.
O placar está empatado em dois pontos, e esse resultado é justo pelo mostrado por ambos os protagonistas deste duelo realizado em Chennai, que a cada hora vai ganhando mais interesse.
Amanha é dia livre; no dia 15 de novembro tem lugar a quinta partida do match, com Magnus Carlsen conduzindo as peças brancas.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Novo empate, mas com mais conteúdo

O terceiro jogo do match pelo campeonato mundial entre o titular Viswanathan Anand e Magnus Carlsen finalizou, como os dois prévios, em empate, mas diferente dos outros, esta vez os grandes mestres lutaram até a última peça.
Carlsen, levando as brancas, abriu o jogo com 1.Cf3. Os acontecimentos pareciam seguir os da primeira partida, mas o norueguês variou com seu lance 3.c4, passando o jogo a uma abertura Reti -uma criação do mestre hipermodernista desse nome, com a qual chegou vencer Capablanca-.
No entanto Anand pareceu estar preparado ante essa contingência, e realizou um plano que lhe concedeu um rápido equilíbrio, embora o caráter dinâmico da posição augurava uma difícil luta estratégica.
A saída da abertura cada lado contava com uma coluna semi-aberta para manobrar e pressionar a posição adversária. O campeão, com base ao par de bispos que obtivera no lance 16 foi mais concreto no seu tratamento da posição e obteve uma ligeira iniciativa, mas adequadas manobras defensivas de Carlsen a reduziram a uma posição com bispos de diferente cor que acabou em uma simplificação geral, restando somente os reis e um bispo por lado na posição onde ambos protagonistas decretaram o empate.
Amanha dia 13 de novembro tem lugar a quarta partida do duelo, com Anand levando as peças brancas.