segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

GM Darcy Lima eleito presidente da CBX

 
O GM Darcy Lima (na foto, junto ao presidente da FIDE, Kirsan Ilyumzhinov) foi eleito para a Presidencia da Confederaçào Brasileira de Xadrez para o quadriênio 2013 a 2016 .
A resolução foi adotada na assambleia do passado sábado 8, celebrada na cidade de Vitória (ES). O flamante presidente expressou na oportunidade:
"Primeiramente quero informar com alegria que o Sr. Sérgio da Silva Freitas aceitou voltar a trabalhar conosco na Confederação e será Assessor especial da Presidencia a partir de Janeiro de 2013. Sua Inteligencia e experiencia aliado ao amor que tem pelo xadrez nos ajudará bastante e temos reunião em janeiro para definição de novo plano estratégico da CBX já com as conquistas de todos estes anos.Agradeço enormemente também a confiança massiva das Federações que me permitiram uma votação muito expressiva e confiança que deu ao nosso time que elenco abaixo. Porém antes desejar sorte ao grupo derrotado que obteve os votos do PR (Votando P. Virgilio) e SC (votando Gilson Chrestani) desejando sucesso e trabalho em suas Federações e nos colocando já a disposição para ajudar.
"Vices nomeados por mim e homologados pela Assembléia: AN Francisco Ari Maia Vice de Interiores, AI Antonio Bento Vice Técnico, MF Maximo Macedo VIce Administrativo, MF Marco Hazim Asfora Vice de Exteriores, Julio Lapertosa Vice de Projetos Educacionais, Prof Charles Moura Netto Vice Financeiro".

Por que Darcy

Escreve Ari Maia (*)

Recentemente a Confederação Brasileira de Xadrez realizou sua Assembleia Geral Ordinária para a finalidade de eleger o seu novo presidente, que ocupará o cargo entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016. O escolhido entre as 15 federações estaduais presentes ou representadas foi o GM Darcy Gustavo Vieira Lima, um dos mais populares jogadores de xadrez do Brasil.

Darcy Lima é uma liderança muito respeitada no país e sua vitória não foi surpresa para ninguém. Mas, o que faz de Darcy uma grande liderança? A resposta é simples: carisma. Por onde passa, Darcy conquista novos amigos, pois, ao contrário de muitos Grandes Mestres, Darcy é pessoa acessível a todos que cruzam o seu caminho. Sempre está disposto a uma conversa, a uma foto, a uma análise post mortem, seja com quem for.

O novo presidente também é um incansável andarilho desse imenso país e costuma viajar aos mais longíncuos lugares para prestigiar organizadores, dos mais modestos aos mais felizes. Isso faz como ninguém. Viajar para jogar xadrez é uma tarefa dura para qualquer um e, no nível de GM, acrescente-se o risco de colocar o seu rating a toda prova. Todo nós, capivaras desse meu país, adoraríamos pelo menos empatar com um. Há GMs pelo país que só jogam por cachê, alegando que não compensa jogar sem cachê e arriscar perder pontos de ELO. Darcy não quer saber desses riscos e topa jogar xadrez com qualquer um, só pelo prazer de jogar.
Os seus mais ardentes adversários falam que ele é poderoso e que manda na CBX, independente de quem estiver no poder, o que é pelo menos uma ofensa ao trabalho de valorosos combatentes que estiveram à frente da entidade ao longo de várias gestões. Mesmo assim, ao dar crédito aos críticos, mais um motivo para o GM está à frente, pois agora o comandante é o próprio dito "poderoso". Já que vai ditar as regras, que dite-as pessoalmente.
Não vamos nos iludir, quem quiser dar combate ao GM Darcy Lima, terá que ser pelo menos tão carismático quanto ele, viajar por todo o país conhecendo e sendo conhecido pelas pessoas (não só às vésperas das eleições) e trabalhar com dedicação à causa do xadrez nacional. Os desavisados dirão que Darcy venceu porque tem o Nordeste nas mãos. Estes precisarão ver os dados com maior acurácia: No Sudeste, Darcy teve o apoio de todas as federações, assim como no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, salvo os dois votos dados ao candidato de última hora Charles de Mora Netto. só não venceu no Sul, onde, de fato, não teve nenhum dos 2 votos aptos.

A partir do dia 1º de janeiro o GM Darcy Lima terá uma importante missão, a de conduzir os destinos do xadrez brasileiro pelos próximos quatro anos, onde terá o apoio de muitas federações e dos Vice-Presidentes e Diretores Regionais. É um trabalho hercúleo, sujeito à críticas periódicas, algumas brandas, outras nem tanto. Ser liderança é fazer o que for preciso e estar pronto para ter o seu nome aplaudido e criticado a todo momento. Pela sua longa fila de serviços prestados ao enxadrismo verde-amarelo, podemos dizer, com tranquilidade, que Darcy está pronto. Desejamos todo o sucesso à nova gestão e que venham os desafios.
 
(*) Publicado inicialmente no blog Brasil Xadrez (http://www.brasilxadrez.com.br/)

Carlsen ganha em Londres e bate recorde de Kasparov

Magnus Carlsen
 
O norueguês Magnus Carlsen (foto) foi o vencedor do Chess Classic em Londres, ao sumar 18 pontos (pelo sistema Bilbao que conta três pontos por vitória e um por empate), dois mais que Vladimir Kramnik, que até a última rodada manteve chances de alcançar Carlsen.
Ambos os mestres empataram seus jogos pela última rodada: enquanto o norueguês levando as brancas dividiu o ponto com o campeão mundial Viswanathan Anand -que teve outra atuação opaca considerando a sua força-, o russo não pudo criar complicações e acabo obtendo o mesmo resultado ante Michael Adams.
A terceira posição foi compartilhada justamente por Adams e -em boa atuação e se mostrando totalmente recuperado de torneios previos duvidosos- o estadounidense Hikaru Nakamura, com 13 pontos.
A vitória trouxe para Carlsen uma alegria adicional: no próximo listado elo (a se publicar o primeiro dia de janeiro) ele bate a marca de Garri Kasparov (2851) que até o momento era recorde histórico.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Kramnik ainda oferece luta

 
Não está tudo dito no Chess Classic. Na capital inglesa, Londres, a prova ainda permanece aberta após a realização da penúltima rodada, porque o ex campeão mundial Vladimir Kramnik (foto) deu uma nova mostra da sua extraordinária técnica para vencer Gawain Jones e assim se colocar a dois pontos (ou meio, de atender a forma clássica de pontuação) do líder Magnus Carlsen, atual número 1 do rating elo.
Na última rodada, a se realizar amanha segunda, Carlsen leva brancas contra o campeão mundial, o indiano Viswantahan Anand, em jogo que a priori é um dos mais interessantes do torneio. De vencer, Carlsen é campeão, porém se empata ou perde ele vai ter que aguardar o resultado do jogo de Kramnik, que leva as pretas contra outro difícil adversário, o grande mestre inglês Michael Adams.
A fase final do jogo de hoje de Kramnik:
 

Kramnik,Vladimir (2795) - Jones,Gawain (2644)

4th London Chess Classic London ENG (8.1), 09.12.2012


[Notas do MI Luis Rodi, resumidas das publicadas em Xadrez Diário]
1.Cf3 c5 2.b3 d5 3.e3 Cf6 4.Bb2 e6 5.g3 Cc6 6.Bg2 Be7 7.0–0 0–0 8.c4 b6 9.Cc3 Bb7  10.cxd5 exd5 11.d4 Ce4 12.dxc5 Cxc3 13.Bxc3 bxc5


Peões colgantes apareceram no tabuleiro. Como no caso dos peões isolados, eles concedem maior liberdade as peças do seu exército e espaço, porém não deixam de ser uma fraqueza estrutural

14.De2 Te8 15.Tfd1 Bf8 16.Db5 17.Dxb6 axb6 18.Txd5! Cd4

Evidentemente neste recurso confiavam as pretas, mas a entrega de qualidade que segue não somente é correta: as brancas ainda consolidam a sua vantagem

19.Cxd4 Bxd5 20.Bxd5 cxd4 21.Bxd4


Considerado de forma matematica, o material é igual: uma torre vale aproximadamente como um bispo e dois peões. No entanto, na presente posição as brancas podem mostrar dois elementos que fazem a diferencia no seu favor: o par de bispos, belamente centralizado, e a maioria de peões na ala de dama, cuja conversão em um peão livre forma parte do plano imediato do primeiro jogador

21...Ta5

Jones mantém a torre na coluna, visando o controle direto da maioria branca. Algo melhor, entretanto, teria sido 21...Tad8 se bem que as brancas conservam a vantagem continuando com 22.Bc4 (22.e4 Txe4 23.Bxe4 Txd4 é um dos recursos defensivos pretos: a presencia de bispos de cor oposto dificulta a concretização da ligeira vantagem branca) 22...Td6 23.a4

22.e4 Bc5 23.Bc3 Ta3 24.Bb2 Ta7 25.a4±

O plano branco é claro: mediante manobras na ala de dama progredir até poder criar um peão livre mediante a troca em a5. Fácil de dizer, difícil de fazer a menos que se tenha a excelente técnica do ex campeão mundial

25...Tc7!?

Tentando uma defesa com base tática. As pretas ameaçam tomar em f2, e se Rxf2 então ...Tc2+ recupera a peça com ganho de um peão; 25...Tc8 com a mesma ideia porém mantendo a outra torre na coluna a é também possível; 26.Be5!?±

26.Ta2!


26.Tc1 e 26.Te1 são alternativas, porém Kramnik prefere defender a posição colocando a sua torre em uma casa onde nunca pode ser alcançada pelo bispo adversário e, mais importante, se mantendo na coluna onde projeta o avanço de peão que vai lhe conceder um livre

26...h6 27.Rg2 Rh7 28.f4 f6 29.Rf3 Td7 30.a5

Uma vez melhoradas as suas peças -o rei forma parte ativa da luta agora- o primeiro jogador realiza o avanço temático para converter o peão b em livre

30...bxa5 31.Txa5 Tc8 32.Tb5 Td6 33.Tb7 Tb6 34.Tf7 Tf8 35.Tc7 Bd6 36.Td7 Ta6 37.Bd4+-

A posição branca é estrategicamente ganha; se ameaça Bc4-b5 tirando a torre preta da terceira fileira (XBd6) e as retiradas preventivas do bispo permitem o avanço do peão livre

37...Bb8 38.Bc5 Te8 39.Rg4 Ta2 40.h4 Tc8 41.b4 Ta3 42.h5 Tc3 43.Bd4 T3c7 44.Txc7 Bxc7 45.Rf5! Bd6 46.b5 Tc1 47.b6 Bb8 48.Re6 Th1 49.Bc5


A combinação das ideias Bd6 e b7 é decisiva 1–0



 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Carlsen, com mais vantagem

 
Aproveitando que na rodada 7 o ex campeão mundial Vladimir Kramnik ficou livre, o atual número 1 do rating elo, Magnus Carlsen, amplou a sua vantagem na prova ao obter mais um ponto (pelo sistema Bilbao, na forma clássica seria meio) após empatar com o americano Hikaru Nakamura (foto).
A falta de duas rodadas (nas quais fica livre e joga contra Anand) Carlsen é sério candidato ao primeiro lugar -depende de se mesmo; no caso de empate no jogo contra o campeão mundial Kramnik somente pode lhe alcançar se ganha os dois jogos restantes contra os inglêses Adams e Jones- e, tudo parece indicar, neste torneio suma os pontos elo necessários para ultrapassar ao lendário Garri Kasparov no tope dos elos mais altos de todos os tempos. Enquanto o ogro de Baku alcançou os 2851 elo, o grande mestre norueguês conta na atualidade -e tendo ainda por computar Londres- 2848.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Carlsen imparável em Londres

Magnus Carlsen
Magnus em Londres, no mais alto (foto Ray Morris-Hill)
Quem detêm a Magnus Carlsen? O grande mestre norueguês está implacável no Chess Classic disputado em Londres, onde lidera com cinco vitórias e um empate -com Kramnik, que se posiciona na segunda colocação com três vitórias e três empates-, ameaça quebrar o récorde de elo de Garri Kasparov e está mostrando um xadrez bom. Aqui, a sua vitória sobre Judith Polgar pela sexta rodada da prova, com comentários resumidos (o análises completo aparece na edição de Xadrez Diário para assinantes)
 
Carlsen,Magnus (2848) - Polgar,Judit (2705)
4th London Chess Classic London ENG (6.2), 07.12.2012
[Notas do MI Luis Rodi]

1.c4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e6
 
Uma das posições mais populares da Inglesa Simétrica, onde as brancas jogam cedo no centro com o avanço d4. Em muitos casos -e este é mais um exemplo- o jogo deriva após o lance e4 em posições semelhantes as da Siciliana com esquema Maroczy
 
6.a3
 
Por um lado, as brancas tomam medidas contra um possível ...Bb4, mas também o lance é útil para a futura expansão na ala de dama
 
6...Bc5
 
Este lance e 6...Be7 são os preferidos na prática (a escala em c5 tem como ideia afastar o cavalo d4 do centro e dificultar o posterior avanço do peão b no caso de retirada à casa b3 dessa peça) 6...Cxd4 7.Dxd4 b6 é outra opção, onde 8.e4 leva a um cenário com semelhanças com a nossa partida, sendo também interessante a ideia de Korchnoi, 8.Df4
 
7.Cb3 Be7 8.e4
 
 
O nó de Maroczy. As brancas ganham uma boa porção de espaço, porém a posição preta dispõe de mais recursos que os que os enxadristas clássicos imaginavam... o denominado hedgehog, de acordo com Kasparov, começou ser considerado seriamente nos anos setenta  
 
8...0–0 9.Be2 b6 10.0–0 Bb7 11.Bf4
 
11.Be3 era a escolha de um dos grandes conhecedores desta linha, Ulf Andersson (não é a primeira vez, entretanto, que pego Carlsen utilizando esquemas e planos do grande mestre suéco)
 
11...d6 12.Tc1 Tc8 13.Te1 Ce5 14.Cd2 Cfd7 15.Be3
 
Uma nova ideia, talvez de valor equivalente ao antecedente 15.b4 empregado no jogo Van Wely - Gashimov, Wijk aan Zee 2012
 
15...Dc7 16.b4 Db8 17.f4 Cg6 18.g3 Tfe8 19.Bf3 Da8
 
 
A posição é aproximadamente igual, com as brancas ganhando todo o espaço possível (a combinação de b4 e f4 é a mais agressiva no esquema Maroczy, contrastando vivamente com a opção sólida com peões em b3 e f3) e as pretas manobrando sem criar debilidades, na espera que o primeiro lado mostre as suas cartas. Como em muitos casos, é uma questão de gostos, e cada enxadrista pode preferir um ou outro lado do tabuleiro
 
20.Bf2 Cgf8 21.De2 Db8 22.Ted1 g6
 
Parece que este é o inicio dos problemas pretos -posições de longas manobras e política de espera não casam com o estilo de Judith-; no principio a ideia é lógica: levar o bispo à g7. O problema é que as brancas podem dificultar esse plano. 22...Bc6 ou 22...Ba8 podem ser alternativas
 
23.e5! Bc6 24.Bd4! Ted8 25.Bxc6 Txc6 26.Cf3 dxe5 27.fxe5 Tdc8 28.Ce4 Dc7 29.Cfd2 a6 30.Cf2
 
 
A dança dos cavalos. Após estabelecer uma sólida defesa para o peão c4, a ideia é se dirigir contra as fraquezas criadas nas casas negras da ala de rei pelo avanço do peão g -sem perder de vista a possibilidade Cd3 olhando a ruptura em c5-
 
30...Bg5
 
Contra a primeira ideia referida, porém o bispo não pode defender tudo, como resulta evidente após o seguinte lance
 
31.Tf1± Bxd2!?
 
Polgar toma uma decisão muito prática: uma vez perdida a batalha estratégica, tenta complicar a posição mediante um arriscado plano que envolve o ganho de um peão a cambio de ceder completamente as casas negras; 31...Bh6 32.Tcd1 Bg7 33.Cd3±
 
32.Dxd2 Cxe5 33.Bxe5 Dxe5 34.Cg4 Td6 35.Ch6+!
 
35.Cxe5?! Txd2 36.Cxf7 somente deixa as brancas com alguma iniciativa
 
35...Rg7 36.Txf7+ Rh8 37.Df2
 
E aqui as pretas não têm mais defesa que a passagem a um final muito inferior
 
37...Dd4 38.c5 bxc5 39.Dxd4+ Txd4 40.Txc5 Tcd8 41.Tcc7+-
 
 
Com domínio absoluto da sétima fileira, as brancas dispõem aqui de uma posição ganha. O resto é relativamente simples, e Carlsen o realiza com precisão de relogeiro suíço
 
41...Td1+ 42.Rg2 T1d2+ 43.Rh3 T2d5 44.Cg4 Th5+ 45.Rg2 Td2+ 46.Rf3 Tf5+ 47.Re3 Txf7 48.Txf7 Td8 49.Cf6 Tb8 50.Rf4 h6 51.Re5 a5 52.bxa5 Ta8 53.a6 1–0

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Emocionante final em Tashkent

Sergey Karjakin teve o melhor desempate entre os três mestres que compartilharam a primeira colocação
O Grand Prix da FIDE acaba de realizar uma nova edição na capital de Uzbequistão, Tashkent, com participação de doze grandes mestres de alto nível (categoria XX, 2747 de elo médio). A prova teve muita emoção, pois durante todo seu desenvolvimento teve muitos cambios na liderança, até o mesmo final.
Alexander Morozevich teve um bom começo com 2 em 2 e ganhou a liderança isolada, porém uma derrota ante Sergey Karjakin relegou-o, enquanto seu vencedor tomou a liderança. Na penúltima rodada Karjakin perdeu ante Mamedyarov, que passou liderar junto com Morozevich, porém na última o representante azerí a sua vez caiu derrotado ante Wang Hao, que desse jeito alcançou a primeira colocação superando ao seu vencido. Morozevich empatou seu jogo e Karjakin, que venceu após seis horas e meia a Ponomariov, também compartilhou o primeiro lugar -e teve o melhor sistema de desempate-.
 
Posições finais

1-3. S. Karjakin, Wang Hao, A. Morozevich 6½; 4-6. R. Kasimdzhanov, S. Mamedyarov, F. Caruana 6; 7-9. P. Svidler, R. Ponomariov, P. Leko 5½; 10. B. Gelfand 4½; 11. L. Dominguez 4; 12. G. Kamsky 3½
 
O jogo do dia
 
 
Wang Hao (2737) - Mamedyarov,S (2764)

Tashkent UZB (11), 04.12.2012

[Resumo de notas do MI Luis Rodi para Xadrez Diário]

O estilo capablanquino de Wang Hao brilhou a grande altura nesta edição do Grand Prix na capital uzbeca, pois ele compartilhou o primeiro lugar e produz belas partidas. A que segue foi a mais importante das suas vitórias -o seu vencedor antes deste jogo liderava a prova-
 
1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cf3 Cf6 4.e3 Bf5 5.Cc3 e6 6.Ch4
 
A linha principal. As brancas vão pelo par de bispos das pretas, considerando que esse elemento vai ser importante no transcurso da luta
 
6...Be4
 
As pretas provocam f3 -que em certa forma pode ser visto como um enfraquecimento da ala de rei branca, se bem que em algumas posições forma parte do plano de avanço branco no centro e na ala de rei- antes de se retirar a g6. A imediata 6...Bg6 é a alternativa natural, enquanto 6...Bg4 também tem seu espaço na teoria da Eslava
 
7.f3 Bg6 8.Db3
 
Este lance é a principal preferência branca, e ganhou ainda mais espaço depois de ter sido recomendado por Boris Avrukh no seu livro de aberturas (repertório de brancas com 1.d4). O primeiro lado também utilizou alternativas como 8.Cxg6 e 8.g3
 
8...Dc7 9.Bd2 Be7 10.Cxg6 hxg6 11.0–0–0 Cbd7
 
Um dos lances que está na moda, mas as estatísticas favorecem claramente às brancas aqui. Avrukh recomenda 11...dxc4 citando 12.Bxc4 b5 13.Bd3 a6 14.Ce4 Cbd7 15.Rb1 Tc8 com jogo complexo, como em Wang Yue - Bu Xiangzhi, Khanty Mansiysk 2007; enquanto 11...a6 empregada por Eljanov e Caruana é também uma alternativa decente
 
12.cxd5 cxd5
 
 
A estrutura é simétrica, porém nesse cenário a maior atividade das peças brancas e o par de bispos contam em algo. Posivelmente tenha sido esse o motivo de Ivanchuk escolher 12...Cxd5!? nesta posição
 
13.Rb1!
 
O lugar correto para o rei uma vez aberta a coluna c, que vai ser ocupada pelas torres
 
13...Db6N
 
As pretas realizavam este lance após 13...a6 por exemplo 14.Tc1 Db6 onde 15.Da4 0–0 16.g4 oferece iniciativa às brancas, Pecorelli - Salgado Lopez, Marin 2004
 
14.Da4 a6 15.g4
 
O ganho de espaço na ala de rei é temático. O par de bispos trabalha especialmente bem neste tipo de cenários, pois quando a posição se abre, eles vão poder desplegar todo seu potencial
 
15...Dc6?!
 
Uma ideia desafortunada, proque as pretas não vão realizar, depois da troca, o avanço ...c5 e o peão em c6 fica fraco; 15...Tc8!? é aqui uma opção natural
 
16.Dxc6 bxc6 17.Ca4 e5?!
 
17...c5 parece necessária, se bem que as brancas têm uma ligeira vantagem na continuação 18.h4 cxd4 19.exd4² A sua maioria na ala de dama é útil e potencialmente perigosa
 
18.Be2 g5?! 19.Tc1± Th6!? 20.Txc6 Ce4 21.Txh6 Cxd2+ 22.Rc2 gxh6 23.Rxd2 exd4 24.exd4 Bd6 25.h4 Re7 26.hxg5 Bf4+ 27.Rc2 Bxg5  28.b4! a5
 
Com a ilusão de poder bloquear a posição após 29.b5 Rd6, porém o seguinte lance branco é a refutação desta ideia; 28...Rd6 29.Cc5 Cxc5 30.dxc5+ Rc7 31.f4 Bxf4 32.Tf1 Te8 33.Bd3+-
 
 
29.Bb5!
 
Com a simples ameaça de tomar em d7. A sequência que segue assegura outro peão ás brancas
 
29...Cf8 30.Cb6 Tb8 31.bxa5+-
 
As pretas não têm como se opor ao avanço dos peões livres das brancas na coluna a
 
31...Ce6 32.Rd3 Rd6 33.a4 Cf4+ 34.Rc3 Ce6 35.Rd3 Cf4+ 36.Rc3 Ce6 37.Te1 Bf6 38.Txe6+!?
 
Simples era 38.Rd3 onde a captura em d4 com bispo perde peça e 38...Cxd4 é respondido com 39.a6!+-
 
38...fxe6 39.a6 Th8 40.a7 Rc7 41.a8D Txa8 42.Cxa8+ Rb7 43.Bd7
 
43.Bc6+ Rxc6 44.a5 é a opção. As brancas devem ganhar o final resultante
 
43...e5 44.dxe5 Bxe5+ 45.Rd3 d4 46.a5 Rxa8 47.a6
 
 
As brancas ganham com facilidade este final, apesar dos bispos de diferente cor. O plano é simples: primeiro, o bispo se coloca na diagonal f1–b5 para defender o a6 e impedir o avanço do peão central preto; depois disso o rei apoia o avanço do peão f, que custa a vida ao bispo. Pelo geral, como o mi Leandro Perdomo gosta de comentar, dois peões livres permitem ganhar o final de bispos de diferente cor -este é um desses casos- 1–0