segunda-feira, 17 de junho de 2013

Etapa do Grand Prix feminino da FIDE em Armênia


Outra etapa do Grand Prix feminino da FIDE tem lugar entre os dias 16 e 29 deste més na cidade armênia de Dilijan. A prova alcança a categoria XI (2505 de elo médio). Humpy Koneru e Anna Muzychuk são as principais pré-classificadas. Participa a campeã mundial Anna Ushenina e a ex campeã mundial Antoaneta Stefanova.

Posições
1. N. Dzagnidze 2; 2-3. A. Muzychuk, H. Koneru 1½; 4-8. A. Ushenina, A. Stefanova, T. Kosintseva, V. Cmilyte, T. Batchimeg 1; 9-12. H.  Dronavalli (foto), B. Khotenashvili, E. Danielian, O. Girya ½

sábado, 15 de junho de 2013

Leonardo Fusco (1988-2013)


Contava com somente 25 anos de idade. O mestre internacional argentino Leonardo Vicente Fusco faleceu o passado 14 na cidade de Buenos Aires depois de lutar contra uma repentina e cruel dolência.
Com 2360 de elo no último listado, Fusco tinha logrado o título de mestre internacional no ano 2009 (normas obtidas nos torneios de Vicente López 2005, Pinamar Cinco Soles 2008 -ambas as provas em Argentina- e Círculo Militar de São Paulo, Brasil, também no 2008). Era assíduo participante nos torneios realizados no Brasil, onde participou muitas vezes dos jogos regionais e abertos do estado de São Paulo, assim como torneios fechados em outros pontos do país.

Quatro líderes no memorial Tal


Após três rodadas, são quatro os líderes no tradicional torneio em memoria do ex campeão mundial Mikhail Tal. Eles são Boris Gelfand, Fabiano Caruana, Shakhriyar Mamedyarov e Hikaru Nakamura (foto). Gelfand e Mamedyarov já lideravam na rodada prévia, e na terceira foram alcançados por Caruana -derrotou a Carlsen em interessante final de torres- e Nakamura, que obteve uma bonita vitória posicional.

Nakamura,Hikaru (2784)
Karjakin,Sergey (2782)
Moscow RUS (3.4), 15.06.2013
Notas tomadas dos comentários do MI Luis Rodi para Xadrez Diário

1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cxd5 Cxd5 5.Bd2!? 

Uma linha secundária não sem veneno, no seu tempo favorecida por mestres como Korchnoi, Shirov ou Dreev. As brancas desejam jogar e4 e no caso de troca em c3 recapturar com bispo 

5...Bg7 6.e4 Cxc3 7.Bxc3 c5!? 

As pretas têm uma importante alternativa em 7...0–0 -a recomendação no livro de Avrukh e a mais empregada na prática- 

8.d5 Bxc3+ 9.bxc3 0–0 


Uma tabiya moderna da Grünfeld com 5.Bd2. No pessoal, a linha me parece algo arriscada para o condutor das pretas, porque a troca do bispo que defende o rei desse lado se produz demasiado cedo. Um fator que Anand, em um jogo recente (contra Hammer, no torneio de Noruega 2013) explorou continuando com um rápido h4. Entretanto, Nakamura se decide por um tratamento mais posicional, que é também o mais utilizado na prática 

10.Cf3 e6 11.Be2 exd5 12.exd5 Bg4!? 

Possivelmente o jogo das pretas é mais difícil nesta linha; 12...Te8!? pode ser mais exata, como em Cornette - Vachier-Lagrave, França 2004

13.0–0 Cd7 14.h3 Bxf3 15.Bxf3 Ce5 16.Be2 Dd6 17.Tb1 b6 18.Te1


As brancas, com seu forte peão livre no centro, mandam na posição. Potencialmente o bispo é a melhor peça menor, mas pelo momento o cavalo preto não está mal posicionado 

18...Tfd8N 

A novidade da partida. Após o seguinte forte lance das brancas, não muda a valoração com relação ao antecedente 18...c4 19.Dd4 com ligeira vantagem branca, Nezar - Marzolo, Nancy 2005

19.Ba6! Tab8 20.c4 

Com evidente vantagem para o estadunidense. As pretas estão sem possibilidade de contrajogo na ala de dama, onde contam com maioria de peões, enquanto as brancas têm as mãos livres para operar no centro e na ala de rei 

20...Cd7 21.Bb5 Cf6 22.De2 Tb7 23.Tb3 Ch5 24.Te3± Cg7 25.g4 Rf8 26.a4 f5 27.Te5!? 

27.Db2 merece atenção, por exemplo 27...Rg8 (27...fxg4 28.Te6+-; 27...Rf7 28.Ba6 Tc7 29.Te6 Cxe6 30.Txe6+-) 28.gxf5 Tf8 29.fxg6 hxg6 30.Be8±

27...fxg4 28.hxg4 Tf7 29.De3 Df6 30.Te2 Df4 

A troca de damas leva algo de alivio ao rei das pretas, mas a vantagem do primeiro lado segue sendo cômoda por falta de contrajogo adversário 

31.Dxf4 

Mas aqui as brancas se obrigam a trocar também uma das torres. Melhor é 31.Te4 Dxe3 32.T2xe3±

31...Txf4 32.T5e4 Txe4 33.Txe4

Aqui a supremacia branca não é tão evidente, porém esse lado ainda mantem elementos favoráveis na luta posicional, especialmente o peão d5 que é potencialmente a unidade ganhadora do jogo 

33...h5 34.f3 Rf7 35.Rg2 Rf6 36.Te1 g5 37.Rg3 Th8 38.Bc6 Rf7 39.d6! 


É tempo de por em marcha a grande esperança do primeiro jogador 

39...h4+? 

Quando Karjakin parecia perto de poder sustentar a posição chega este erro; 39...hxg4 40.fxg4 Rf6 41.Te7 ou 41.d7 Ce6 42.Bd5 Cc7 43.Bb7 com vantagem branca porém longe de ser decisiva

40.Rh2 Rf6 41.d7 Ce6 42.Bd5 

42.f4 é também forte, por exemplo 42...gxf4 43.g5+ Rf5 44.Bd5+-

42...Cc7 43.Be4 Ce6 

43...Re7 44.Bf5+ Rd8 45.Rh3±

44.Bd5 Cc7 45.f4!+- 

Depois de uma repetição para ganhar tempo no relógio, as brancas executam o plano ganhador. A posição se abre e a diferente atividade das peças de um e outro lado se faz notar 

45...gxf4 46.g5+ Rg6 47.Te5 Td8 48.Be4+ Rf7 49.Bf5 Th8 50.Rg2 a5 51.Rf2 f3 52.Te1 


Embora contem com material a mais, as pretas devem se render: praticamente caíram em zugzwang. Com seus altos e baixos, um bom jogo posicional de Nakamura 1–0



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Começa Memorial Tal em Moscou

O blitz entre Carlsen (dir) e Kramnik acabou em empate
Este 13 de junho tem inicio a oitava edição do memorial Tal na capital da Rússia. O torneio se estende até o dia 24 deste mé. Ontem foi realizado um torneio blitz que determinou (por escolha de acordo as posições obtidas) o número que cada mestre vai ter na prova.

Posições torneio blitz
1. H. Nakamura 7; 2. V. Anand 6½; 3. V. Kramnik 5½; 4-5. B. Gelfand, M. Carlsen 4½; 6-7. D. Andreikin, S. Mamedyarov 4; 8. S. Karjakin 3½; 9. A. Morozevich 3; 10. F. Caruana 2½

Números escolhidos pelos mestres:
Nakamura 5, Anand 2, Kramnik 7, Gelfand 3, Carlsen 4, Andreikin 1, Mamedyarov 6, Karjakin 8, Morozevich 10, Caruana 9

Primeira rodada (13/06):
Andreikin-Morozevich, Anand-Caruana, Gelfand-Karjakin, Carlsen-Kramnik, Nakamura-Mamededyarov

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vitória: xadrez sem límites

Crônica do Aberto do Brasil em Vitória
Pelo MI Luis Rodi

A capital espírito-santense voltou albergar um Aberto de Brasil, e como acontecera nas edições prévias, a organização foi destaque: todo bem feito, hotel de primeiro nível (o Quality Aeroporto, que também sediava a prova) em um lugar perto da praia, sala de jogo bem iluminada –com tabuleiro, jogos de peças e relógios digitais para todas as mesas-, horários de jogo excelentes: as rodadas duplas foram as 14.00 e 19.30 hs. e a última rodada às 13.00 hs.; e importante preservar um tempo de descanso entre as rodadas de um dia e outro; as vezes os organizadores colocam uma rodada à noite e a seguinte... a manhã cedo, no que envolve um planejamento ruim –não se pode fazer um bom xadrez dormindo quatro ou cinco horas somente-. Esse aspecto já foi importante, sendo mais um acerto da FESX comandada por Jonair Pontes que ajudou á configuração de uma prova modelo desde o ponto de vista organizativo. Também destaque para o quadro arbitral, com o AI Pablyto Robert como principal, bem secundado por Cassius Alexandre da Silva, o próprio Jonair Pontes e Lindomar Tonini.
O gm Everaldo Matsuura levando as peças pretas no jogo contra Mateus Nakajo
O vencedor foi o grande mestre Everaldo Matsuura, que começou com notáveis 5 em 5 para depois administrar dois empates, com o MI local Bittencourt e quem isto escreve. A sua vitória foi muito merecida e teve pontos altos nos pontos que obteve contra fortes enxadristas que acabaram nas primeiras posições, como Mateus Nakajo Mendonça e Wellington Rocha. Com a sua característica modéstia, Everaldo vai dizer que em algumas posições teve sorte... mas quem não tem sorte no xadrez? E o fato de ter sempre as peças posicionadas da forma adequada, o rei sempre protegido e os peões uniformemente formados é um raro talento que não tem muito a ver com a sorte. Parabens grande mestre Matsuura por mais um merecido sucesso!

O MN  bahiano Adriano Barata no seu jogo contra o MI capixaba Bittencourt
Como acontece neste tipo de competências realizadas pelo sistema suíço, acasos e azares e até a sorte no emparceiramento determinam as vezes as posições finais (um fato que pode ser observado no sistema de desempate Bucholz, que indica a força dos adversários que teve que enfrentar cada jogador). Apesar disso, eu quisera mencionar os que para mim foram os destaques da prova, começando pelo baiano Adriano Albiani Barata, que com 2147 pontos elo se manteve nas primeiras mesas, obteve uma vitória contra o MI Bittencourt e finalizou na sexta colocação, compartilhando a quarta colocação. O caso de Adriano é representativo do ser humano vencendo as dificuldades que a vida as vezes coloca: a causa de um acidente enquanto praticava natação, o enxadrista baiano foi confinado a se locomover em uma cadeira de rodas, e para anotar os jogos ele ata a caneta ao seu braço, fazendo todo o processo de realizar o lance em forma muito devagar –os apuros de tempo, claro, são um pesadelo para ele-. Triunfando sobre essas adversidades, Adriano desenvolveu um bom xadrez em Vitória e seu sexto lugar -com cinco pontos sobre sete- é um mais que merecido premio ao esforço. Bravo, mestre!
O mineiro Crisolon Vilas Boas (dir) no seu jogo pela sexta rodada
Também é um canto à vida a participação do mineiro Crisolon Vilas Boas, que enfrenta desafios não inferiores aos de Barata: ele é não vidente, e para competir com seus adversários deve manter na sua memoria as posições que vão se sucedendo na partida. Enquanto essas ações se desenvolvem no tabuleiro principal, ele dispõe de um mais pequeninho onde lhe está permitido mexer as peças para “ver” mediante o tacto onde elas estão e elaborar as estratégias da luta. Quando o adversário indica o lance por ele feito, Crisolon registra esse movimento e sua posterior resposta em um gravador que leva em cada torneio. Logicamente, os árbitros estão pendentes de forma especial do que acontece no seu tabuleiro. Outorgando o enorme handicap de não poder visualizar o tabuleiro, o mineiro ainda obteve um ponto e meio (este último meio ponto após mostrar conhecimento técnico da oposição distante no final de rei e peão contra rei). Bravo, Crisolon!
O caso destes dois apaixonados pelo jogo ciência -e de outros: Adriano não foi o único cadeirante da prova- pode ser resumido de forma notável com a frase que acompanhou o site oficial do torneio: o xadrez não tem limites!

Vão minhas últimas linhas deste artigo para a bela cidade de Vitória, que sempre nos recebe com sol, dias de praia bons, gastronomia de primeira e a amabilidade ímpar da sua gente. Com torneios assim, sempre a despedida é: até a próxima, amigos!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fazendo fácil o difícil


A técnica dos melhores enxadristas do mundo nunca deixa de surpreender. Observe por exemplo a facilidade com a qual Sergey Karjakin (na foto, sentado esperando ao seu adversário enquanto Topalov caminha perto) ganha a seguinte posição ante um +2700, Anton Korobov:

Korobov,A - Karjakin,S
Kiev UKR (1), 05.06.2013


As pretas jogam e ganham.

75...Rg3!

Única para vencer. Se 75...Txh3 76.Ta2+ Rg3 77.Re5 Th1 78.Ta3+ Rg4 (78...Rg2 79.Rf4=) 79.Ta4+ Rg5 80.Re4=

76.Ta8 Rxh3 77.Tg8 Tf4 

77...Tg3 é também suficiente

78.Re5 


78...Ta4! 

A concretização da vantagem requer de técnica, e a de Karjakin se mostra à altura das circunstâncias. Em vez do lance do texto, teria sido desafortunada 78...Tg4? 79.Tb8 onde as pretas não têm como progredir, por exemplo 79...Ta4 80.Rf5 Rg3 81.Tb3+ Rg2 82.Tb2+=

79.Rf5 

Ou 79.Tb8 Rg3 80.Tg8+ (80.Tb3+ Rg4-+) 80...Rh2-+

79...Rh2 80.Tb8 h3! 81.Tb2+ Rg3 82.Tb3+ Rh4 


83.Tb2 Tg4 

O resto é simples 

84.Tb8 Tg5+ 85.Rf4 h2 0–1

terça-feira, 4 de junho de 2013

Dominguez campeão em Tessalônica!


O grande mestre cubano Leinier Dominguez (na foto, com o presidente da FIDE, Kirsan Ilyumzhinov) não era o favorito desta edição do Grand Prix da FIDE realizada na cidade grega de Tessalônica, onde participaram três ex campeões mundiais (Veselin Topalov, Rustam Kasimdzhanov e Ruslan Ponomariov) porém mostrando um jogo sólido e com alguma ajuda da deusa fortuna (por exemplo, no jogo que ganhou contra Ivanchuk desde uma posição absolutamente perdida) obteve mais pontos que os mestres concorrentes (a maior ameaça foi o estadunidense Gata Kamsky, que até a última rodada liderava).
Dominguez obteve assim um dos mais importantes triunfos da sua carreira, e espera que abra portas para furutas aprticipações em torneios deste nível.

Posições
1. L. Dominguez 8; 2-3. F. Caruana, G. Kamsky 7½; 4-5. R. Ponomariov, A. Grischuk 6; 6. R. Kasimdzhanov 5½; 7. H. Nakamura 5; 8-9. V. Topalov, P. Svidler 4½; 10-11. E. Bacrot, A. Morozevich 4; 12. V. Ivanchuk 3½