terça-feira, 16 de abril de 2013

Match Anand - Carlsen, em novembro


O match pelo título mundial entre o atual campeão, Viswanathan Anand (foto), e o seu desafiante Magnus Calrsen pode ter lugar no próximo més de novembro, possivelmente entre os dias 6 e 26 na cidade indiana de Chennai.
A possibilidade foi vista de forma negativa pelo grande mestre norueguês, que pensa que desse jeito o campeão pode ter vantagem por ser local. No entanto, Anand desestimou essa circunstância, indicando que ele enfrentou Kramnik em Bonn (Alemanha), Topalov em Sofia (Bulgária) e Gelfand em Moscou (Rússia). Vale também o antecedente da sua derrota no match ante Kamsky em Sanghi Nagar (Índia) no ano 1994, onde o indiano começou ganhando e acabou perdendo o encontro, talvez fruto da pressão de jogar ante "seu público").
É a disputa pelo cenário dos jogos a primeira batalha estratégica do match? 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Diplomas de Mestre Nacionais começam a ser entregues

Marco Maia, Jorge Chaves, Carlos Evanir Costa com seus diplomas. Junto eles, o presidente da CBX, gm Darcy Lima
Começaram a ser entregues -através de cerimonia ou correio- os diplomas de Mestre Nacional para os que cumpriram os requisitos estabelecidos pela CBX. Neste dia 6 de Abril no tradicional Clube de Xadrez Guanabara os MN Jorge Chaves, Marco Maia e Carlos Evanir Costa receberam seus diplomas das mãos do Presidente da CBX GM Darcy Lima e do Presidente da FEXERJ MF Alberto Mascarenhas.

Zonal 2.4 em Manaus!


A capital de Amazonas vai sediar um dos mais interessantes torneios para os que procuram normas e títulos da FIDE: o Zonal 2.4, que outorga duas vagas para a Copa do Mundo e três títulos diretos: um de mestre internacional (para o melhor enxadrista que ainda não tenha esse título e obtenha mais do 66% dos pontos) e dois de mestre FIDE (para os dois melhores enxadristas que ainda não tenham esse título e obtenham mais do 50% dos pontos). Na versão prévia desta competência, celebrada na cidade fluminense de Araruama, Evandro Barbosa conquistou o título de MI, enquanto Wagner Madeira e Simão Poscidonio os de MF.
No Zonal 2.4 participam representantes dos três países que integram essa região da FIDE: Brasil, Perú e Bolívia. Nesta oportunidade a prova se desenvolve entre os dias 27 de abril ao 3 de maio, nas instalações do hotel Tropical. O árbitro vai ser o internacional Elcio Mourão.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Candidatura Londres 2013: a visão de Kasparov



No site russo Crestbook.com o ex campeão mundial Garry Kasparov (foto) realizou interessantes declarações sobre o recentemente disputado torneio Candidatura (Londres 2013) que consagrara Magnus Carlsen como desafiante de Anand. A continuação apresentamos as mais interessantes:

* "O torneio demonstrou que os rumores sobre a morte do xadrez clássico foram exageradas. Londres foi um espetacular evento, com muitos jogos decididos. Ainda assim, não tenho certeza que seja o melhor torneio da história. Posso compara-lo com o torneio de candidatos de 1959".
* "As regulações do torneio foram terríveis. Quem fez as regras? O desafiante não pode ser escolhido por tie-break! Porque o número de vitórias deveria ser mais importante que o (sistema) Sonneborn-Berger? Era absolutamente necessário realizar um match com tempo normal entre os dois mestres que compartilharam a primeira colocação, ainda no caso deles não fazer os mesmos pontos e não ter uma diferença maior a um ponto. Unicamente se o match acaba empatado o tie-break deve ser levado em consideração".
* "O torneio mostrou as fraquezas de Carlsen. Estou me referindo as suas aberturas e a capacidade de jogar partidas decisivas. Por exemplo, ele estava jogando uma partida de vida ou morte na última rodada e perdeu ela. Teve sorte que seu concorrente também perdeu".
"O estilo de Carlsen não é ainda o ideal. Por exemplo na última rodada contra Svidler ele jugou 30.Bh4 em vez de 30.Bh8! Porém isso é um nível diferente e Magnus ainda não está lá".
* "Anand é um experimentado lutador, capaz de jogar o match de forma sólida porém se Carlsen trabalha para eliminar as suas fraquezas ele deve ser o vencedor. Neste momento ele joga melhor xadrez que Anand. E Kramnik também está jogando mais forte que Anand".
* "Dificilmente eu seja um admirador de Kramnik, porém ele jugou brilhante em Londres. Foi um dos melhores torneios da sua carreira".
* "Ivanchuk mostrou que é um guerreiro e um enxadrista de primeira classe -como não o são, por exemplo, Gelfand ou Topalov-. Aronian está perto mas ainda não ingressou a esse circulo. Ivanchuk continua a tradição de fortes enxadristas que não lograram ser campeões mundiais, como Keres ou Korchnoi. Ainda Ivanchuk os supera em certas coisas, como por exemplo ter me superado e também a Karpov em torneios, enquanto os citados antes não ultrapassaram ao jogador estrela de seus tempos".
* "Na última rodada Ivanchuk estava jogando pelo honor, sua inteira carreira. Kramnik não entendeu isso".
* "Sobre os controles de tempo há uma questão para a FIDE: um não pode mudar o controle de tempo justo em provas desta importância  Mudar desde o controle de tempo com incremento ao ritmo clássico foi fatal para Ivanchuk, e também foi um problema para Grischuk. De outra forma eles poderiam ter feito um melhor torneio".
* "Grischuk esteve muito bem preparado. Ele obteve uma grande vantagem no seu jogo de brancas contra Kramnik e também na partida com Carlsen na segunda volta. Se consideramos as posições que ele teve, Grischuk pudo ter ganho 2-0 de Svidler. Eu tinha analisado a entrega de cavalo em c4 nessa linha da Índia de Rei (jogo Svidler-Grischuk) nos anos noventa. As pretas ficam incluso melhores com esse lance. Então eu mostrei ele a Nakamura, porém não teve oportunidade de utiliza-lo".
* "Aronian falhou em achar a atmosfera de luta necessária. Parece que Levon começou a ter problemas depois da sétima rodada, quando ele não pode converter sua promissória posição contra Grischuk em ponto, enquanto Carlsen manobrou para escapar miraculosamente de Radjabov". 
* "No geral, o torneio mostrou quem é quem".

sábado, 6 de abril de 2013

Brasil e Bolivia assinam Termo de Cooperação


O Presidente da CBX, Grande Mestre Darcy Lima esteve neste 28 e 29 de março de 2013 em Cochabamba onde assinou com o Presidente da Federação Boliviana de Xadrez, Ai A. Ferrufino um Termo de Cooperação nas áreas técnica e de promoção das categorias de base.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Londres 2013: o balanço final

Pelo MI Luis Rodi

Kramnik e Carlsen, no seu jogo pela rodada 9: empate, como no disputado na rodada 2 com as cores trocadas

O FIDE World Chess Championship Candidates, disputado na capital inglesa entre os dias 14 de março e 1 de abril deste ano, teve o brilho das grandes provas clássicas (pode se equiparar ao famoso Zurich 1953), pela qualidade dos participantes, pelo formato (a federação internacional acertou ao modificar o sistema e passar dos match por eliminação ao round Robin) e pelo dramático final, onde até último momento não se conhecia quem seria o desafiante do campeão mundial Anand.
No aspecto puramente competitivo, o torneio teve duas fases bem diferenciadas. Na primeira delas dominaram o torneio o máximo favorito, Magnus Carlsen, e Levon Aronian, e até certo ponto parecia que a prova podia se transformar em uma competência direta entre ambos os mestres. No entanto, na segunda fase da prova uma grande atuação de Vladimir Kramnik permitiu ao ex-campeão mundial ingressar no lote dos que lutavam pelo primeiro lugar, sucesso paralelo á queda de Aronian. O final foi um extraordinário combate entre Carlsen e Kramnik, com os dois mestres chegando ao final da prova com possibilidades de vitória. Em rodada dramática, os dois perderam seus jogos (!) e todo se definiu utilizando o sistema desempate que premiava a maior quantidade de vitórias (polêmico; eu teria preferido um match desempate de jogos rápidos).
Considerando a sua regularidade durante todo o torneio, Magnus Carlsen foi um justo vencedor. O norueguês mostrou a sua enorme força prática em posições de meio jogo e final (contrario a mestres como Kasparov ele não parece muito preocupado por obter uma posição vantajosa desde a abertura, pelo qual emprega linhas que não são as mais críticas), vencendo jogos que normalmente tinham destino de empate, como o da penúltima rodada ante Radjabov. Porém também venceu em grande forma a Gelfand (rodadas 3 e 10, com ambas as cores) e Svidler (rodada 6). As instancias finais do torneio deixam uma sombra de dúvida. O 1/3 (duas derrotas, ante Ivanchuk e Svidler, e a mencionada partida com Radjabov que devia ser empate) foi fruto do acaso, do cansaço, da tensão nervosa pela importância dos acontecimentos?
Independentemente dos episódios de um torneio pontual, o match que pelo título mundial vai sustentar com o atual titular, o indiano Viswanathan Anand –provavelmente em novembro, talvez na Índia, nos Estados Unidos ou Rússia- promete ser muito bom. A enorme força atual de Carlsen pode se ver equiparada pela maior experiência de Anand em encontros desse tipo, porém também se deve considerar que o campeão vem mostrando uma sensível baixa (com ondas de criatividade como a partida com Aronian em Wijk aan Zee) na sua atuação e resultados. Escrever que hoje Carlsen é favorito em proporção de 55% não é uma especulação ociosa. Em todo caso, pode ser o elemento motivador que o mais recente Anand parece estar necessitando.
Em Londres, Carlsen compartilhou o primeiro lugar com o ex-campeão mundial Vladimir Kramnik, que ao meu critério mostrou o melhor xadrez, desde o ponto de vista da mistura de criação e resultados. Foi especialmente bonita a sua vitória sobre Svidler (na rodada 8), exibiu grande técnica no seu jogo contra Grischuk (pela rodada 10) para desde uma posição equilibrada pressionar até obter um erro por resposta e realizou um original tratamento da sua abertura contra Gelfand (rodada 13). O mestre russo demonstrou que está à altura dos melhores enxadristas do mundo, e seu nome não pode ser descartado nas futuras edições deste tipo de competências.

Peter Svidler e um excelente terceiro lugar, a meio ponto dos líderes!
Extraordinária atuação de Peter Svidler, alcançando a terceira colocação a somente meio ponto dos vencedores. O varias vezes campeão russo teve um final de prova muito bom, com três vitórias (incluindo a da rodada final ante Carlsen) e um empate sobre quatro jogos, seguidilha que lhe outorgou o bronze. A sua labor em Londres supõe uma consolidação que deveria alavancar a sua carreira e o motivas para futuras experiências neste tipo de torneios.
De Levon Aronian se esperava mais, porém como aconteceu no anterior ciclo (o candidatura realizado em Kazan) no momento crítico os nervos lhe jogaram uma má passada e acabou perdendo pontos importantes. Fala muito bem dele que na circunstância onde a maioria seguiria na tendência da queda, depois de uma terrível derrota ante Kramnik o mestre armênio teve forças para acabar o torneio com uma excelente partida ante Radjabov e ficar a somente meio ponto dos líderes.
As atuações de Alexander Grischuk e Boris Gelfand foram dignas e representativas da sua força. O mestre russo mostrou a que deve ser a melhor novidade do torneio (o 12...Cxc4 no seu jogo contra Svidler). No caso do mestre israelita, era muito difícil que ele logre pela segunda vez consecutiva o torneio, mas teve partidas muito boas, como a da oitava rodada ante Radjabov.
Vassily Ivanchuk: vitórias sobre Carlsen e Kramnik
O sempre irregular Vassily Ivanchuk bateu todos os recordes nesta prova. Em muitos jogos perdeu por tempo, em outros utilizou planos de meio jogo duvidosos (como na sua partida contra Aronian pela rodada 10) mas foi o grande aguafiestas da prova ao vencer Carlsen primeiro e logo Kramnik na rodada decisiva.
Teimour Radjabov fechou a tabla de posições (sim, incluso nos torneios da elite há lanternas...) e sua declaração final ("Londres 2013 foi o pior torneio da minha carreira") exime de comentários.

Posições finais
1-2. M. Carlsen, V. Kramnik 8½; 3-4. P. Svidler, L. Aronian 8; 5-6. B. Gelfand, A. Grischuk 6½; 7. V. Ivanchuk 6; 8. T. Radjabov 4

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carlsen ganha o Candidatura em incrível final


Magnus Carlsen (foto) é o desafiante do campeão mundial Viswanathan Anand após vencer o torneio Candidatura que se desenvolveu até hoje na cidade inglesa de Londres.
Carlsen compartilhou o primeiro lugar na prova com o ex campeão mundial Vladimir Kramnik, porém foi o vencedor por ter o melhor sistema de desempate (maior número de vitórias; talvez teria sido mais justo um match desempate).
No entanto, a vitória do mestre norueguês teve alguns detalhes incríveis, como a sua derrota na rodada final ante Peter Svidler -e a derrota de Kramnik ante Vassily Ivanchuk-. Estas dramáticas circunstâncias -a derrota dos dois máximos favoritos- deu ao torneio um plus de emoção que faz história neste tipo de provas. Um não deixa de pensar em Petrosian, Curação 1962, quando o astuto armênio estabeleceu que uma série de empates alcançaria para obter o torneio... mas na situação da atual prova, tanto Carlsen quanto Kramnik tinham que ter nervos de aço para empatar seu jogo final e torcer para que o seu adversário não ganhe na outra mesa!
As posições finais: 1-2. M. Carlsen, V. Kramnik 8½; 3-4. L. Aronian, P. Svidler 8; 5-6. A. Grischuk, B. Gelfand 6½; 7. V. Ivanchuk 6; 8. T. Radjabov 4