quinta-feira, 11 de abril de 2013

Zonal 2.4 em Manaus!


A capital de Amazonas vai sediar um dos mais interessantes torneios para os que procuram normas e títulos da FIDE: o Zonal 2.4, que outorga duas vagas para a Copa do Mundo e três títulos diretos: um de mestre internacional (para o melhor enxadrista que ainda não tenha esse título e obtenha mais do 66% dos pontos) e dois de mestre FIDE (para os dois melhores enxadristas que ainda não tenham esse título e obtenham mais do 50% dos pontos). Na versão prévia desta competência, celebrada na cidade fluminense de Araruama, Evandro Barbosa conquistou o título de MI, enquanto Wagner Madeira e Simão Poscidonio os de MF.
No Zonal 2.4 participam representantes dos três países que integram essa região da FIDE: Brasil, Perú e Bolívia. Nesta oportunidade a prova se desenvolve entre os dias 27 de abril ao 3 de maio, nas instalações do hotel Tropical. O árbitro vai ser o internacional Elcio Mourão.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Candidatura Londres 2013: a visão de Kasparov



No site russo Crestbook.com o ex campeão mundial Garry Kasparov (foto) realizou interessantes declarações sobre o recentemente disputado torneio Candidatura (Londres 2013) que consagrara Magnus Carlsen como desafiante de Anand. A continuação apresentamos as mais interessantes:

* "O torneio demonstrou que os rumores sobre a morte do xadrez clássico foram exageradas. Londres foi um espetacular evento, com muitos jogos decididos. Ainda assim, não tenho certeza que seja o melhor torneio da história. Posso compara-lo com o torneio de candidatos de 1959".
* "As regulações do torneio foram terríveis. Quem fez as regras? O desafiante não pode ser escolhido por tie-break! Porque o número de vitórias deveria ser mais importante que o (sistema) Sonneborn-Berger? Era absolutamente necessário realizar um match com tempo normal entre os dois mestres que compartilharam a primeira colocação, ainda no caso deles não fazer os mesmos pontos e não ter uma diferença maior a um ponto. Unicamente se o match acaba empatado o tie-break deve ser levado em consideração".
* "O torneio mostrou as fraquezas de Carlsen. Estou me referindo as suas aberturas e a capacidade de jogar partidas decisivas. Por exemplo, ele estava jogando uma partida de vida ou morte na última rodada e perdeu ela. Teve sorte que seu concorrente também perdeu".
"O estilo de Carlsen não é ainda o ideal. Por exemplo na última rodada contra Svidler ele jugou 30.Bh4 em vez de 30.Bh8! Porém isso é um nível diferente e Magnus ainda não está lá".
* "Anand é um experimentado lutador, capaz de jogar o match de forma sólida porém se Carlsen trabalha para eliminar as suas fraquezas ele deve ser o vencedor. Neste momento ele joga melhor xadrez que Anand. E Kramnik também está jogando mais forte que Anand".
* "Dificilmente eu seja um admirador de Kramnik, porém ele jugou brilhante em Londres. Foi um dos melhores torneios da sua carreira".
* "Ivanchuk mostrou que é um guerreiro e um enxadrista de primeira classe -como não o são, por exemplo, Gelfand ou Topalov-. Aronian está perto mas ainda não ingressou a esse circulo. Ivanchuk continua a tradição de fortes enxadristas que não lograram ser campeões mundiais, como Keres ou Korchnoi. Ainda Ivanchuk os supera em certas coisas, como por exemplo ter me superado e também a Karpov em torneios, enquanto os citados antes não ultrapassaram ao jogador estrela de seus tempos".
* "Na última rodada Ivanchuk estava jogando pelo honor, sua inteira carreira. Kramnik não entendeu isso".
* "Sobre os controles de tempo há uma questão para a FIDE: um não pode mudar o controle de tempo justo em provas desta importância  Mudar desde o controle de tempo com incremento ao ritmo clássico foi fatal para Ivanchuk, e também foi um problema para Grischuk. De outra forma eles poderiam ter feito um melhor torneio".
* "Grischuk esteve muito bem preparado. Ele obteve uma grande vantagem no seu jogo de brancas contra Kramnik e também na partida com Carlsen na segunda volta. Se consideramos as posições que ele teve, Grischuk pudo ter ganho 2-0 de Svidler. Eu tinha analisado a entrega de cavalo em c4 nessa linha da Índia de Rei (jogo Svidler-Grischuk) nos anos noventa. As pretas ficam incluso melhores com esse lance. Então eu mostrei ele a Nakamura, porém não teve oportunidade de utiliza-lo".
* "Aronian falhou em achar a atmosfera de luta necessária. Parece que Levon começou a ter problemas depois da sétima rodada, quando ele não pode converter sua promissória posição contra Grischuk em ponto, enquanto Carlsen manobrou para escapar miraculosamente de Radjabov". 
* "No geral, o torneio mostrou quem é quem".

sábado, 6 de abril de 2013

Brasil e Bolivia assinam Termo de Cooperação


O Presidente da CBX, Grande Mestre Darcy Lima esteve neste 28 e 29 de março de 2013 em Cochabamba onde assinou com o Presidente da Federação Boliviana de Xadrez, Ai A. Ferrufino um Termo de Cooperação nas áreas técnica e de promoção das categorias de base.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Londres 2013: o balanço final

Pelo MI Luis Rodi

Kramnik e Carlsen, no seu jogo pela rodada 9: empate, como no disputado na rodada 2 com as cores trocadas

O FIDE World Chess Championship Candidates, disputado na capital inglesa entre os dias 14 de março e 1 de abril deste ano, teve o brilho das grandes provas clássicas (pode se equiparar ao famoso Zurich 1953), pela qualidade dos participantes, pelo formato (a federação internacional acertou ao modificar o sistema e passar dos match por eliminação ao round Robin) e pelo dramático final, onde até último momento não se conhecia quem seria o desafiante do campeão mundial Anand.
No aspecto puramente competitivo, o torneio teve duas fases bem diferenciadas. Na primeira delas dominaram o torneio o máximo favorito, Magnus Carlsen, e Levon Aronian, e até certo ponto parecia que a prova podia se transformar em uma competência direta entre ambos os mestres. No entanto, na segunda fase da prova uma grande atuação de Vladimir Kramnik permitiu ao ex-campeão mundial ingressar no lote dos que lutavam pelo primeiro lugar, sucesso paralelo á queda de Aronian. O final foi um extraordinário combate entre Carlsen e Kramnik, com os dois mestres chegando ao final da prova com possibilidades de vitória. Em rodada dramática, os dois perderam seus jogos (!) e todo se definiu utilizando o sistema desempate que premiava a maior quantidade de vitórias (polêmico; eu teria preferido um match desempate de jogos rápidos).
Considerando a sua regularidade durante todo o torneio, Magnus Carlsen foi um justo vencedor. O norueguês mostrou a sua enorme força prática em posições de meio jogo e final (contrario a mestres como Kasparov ele não parece muito preocupado por obter uma posição vantajosa desde a abertura, pelo qual emprega linhas que não são as mais críticas), vencendo jogos que normalmente tinham destino de empate, como o da penúltima rodada ante Radjabov. Porém também venceu em grande forma a Gelfand (rodadas 3 e 10, com ambas as cores) e Svidler (rodada 6). As instancias finais do torneio deixam uma sombra de dúvida. O 1/3 (duas derrotas, ante Ivanchuk e Svidler, e a mencionada partida com Radjabov que devia ser empate) foi fruto do acaso, do cansaço, da tensão nervosa pela importância dos acontecimentos?
Independentemente dos episódios de um torneio pontual, o match que pelo título mundial vai sustentar com o atual titular, o indiano Viswanathan Anand –provavelmente em novembro, talvez na Índia, nos Estados Unidos ou Rússia- promete ser muito bom. A enorme força atual de Carlsen pode se ver equiparada pela maior experiência de Anand em encontros desse tipo, porém também se deve considerar que o campeão vem mostrando uma sensível baixa (com ondas de criatividade como a partida com Aronian em Wijk aan Zee) na sua atuação e resultados. Escrever que hoje Carlsen é favorito em proporção de 55% não é uma especulação ociosa. Em todo caso, pode ser o elemento motivador que o mais recente Anand parece estar necessitando.
Em Londres, Carlsen compartilhou o primeiro lugar com o ex-campeão mundial Vladimir Kramnik, que ao meu critério mostrou o melhor xadrez, desde o ponto de vista da mistura de criação e resultados. Foi especialmente bonita a sua vitória sobre Svidler (na rodada 8), exibiu grande técnica no seu jogo contra Grischuk (pela rodada 10) para desde uma posição equilibrada pressionar até obter um erro por resposta e realizou um original tratamento da sua abertura contra Gelfand (rodada 13). O mestre russo demonstrou que está à altura dos melhores enxadristas do mundo, e seu nome não pode ser descartado nas futuras edições deste tipo de competências.

Peter Svidler e um excelente terceiro lugar, a meio ponto dos líderes!
Extraordinária atuação de Peter Svidler, alcançando a terceira colocação a somente meio ponto dos vencedores. O varias vezes campeão russo teve um final de prova muito bom, com três vitórias (incluindo a da rodada final ante Carlsen) e um empate sobre quatro jogos, seguidilha que lhe outorgou o bronze. A sua labor em Londres supõe uma consolidação que deveria alavancar a sua carreira e o motivas para futuras experiências neste tipo de torneios.
De Levon Aronian se esperava mais, porém como aconteceu no anterior ciclo (o candidatura realizado em Kazan) no momento crítico os nervos lhe jogaram uma má passada e acabou perdendo pontos importantes. Fala muito bem dele que na circunstância onde a maioria seguiria na tendência da queda, depois de uma terrível derrota ante Kramnik o mestre armênio teve forças para acabar o torneio com uma excelente partida ante Radjabov e ficar a somente meio ponto dos líderes.
As atuações de Alexander Grischuk e Boris Gelfand foram dignas e representativas da sua força. O mestre russo mostrou a que deve ser a melhor novidade do torneio (o 12...Cxc4 no seu jogo contra Svidler). No caso do mestre israelita, era muito difícil que ele logre pela segunda vez consecutiva o torneio, mas teve partidas muito boas, como a da oitava rodada ante Radjabov.
Vassily Ivanchuk: vitórias sobre Carlsen e Kramnik
O sempre irregular Vassily Ivanchuk bateu todos os recordes nesta prova. Em muitos jogos perdeu por tempo, em outros utilizou planos de meio jogo duvidosos (como na sua partida contra Aronian pela rodada 10) mas foi o grande aguafiestas da prova ao vencer Carlsen primeiro e logo Kramnik na rodada decisiva.
Teimour Radjabov fechou a tabla de posições (sim, incluso nos torneios da elite há lanternas...) e sua declaração final ("Londres 2013 foi o pior torneio da minha carreira") exime de comentários.

Posições finais
1-2. M. Carlsen, V. Kramnik 8½; 3-4. P. Svidler, L. Aronian 8; 5-6. B. Gelfand, A. Grischuk 6½; 7. V. Ivanchuk 6; 8. T. Radjabov 4

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carlsen ganha o Candidatura em incrível final


Magnus Carlsen (foto) é o desafiante do campeão mundial Viswanathan Anand após vencer o torneio Candidatura que se desenvolveu até hoje na cidade inglesa de Londres.
Carlsen compartilhou o primeiro lugar na prova com o ex campeão mundial Vladimir Kramnik, porém foi o vencedor por ter o melhor sistema de desempate (maior número de vitórias; talvez teria sido mais justo um match desempate).
No entanto, a vitória do mestre norueguês teve alguns detalhes incríveis, como a sua derrota na rodada final ante Peter Svidler -e a derrota de Kramnik ante Vassily Ivanchuk-. Estas dramáticas circunstâncias -a derrota dos dois máximos favoritos- deu ao torneio um plus de emoção que faz história neste tipo de provas. Um não deixa de pensar em Petrosian, Curação 1962, quando o astuto armênio estabeleceu que uma série de empates alcançaria para obter o torneio... mas na situação da atual prova, tanto Carlsen quanto Kramnik tinham que ter nervos de aço para empatar seu jogo final e torcer para que o seu adversário não ganhe na outra mesa!
As posições finais: 1-2. M. Carlsen, V. Kramnik 8½; 3-4. L. Aronian, P. Svidler 8; 5-6. A. Grischuk, B. Gelfand 6½; 7. V. Ivanchuk 6; 8. T. Radjabov 4

domingo, 31 de março de 2013

Carlsen alcança Kramnik após emocionante rodada


A 13a e penúltima rodada do torneio Candidatura em Londres (Inglaterra) teve jogos emocionantes em todos os tabuleiros. Primeiro finalizaram Svidler com Ivanchuk (com vitória para o russo) e Grischuk com Aronian (empate) enquanto continuavam os restantes jogos, envolvendo os principais favoritos a ganhar a prova. Vladimir Kramnik obteve uma ligeira vantagem no seu jogo contra Boris Gelfand, porém uma imprecisão deixou ele obrigado a jogar muito preciso. Em outras circunstâncias, o jogo acabaria em em-pate por repetição de lances, mas Kramnik decidiu continuar, observando o outro tabuleiro onde Magnus Carlsen (foto) jogava ante Teimour Radjabov. Ao finalizar o segundo ciclo de tempo (lance 60) o norueguês tinha um final algo melhor, e no caso de vencer alcançaria a posição de Kramnik (conservando o melhor sistema desempate). No lance 59 Kramnik teve que aceitar a divisão do ponto, restando o final onde Carlsen, sempre com melhores chances práticas, tentava a vitória. Até certo ponto o azeri defendeu bem a posição, mas com pouco tempo no relógio a posição foi se comprometendo e finalmente um erro levou a outro e... Carlsen obteve a vitória! Agora todo se define na última rodada, amanha, onde Carlsen leva brancas ante Svidler e Kramnik as pretas contra Ivanchuk. São dois jogos que prometem emoção e drama até o mesmo fim... Se permanece a paridade na primeira colocação, Carlsen ganha o torneio, por aplicação do segundo sistema de desempate -maior número de vitórias-.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Kramnik é o novo líder após dramática rodada


O grande mestre russo Vladimir Kramnik (foto) venceu em forma dramática ao seu colega Levon Aronian na 12a rodada do torneio Candidatura que se realiza na cidade inglesa de Londres e lidera a prova, aproveitando a inesperada derrota do até então líder Magnus Carlsen ante Vassily Ivanchuk.
Ambos os jogos foram altamente disputados e complexos, com altos e baixos que finalmente se traduziram na rodada mais emocionante das até agora desenvolvidas na capital da Inglaterra.
O jogo Aronian - Kramnik tinha a particularidade de que ambos os mestres precisavam do ponto -o armênio de forma mais urgente- para prosseguir com sucesso na luta pelo primeiro lugar, nas mãos de Carlsen -um ponto e meio, respetivamente, por acima dos mencionados-. Depois de escolher uma linha secundária da Semi-Tarrasch, Aronian entrou logo em um dilema: aceitava o empate por repetição de lances ou continuava a risco. A última opção foi sua escolha, e a continuou com uma entrega de peça por dois peões que lhe prometia algumas chances de ataque contra o rei adversário.
Com bom jogo de ambas as partes a variante podia desembocar em uma posição onde as chances pretas seriam algo melhores, porém uma série de imprecisões cruzadas deixaram uma posição com torre e bispo para Kramnik contra torre de Aronian e peões, algo melhor para as pretas. Veja o que aconteceu:

Aronian,Levon (2809)
Kramnik,Vladimir (2810) 
London ENG (12), 29.03.2013
(Notas tomadas dos comentários do MI Luis Rodi) 


O presente final é algo melhor para as pretas -uma avaliação que no apuro de tempo se traduz em boas chances de vitória-; o bispo é uma peça eficaz tanto em defesa dos peões quanto no ataque em forma combinada com a torre 

30.c6? 

Este lance deveria ter simplificado a tarefa das pretas -o peão c fica adiantado demais, e claramente exposto-. Melhor é 30.Td6 Bc4 31.b4 a4 com ligeira vantagem preta

30...Tf1+? 

As pretas podiam ter explorado a fraqueza do peão c com 30...Tc8! e logo o peão cai, por exemplo após 31.Rf2 Bc4 32.Td6 Bf7 33.Td7 Be8 34.Ta7 Txc6 35.Txa5 Tc2+ 36.Re3 Rg8-+

31.Rh2 Tc1 

A situação parece semelhante -até se diria que Kramnik combate o peão passado adversário da forma clássica, colocando a torre por trás dessa unidade- porém aqui as brancas têm um recurso para manter o peão 

32.Te3! Bb1 33.Tc3! 

Conservar o peão passado bem vale a troca da última peça. E ganhar o final não deve ser tão simples, toda vez que as pretas têm que atender questões como a maioria de peões na ala de rei (que pode levar à liquidação do material), o controle do peão livre das brancas e o detalhe do peão a promovendo em casa que o bispo preto não controla... 

33...Txc3 34.bxc3 Rg8 35.c7 Bf5 


36.Rg3 Rf7 37.Rf4 Bc8 38.Rg5 

O meu computador recomenda 38.h5 O plano é simples: avanço com os peões na ala de rei, se liquida o material e o rei se dirige contra o peão b5. Uma linha ilustrativa é 38...Re7 39.g4 Be6 40.g5 Rd7 41.Re5 Bg8 42.Rd4 a4 43.h6 Rxc7 44.Rc5 gxh6 45.gxh6=

38...Bd7 

No entanto aqui as brancas também alcançam o equilíbrio utilizando o mesmo plano que indico no comentário prévio 

39.h5 Be6 40.g3 a4 41.g4 Rf8 42.Rf4 Re7 43.g5 Rd7 44.Re5 Bg8 45.c8D+ 

45.Rd4 Bh7 46.Rc5 Bd3 47.Rb6 Rc8 48.h6 gxh6 49.gxh6=

45...Rxc8 46.Rd6 Rd8 


O último recurso: o rei preto se dirige contra os peões brancos na ala de rei, porém será que ele chega a tempo? «A posição crítica. Francamente, estou um pouco surpreso que Levon pensou aqui por muito uma única variante. Mas é claro que estamos todos cansados» (Kramnik) 

47.Rc6 

47.h6 parece a mais simples forma de empate

47...Re7 48.Rxb5 Re6 49.Rxa4 Rf5 


50.g6? 

Um incrível erro, que assegura a permanência do peão g das pretas no tabuleiro -e com isso as brancas estão perdidas-. Será que Aronian, que estava em pleno apuro de tempo, tentou ganhar de qualquer jeito -o resultado que necessitava para não perder de vista os primeiros lugares-? 50.h6 leva ao empate, por exemplo na linha 50...g6 51.Rb5 Rxg5 52.a4 Rxh6 53.a5 g5 54.a6 g4 55.c4 g3 56.a7 g2 57.a8D g1D 58.Df8+ Rh5 59.Df5+=

50...Rg5 

O final ainda requer de técnica, porém o plano é claro: o rei captura os peões abrindo passo ao peão g e volta para o centro, enquanto o bispo detém os peões da ala de dama 

51.Rb5 Rxh5 52.a4 Rxg6 53.a5 Rf6 54.a6 

54.c4 Re5! 55.a6 Rd4-+

54...Bd5 55.c4 Ba8 56.Rb6 Re5 57.Rc7 


57...g5! 

A última esperança branca era 57...Rd4? onde 58.Rd6 Rxc4 (58...g5? 59.c5 g4 60.c6+-) 59.Re5 empata pois não há forma de defender o peão g!

58.Rb8 Be4 59.Rc7 g4 60.a7 

60.c5 Ba8 61.c6 (61.Rb8 Bc6 é semelhante ao jogo) 61...Rd5-+

60...g3 61.c5 Ba8 

Também ganha 61...g2 62.c6 Bxc6 63.Rxc6 g1D-+

62.Rb8 Bc6 

Se agora 63.Rc7 Rd5 ganha. Uma importante vitória para o ex campeão mundial, que agora tem chances de obter o torneio e ganhar mais uma oportunidade de enfrentar Anand 0–1

O jogo Carlsen - Ivanchuk percorreu as trilhas da variante de moda contra o sistema Taimanov da Siciliana: o ataque inglês. O ucraniano obteve bom jogo desde a abertura, porém de forma gradativa Carlsen foi melhorando a sua posição até obter boas chances de empate. Nessa hora, e tal vez alavancado pelos bons resultados prévios ante Ivanchuk, o norueguês começou jogar de forma muito agressiva e ao finalizar as complicações a sua posição era inferior. A fase técnica da luta foi conduzida de forma impecável pelo condutor das pretas, que deu uma das maiores surpresas do torneio ao ser o único em vencer Carlsen nesta prova. 
O resultado destas duas partidas teve uma implicância enorme no desenvolvimento da prova: agora Kramnik lidera com 8 unidades, seguido a meio ponto por Carlsen -e Aronian fica a ponto e meio- quando restam somente duas rodadas.
Os outros jogos da jornada, Gelfand - Svidler e Radjabov - Grischuk, acabaram em empate. Hoje é dia livre; o torneio continua o 31 de março com os enfrentamentos Kramnik - Gelfand, Radjabov - Carlsen, Grischuk - Aronian e Svidler - Ivanchuk.