terça-feira, 6 de novembro de 2012

O balanço de Guarapari

 
Três dos favoritos da prova cumpriram com a expectativa e classificaram à final do 79o. Campeonato Brasileiro de Xadrez. A vitória foi, por melhor desempate, para o mestre internacional Diego di Berardino (Rio de Janeiro), sendo segundo o seu colega Evandro Barbosa (Minas Gerais). Ambos os mestres, candidatos a ser o próximo grande mestre de Brasil. Na terceira colocação, com os mesmos pontos, o grande mestre Krikor Mekhitarian. Até aqui, nehuma surpresa, porém na quarta colocação, ocupando a última vaga para a final, se posicionou o jovem Mateus Nakajo Mendonça (na foto, com a sua mãe), de São Paulo, que foi a grande revelação desta semifinal na cidade balnearia capixaba. Ele não classificou por acaso após um emparceiramento mais ou menos afortunado. Não. pelo contrário, teve que disputar muitos jogos nas primeiras mesas contra fortes enxadristas e a sua classificação é muito merecida. Além disso, seriedade e humildade foram suas cartas de apresentação nesta prova. Não classificaram, porém mostraram que estã na trilha deste jovem os seus colegas -também de São Paulo- Vitor Carneiro e Klaus Furucho Gotz, que também foram protagonistas em Guarapari e podem olhar o futuro com confiança. Novas promessas do xadrez nacional que já ganham espaço e se convertem em realidade.
Na quinta colocação da prova ficou o mestre internacional Roberto Molina. O mineiro -também um dos referentes na hora de tentar adivinar quem vai ser o seguinte gm brasileiro- teve um começo ruim, com uma derrota e dois empates, para depois disso fazer 4 em 4 e alcançar a compartilhar a quarta colocação. O desempate deixa ele fora da final? Quem sabe. Ele aparece como primeiro reserva -dado que os quatro classificados da edição anterior são todos da região 1: Leitão, Fier, Mecking e El Debs- e se algum desiste de participar, Molina vai ser quem ocupe essa vaga.

domingo, 4 de novembro de 2012

Di Berardino campeão

SEMIFINAL 1 DO CAMPEONATO BRASILEIRO: CRÔNICA DA RODADA 7
Pelo mestre internacional Luis Rodi

 
Ao começar a rodada, dez participantes tinham chance de se classificar para a final do 79º Campeonato Brasileiro de Xadrez. Como a divisão do ponto não assegura em nenhuma das mesas a classificação –o único que pode assinar o empate é o mestre internacional Evandro Barbosa, que está meio ponto a frente dos imediatos seguidores- todos os jogos se disputam de forma encarniçada, tal como previ na crônica de ontem.
As primeiras definições se produzem nas mesas 4 e 5. Na última delas, o mestre internacional mineiro Roberto Molina venceu ao local Namyr de Souza após uma Holandesa variante Leningrado onde foi conquistando vantagens posicionais que lhe renderam um final de torres e peça menor por lado melhor para a sua causa. O final é curioso, com ambos os enxadristas tentando o mesmo mate de torre e cavalo, mas com o detalhe de ser o turno de Molina. E na 4, uma das grandes surpresas da rodada: o jovem Klaus Seiji Furucho Gotz (de somente 2028 elo) venceu levando as pretas ao experimentado mestre internacional Christian Toth, que vinha realizando um excelente torneio. Toth ganhou um peão, porém seu adversário tinha compensação e quando recuperou material ficou ainda com a melhor estrutura. Obrigado a vencer, o mestre arriscou demais e acabou perdendo após uma bonita condução do final por parte de Furucho Gotz.

Uma complicada partida disputaram Mateus Nakajo Mendonça, outra das revelações do torneio, com o líder Evandro Barbosa. Em uma complexa abertura Inglesa as brancas entregaram um peão por compensação (exposição do rei preto) e obtiveram após recuperar o material uma ligeira vantagem; no entanto uma posterior imprecisão (em vez de 25.Tc6+ merecia atenção 25.Tc3) deixou o jogo equilibrado. A divisão do ponto classificou Barbosa de forma automática para a final; Nakajo Mendonça, ao igual que Molina e Gotz, devem esperar os outros resultados, sobretudo os das mesas 2 e 3, onde ainda jogam Menna Barreto com Mekhitarian e Di Berardino com Matsuura. No primeiro desses jogos o grande mestre leva uma pequena vantagem (material e posicional), enquanto o mestre internacional carioca tem uma apreciável vantagem no segundo jogo. Porém (e isto é importante) ambos os jogos estão na fase do apuro de tempo.
As 17.48 Di Berardino ganha, se convertendo no segundo classificado a final e alcançando Barbosa na liderança. Na partida entre Menna Barreto e Mekhitarian, o segundo tenta impor um final com torre e bispo por lado (as peças menores são de casas diferentes) com dois peões para o grande mestre contra um do seu adversário.

As 18.11 Krikor Mekhitarian se transformou no terceiro classificado para a final. Mostrando uma excelente técnica, ele venceu Menna Barreto no difícil final antes indicado.
Menna Barreto,Felipe (2252) - Mekhitarian,Krikor (2524)

Guarapari (7.2), 04.11.2012
1.d4 Cf6 2.Cf3 e6 3.Bg5 h6 4.Bh4 d6
Um lance que tem ganhado espaço em base de bons resultados até se converter em uma importante alternativa as mais populares 4...b6 e 4...c5
 
5.Cc3!?
 
Mais habituais dentro do esquema branco são as ideias 5.Cbd2 ou 5.e3 Um exemplo recente com esta última jogada é 5...Cbd7 6.c4 g5 7.Bg3 Ch5 8.Cc3 Bg7 9.Be2 De7 10.c5!? Cxg3 11.cxd6 cxd6 12.hxg3 a6 13.Db3 b6 14.Tc1 Bb7 15.0–0 0–0 com jogo equilibrado, Ernst - Dronavalli, Wijk aan Zee B 2012
 
5...g5
 
No Ataque Torre é importante que as pretas assegurem a possessão do par de bispos mediante a captura do bispo de casas negras do primeiro jogador. Isto se faz, claro, com certo custo -o enfraquecimento da estrutura de peões-
 
6.Bg3 Ch5 7.Dd2
 
O condutor das brancas já utilizou esta ideia, so que partindo de 7.e3 e logo Dd2 7.e4 é a opção, por exemplo 7...Bg7 8.Be2 Cd7 9.Dd2 Cxg3 10.hxg3 g4 11.Ch4 h5 12.f4 a6 com igualdade, Sosna - Krejci, República Tcheca 2011
 
7...Bg7
 
Não há necessidade de matar em g3 rápido. O bispo g3 não vai a lugar nenhum
 
8.e3 a6N
 
Flexível. No caso de 8...b6 9.0–0–0 Bb7 10.d5 as brancas ganham a iniciativa, como em Mena Barreto - Latorre, Villa Martelli 2011
 
9.a4
 
Combinada com o posterior roque grande esta ideia é duvidosa 9.0–0–0!? sem temor à possível expansão preta na ala de dama é preferível
 
9...Cc6 10.Be2 De7 11.0–0–0 Bd7 12.The1 0–0!?
 
Necessitado do ponto, o grande mestre se embarca nas complexidades da posição com roques opostos. Em outras circunstancias, imagino que ele consideraria 12...0–0–0 -uma alternativa muito razoável-
 
13.d5
 
O mesmo tratamento central que contra Latorre, porém aqui no campo branco há fraquezas que podem ser exploradas; 13.Rb1 b5! e a iniciativa preta chega primeiro
 
13...Cb4 14.e4 exd5 15.exd5 Cxg3 16.hxg3 Df6
 
 
Com a ameaça ...Ca2+. A disposição mais harmônica das peças pretas e o par de bispos asseguram vantagem a esse lado
 
17.Dd4
 
A melhor defesa. Se 17.Rb1 Bf5 com clara vantagem preta 
 
17...Dxd4 18.Cxd4 Tfe8 19.Tf1 Te5 20.Bc4 Tae8 21.Cf3 T5e7 22.a5!?
 
22.Tfe1 com ideia de compartilhar a coluna e pode ser respondida com 22...Bf5 23.Bb3 Bg6 24.Txe7 Txe7 25.Te1 Rf8 26.Txe7 Rxe7 onde o final de peças menores é ligeiramente melhor para as pretas, pelo par de bispos e a melhor formação
 
22...g4 23.Cd4 c5 24.Cde2
 
As brancas tentam manter a posição fechada para não ampliar os horizontes dos bispos adversários, porém não é claro que esta escolha seja melhor que a linha 24.dxc6 bxc6 25.Cb3 d5 26.Bd3 Cxd3+ 27.Txd3 Bf5 com ligeira vantagem preta 
 
24...Bf5 25.Td2 h5 26.Cf4 Bh6 27.Cd1
 
27.Cce2 h4 28.Th1 Bxf4 29.gxf4 Bxc2 com clara vantagem preta
 
27...Te1 28.Txe1 Txe1 29.c3
 
Este lance foi acompanhado por uma oferta de empate. Razoável, se as pretas não tivessem o seguinte forte lance:
 
29...h4!
 
 
30.cxb4
 
30.Te2 Tg1–+ com a ideia ...h3 ao igual que na partida
 
30...h3
 
A ideia correta porém no tempo errado. Melhor é 30...cxb4! por exemplo 31.b3 h3 32.gxh3 gxh3 33.Cxh3 Bxh3 34.f4 Tg1µ com evidente vantagem preta
 
31.gxh3 gxh3 32.Cxh3 Bxh3 33.f4 Tg1 34.Td3
 
Esta defesa do peão g3 não é a melhor ideia. 34.bxc5! Txg3 35.c6 teria dado incluso a iniciativa as brancas
 
34...Bf1 35.Tc3?
 
35.bxc5 era ainda possível, com posição complicada após 35...Bxd3 36.c6 bxc6 37.Bxd3 cxd5 38.Bxa6 Txg3 39.Bb7 Bxf4+ 40.Rc2 com compensação
 
35...cxb4
 
Depois de um momento de incertidumbre, as pretas voltaram ao comando. No entanto, o que segue é menos claro: o condutor das pretas sofria já de um forte apuro de tempo (já nos acrescimos), enquanto seu adversário contava com uma dúzia de minutos
 
36.Tc2 Bh3 37.Be2 Txg3 38.Tc4 b3
 
38...Bg4! com clara vantagem preta
 
39.Cc3 Bf5
 
 
40.Rd2 Bg7
 
40...Bc2 com ligeira vantagem preta
 
41.Tb4 Tg2 42.Txb3 Bg4 43.Re3 Bxc3 44.Bxg4 Bxa5! 45.Bf3 Bd2+ 46.Rd3 Tf2 47.Be2 Bxf4 48.Txb7 Be5
 
Um final muito difícil, sobretudo em apuro de tempo. As pretas contam com peão a mais porém a presencia de bispos de cor diferente e a ativa torre branca complicam qualquer tentativa de concretização. Mekhitarian, que não tem certeza de classificar em caso de empate, deve começar de novo a sua tarefa de obter uma posição promissória
 
49.Re3 Th2 50.b4 Th3+ 51.Rf2
 
Demasiado pasivo. Em muitas passagens do jogo as brancas parecem confortáveis com a possível divisão do ponto. 51.Re4!? Th4+ 52.Rf5 parece melhor alternativa
 
51...Ta3!
 
Na seguinte fase, ante a passividade branca as pretas começam crescer na ala de rei, ocupando espaço vital até afogar ao rei branco
 
52.Tb8+ Rg7 53.Ta8 Ta4 54.Txa6 Txb4 55.Ta2 Tb3 56.Bf3 f5 57.Rg2 Rf6 58.Tc2 Rg5
 
 
59.Ta2 Tb4 60.Tc2 Rf4 61.Ta2 Bd4 62.Tc2 Tb3 63.Bh5
 
Uma alternativa é 63.Td2 Txf3 (também possível é 63...Bc5 64.Bd1 Tg3+ 65.Rh2 Tg1 com clara vantagem preta) 64.Txd4+ Re5 com clara vantagem preta
 
63...Tg3+ 64.Rf1?
 
64.Rh2 Bg1+ 65.Rh1 Bc5 66.Rh2 Td3 67.Bf7 Rg5 com clara vantagem preta
 
64...Re4–+ 65.Tg2 Ta3
 
65...Th3 teria ganho um tempo decisivo 66.Bd1 f4–+
 
66.Bg6 Ta1+ 67.Re2 Ta2+ 68.Rf1 Ta1+
 
68...Ta5! Esta ideia é correta com o rei branco na primeira fileira 69.Re2 (69.Tg4+? Rf3–+ é o detalhe; 69.Te2+ Rf4 com clara vantagem preta) 69...Txd5 70.Tg4+ Re5 com clara vantagem preta
 
69.Re2 Ta5 70.Bf7?!
 
70.Tg4+! Re5 71.Bxf5 e o empate teria sido o resultado mais provável
 
70...Ta7 71.Bg8?
 
71.Bg6 Re5 com clara vantagem preta
 
71...f4–+
 
 
As brancas não têm como se opor ao avanço das forças pretas agora. Se 72.Tg4 Ta2+ 73.Rd1 Re3 74.Be6 f3 ganhando. Uma partida dramática e instrutiva 0–1

Com estes resultados, três enxadristas acabaram compartilhando o primeiro lugar. O mestre internacional Diego di Berardino teve o melhor desempate, secundado pelo mestre internacional Evandro Barbosa e o grande mestre Krikor Mekhitarian.
A quarta vaga foi para quem teve o melhor desempate entre os que compartilharam a quarta colocação: Mateus Nakajo Mendonça, que foi a grande revelação da prova. Em quinto lugar finalizou o mestre internacional Roberto Molina, enquanto outra jovem promessa do xadrez paulista, Klaus Gotz, obteve a sexta posição.

Última rodada em Guarapari

Dez dos quarenta participantes têm possibilidades, ao começo desta sétima e última rodada, de obter um lugar na final do 79o. Campeonato Brasileiro de Xadrez. Como o potencial empate em alguma das mesas não classifica com certeza, em todos os tabuleiros de acima se espera uma grande luta. As fotos das primeiras mesas:
 
 
Mesa 1 - A revelação da prova, o paulista Mateus Nakajo Mendonça, enfrentando ao mestre internacional mineiro Evandro Barbosa -com empate classifica-
 

Mesa 2 - Felipe Menna Barreto, de Rio Grande do Sul, contra o grande mestre paulista Krikor Mekhitarian
 

Mesa 3 - O mestre internacional carioca Diego di Berardino enfrenta ao grande mestre paulista Everaldo Matsuura
 

Mesa 4 - Namyr Souza Filho é o capixaba melhor posicionado -e o único que pode acessar a final-, porém tem como adversário ao recuperado -depois de um começo duvidoso- mestre internacional mineiro Roberto Molina


Mesa 5 - O mestre internacional Christian Toth -agora residente em São Paulo- enfrentando outra das revelações da prova, Klaus Seiji Furucho Gotz (São Paulo)

sábado, 3 de novembro de 2012

Um final de torneio para alugar palcos


SEMIFINAL 1 DO CAMPEONATO BRASILEIRO: CRÔNICA DA RODADA 6
Pelo mestre internacional Luis Rodi

Nesta altura dos fatos, e ainda quando o torneio deve finalizar amanha, há que destacar a escolha de alojamento dos organizadores (a Federação de Xadrez de Espirito Santo, na figura de seu presidente Jonair Pontes e o vicepresidente de marketing, Claudio Ferreira). O hotel SESC em Guarapari –com uma estrutura que lembra muito os famosos campus universitários dos Estados Unidos- se está mostrando um cenário certo para um torneio de esta categoria. Os quartos, sem ser luxuosos, são amplos e limpos; as comidas estão bem planejadas com um equilíbrio nutricional evidente (e de boa qualidade). O único déficit é na área de internet –um problema comum nos hotéis deste porte-. A sala de jogo, como já escrevi, é cômoda, bem iluminada e com espaço adequado entre as mesas, que para esta oportunidade se distribuíram em dois setores, divididos por uma grande coluna: no setor esquerdo estão as primeiras nove mesas, enquanto as restantes se repartem no setor direito.
Entre as mesas, olhando tal o qual posição é comum ver ao presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, Pablyto Robert (e depois das rodadas jogando blitz com os árbitros). Aqui ele está além disso como diretor da prova, honra que fez deixar por uns dias seu trabalho de advogado do principal jornal de Vitória, a capital do estado de Espírito Santo (distante 51 kms. da cidade sede do torneio). Pablyto -um grande apaixonado pelo xadrez- foi o presidente da FESX antes de ser eleito como titular da CBX; de certo modo a realização desta semifinal no seu estado é também um logro seu.

Nos tabuleiros, o dia de chuva aporta para alguns empates mais ou menos rápidos –o mais veloz na mesa 1 entre Krikor Mekhitarian e Diego Di Berardino- e, nas principais mesas, outros bem mais longos, como o de Everaldo Matsuura com Luiz Abdalla –um dos últimos jogos em finalizar-. A tendência segue sendo de resultados abertos: tudo pode acontecer.
Quem melhor aproveita suas chances é o mestre internacional Evandro Barbosa, quem ao vencer sobre o seu colega Christian Toth se converte –pela primeira vez na prova- no líder isolado. Habemus Papam.
 
Barbosa,Evandro Amorim (2407) - Toth,Christian Endre (2360)
Guarapari  (6.2), 03.11.2012
1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.Bb5+ Bd7
 
Considerada a linha mais sólida contra a variante Moscou escolhida pelas brancas
 
4.Bxd7+ Dxd7 5.c4
 
A opção posicional, criando um esquema Maroczy onde a peça problemática das brancas -o bispo de casas claras- não está no tabuleiro. As brancas podem jogar também de forma "mais siciliana" com 5.0–0
 
5...Cc6 6.Cc3 g6 7.d4 cxd4 8.Cxd4 Bg7 9.Cde2
 
Esta retirada é a principal alternativa a linha principal 9.Be3, e está dando bons resultados estatísticos ás brancas
 
9...Cf6 10.f3 0–0 11.0–0 Tac8
 
11...a6 é também uma escolha usual dos condutores das pretas aqui
 
12.Bg5 h6 13.Bh4 g5 14.Bf2 e6
 
 
A novidade, possivelmente começando preparar ...d5 –eu suspeito que Toth está jogando sob influencia da partida Caruana – Anand, São Paulo 2012, copiando o plano do campeão mundial-. O problema é que as pretas não vão ter tempo disso... O antecedente é 14...Ce5 15.b3 Cg6? 16.Bxa7± Jiravorasuk - Ergehi, Bled ol 2002. As pretas, claro, podem melhorar com 15...a6; 14...g4!? entretanto, merece atenção
 
15.Dd2 Tfd8 16.Tfd1 De7 17.Tab1 b6 18.b3 Td7 19.Cd4
 
Com mais espaço e peças harmonicamente dispostas, a posição branca é preferível, porém as pretas têm suficientes recursos defensivos
 
19...Ce5 20.a4 Cc6 21.Cxc6 Txc6 22.Bd4 Ce8 23.Bxg7 Rxg7 24.De3 Tc5 25.Td2 Df6 26.Tbd1 De5 27.Td3 Tc8 28.Rh1
 
As brancas manobram com paciência. Considerando que a sua estrutura é melhor, os lances dão oportunidade às pretas para comprometer sua posição
 
28...f6?!
 
E o momento chega. O lance de peão enfraquece a formação preta. Talvez 28...Cf6!? seja a escolha mais adequada
 
29.Ce2! Rf8 30.Cd4±
 
 
As brancas ganharam a luta pela iniciativa no centro
 
30...Re7 31.g3 Tc5 32.Tg1
 
32.f4! de imediato teria sido forte; depois de 32...gxf4 33.gxf4 Dh5 as brancas têm posição estrategicamente ganha com 34.f5
 
32...Tc8 33.f4 Dc5 34.Df3 Cg7 35.f5 e5 36.Cc2 d5!?
 
Uma tentativa de contrajogo; 36...Rf7 37.Td5± é muito cômodo para o primeiro jogador
 
37.exd5 h5 38.Tgd1 g4 39.De4 Df2 40.Ce3
 
40.Cd4!? é também possível
 
40...Df3+ 41.Dxf3 gxf3 42.Rg1 Rd6 43.Te1 Te8 44.Rf2 e4 45.Td4 Tde7 46.b4+-
 
 
A maioria branca ganha protagonismo. Considerando que ela é de 4:2, a posição preta é delicada, possivelmente além de toda salvação
 
46...a5 47.c5+ bxc5 48.bxc5+ Rxc5 49.Tc4+ Rd6 50.Tc6+ Re5
 
50...Rd7 51.Tb1+-
 
51.d6 Tb7 52.Td1 Cxf5 53.Td5+ Re6 54.d7+ Rf7 55.dxe8D+
 
Um belo trabalho posicional do condutor das brancas 1–0
 
As chances de Evandro agora são boas; lhe deve alcançar um empate, porém há que ver se seu adversário concorda –o desempate não é uma ciência exata, e o meio ponto pode não alcançar para a classificação de Mendonça-. Vamos ter, pois, uma última rodada emocionante, com a maioria das partidas nas primeiras mesas se jogando. A matar ou morrer. Dez enxadristas, dependendo alguns de uma série de resultados favoráveis, têm ainda esperanças de acessar a final. Entre eles, os seis primeiros pré-classificados.
Como de costume, o leitor pode ter a informação ao minuto, no site da chess-results:
O emparceiramento, resultados a medida que vão finalizando os jogos, as mesmas partidas ao finalizar a prova e as posições.

Rodada 6 em Guarapari

Alguns dos protagonistas da penultima rodada da semifinal da região 1 do Campeonato Brasileiro que se realiza em Guarapari (Espirito Santo):
 
 
O árbitro internacional Pablyto Robert, presidente da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) é o diretor da prova. Aqui, observando os acontecimentos na mesa 2, que tem ao mestre internacional Christian Toth levando as peças pretas.
 
 
Mesa 1: o gm Krikor Mekhitarian leva as brancas contra o mi Diego di Berardino (foi um rápido empate)
 
 

 
Mesa 5: o MI Roberto Molina enfrenta Vitor Carneiro
 
 
Mesa 8: Paulo Vieira (ES) leva as brancas contra o paulista Ricardo Schutt
 
 
Mesa 10: O mf carioca Dirceu Viana contra o goiano Guilherme Rezende
 
 
Mesa 15: Helio Peixoto (ES) enfrentando Jerry Dibai (MG)

Nada está claro ainda

SEMIFINAL 1 DO CAMPEONATO BRASILEIRO: CRÔNICA DA RODADA 5
Pelo mestre internacional Luis Rodi

Vale a pena, para os que não conhecem Guarapari, dedicar algumas linhas a descrever esta bonita cidade capixaba na beira do oceano Atlántico, cortada em dois pelo rio  do mesmo nome com a singularidade de contar com praias no mar (de agua salgada) e no rio (de agua doce). Situada a algo mais de cinquenta quilômetros da capital do estado, Vitoria, Guarapari conta com algo mais de cem mil habitantes permanentes (na temporada de férias são muitas mais pessoas, como em toda cidade balnearia). Seu nome, de clara inspiração indígena, alimenta controvérsias entre os que afirmam que Guarapari significa “garça manca” e os que o traduzem como “armadilha de pássaros”. Grande parte da fama da cidade como destino turístico tem a ver com as propriedades medicinais das suas areias monazíticas. De geografia caprichosa, com infinidade de belas paisagens, culinária típica capixaba baseada em frutos de mar e a proverbial amabilidade de sua gente, os guaraparienses, esta é a cidade que alberga, até o dia de amanha, a semifinal da região 1 do 79º campeonato brasileiro de xadrez.
Hoje, Guarapari está sob os efeitos de uma pertinaz chuva, ao menos no horário da rodada. O clima ideal para um bom xadrez, e assim parecem concordar os protagonistas das primeiras mesas –nenhum empate rápido, ao menos até o Matsuura – Mekhitarian em 15 lances, porém (e um porém importante) após duas horas de jogo-.

O mestre internacional mineiro Evandro Barbosa obteve uma importante vitória, levando as pretas e em apenas 21 lances após uma abertura nada convencional:
Aranha Filho,Alvaro (2280) - Barbosa,Evandro (2407)
Guarapari (5.4), 03.11.2012


1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.f3
 
A ideia foi empregada com sucesso pelo campeão mundial Viswanathan Anand no seu match contra Boris Gelfand. As pretas geralmente escolhem entre jogar esquemas de Grünfeld com ...d5 -porém as brancas jogam e4 sem ter que trocar peça menor em c3- ou da Índia de Rei mediante ...d6. Nesse caso, o jogo pode transpor à variante Sämisch dessa defesa ou criar novas trilhas se as brancas preferem desenvolver o cavalo dama por a3. No entanto, o condutor das pretas tem outra ideia:
 
3...e5!?
 
 
O gambito Budapest diferido! Em casos, a fraqueza criada na diagonal e1–h4 pode justificar a entrega, que já foi utilizada por nomes como Carlsen, Van Wely, Leko ou Krasenkow
 
4.dxe5 Ch5
 
Ameaçando o xeque em h4. As brancas têm duas formas populares de combater ele; Álvaro opta pela menos usual
 
5.g3
 
5.Ch3 é a alternativa. Agora é usual a sequência 5...Cc6 6.Bg5 Be7 7.Bxe7 Dxe7 8.Cc3 Dxe5 onde as brancas escolhem entre 9.Dd2 d6 10.g4 (Grover - Grandelius, Chennai 2011) ou a imediata 9.g4 que depois de 9...Cg7 10.f4 De7 11.Cd5 Dd8 parece algo melhor para as brancas, embora os jogos Kramnik - Leko, Tilburg 1998 e Hillarp Persson - Carlsen, Malmö 2004 finalizaram com vitória preta
 
5...Cc6 6.e3N
 
Uma nova ideia, porém demasiada passiva. As brancas devem preferir 6.f4 -que é como continuara a maioria dos jogos-. Um exemplo é 6...d6 7.Bg2 Be6!? (a mais natural 7...Bg7 merece atenção) 8.Bxc6+ bxc6 9.Da4 dxe5 10.Dxc6+ Bd7 11.De4 Cf6 12.Dxe5+ Be7 e as pretas têm compensação, Magalashvili - Predojevic, Chalkidiki 2003
 
6...Cxe5 7.Be2 Bg7 8.f4 Cc6 9.Cf3
 
Uma alternativa possível é 9.Bxh5 gxh5 onde as pretas oferecem material a cambio de se adiantar no desenvolvimento e pressionar sobre os peões fracos em campo branco (fundamentalmente e3). A prova empírica: 10.Dxh5 Cb4 11.Ca3 (11.De2 d5 12.a3 Ca6 13.Bd2 0–0 é cômodo para o segundo jogador) 11...De7!? (11...Cd3+ também pode se considerar) 12.Cf3 Cd3+ 13.Re2 Cc5 e as pretas dispõem de adequada compensação
 
9...0–0 10.0–0 d6
 
 
As pretas saíram da abertura com posição preferível, devido a sua melhor estrutura e as peças mais ativas
 
11.Cc3 Te8 12.Dd2 Cf6 13.Te1 Bf5!
 
A melhor casa para esta peça, que toma controle da casa b1
 
14.Bd3
 
14.a3 Dd7 - As pretas comunicam suas torres enquanto não é simples fazer o mesmo com as peças brancas: os b4 são castigados mediante ...Ce4
 
14...Bg4 15.Cd4
 
Após este salto, a coluna e se abre em favor das pretas (com a ala dama sem desenvolver o jogo das brancas está atrapalhado) 15.Dg2!? com ligeira vantagem preta 
 
15...Cxd4 16.exd4 Dd7
 
 
As pretas têm clara vantagem
 
17.d5
 
17.b3 Cd5! com clara vantagem; 17.Txe8+ Txe8 18.b3 Cd5 19.Cb5 Dxb5 20.cxb5 Bxd4+ 21.Rg2 Ce3+ e as brancas têm que devolver a dama: 22.Dxe3 (22.Rg1 Cc2+ 23.Rg2 Ce1+ ganhando) 22...Bxe3 com clara vantagem
 
17...Bh3!–+ 18.Ce4
 
As brancas estão sem defesa, por exemplo 18.Bf1 Txe1 19.Dxe1 Te8 20.Df2 Bxf1 21.Dxf1 Cg4 com a ideia ...Bd4+ é decisiva
 
18...Cxe4 19.Bxe4 Dg4!?
 
Mais contundente teria sido a simples 19...Te7 onde uma possível continuação é 20.Bg2 Bd4+ 21.Rh1 Txe1+ 22.Dxe1 Te8 23.Dd2 Bxg2+ 24.Rxg2 Dg4 25.Dxd4 Te2+ 26.Df2 Txf2+ 27.Rxf2 Dd1–+ A impotente ala dama branca não pode enfrentar a dama
 
20.Te3?
 
Perdendo o elegante golpe tático que segue. Era necessária 20.Df2 se bem que as pretas conservam a vantagem continuando com 20...Te7 (20...b6!?) 21.Bg2 Tae8 22.Txe7 Txe7 23.Bxh3 Dxh3 24.Be3 Df5 com clara vantagem preta
 
 
20...Txe4! 21.Txe4 Df3
 
Não se pode defender f1, g2 e d4 ao mesmo tempo 0–1

A luta pelas quatro vagas, com os últimos resultados a vista promete ser dura. Após esta quinta rodada são seis os líderes: aos da rodada precedente, que empataram seus jogos (o grande mestre Krikor Mekhitarian, o mestre internacional Christian Toth e Mateus Mendonça) se adicionaram três enxadristas  que venceram seus jogos nesta tarde: o já mencionado Evandro Barbosa, o gaúcho Felipe Menna Barreto e o mestre internacional Diego Di Berardino, que realizou um bom trabalho posicional para vencer ao ex campeão brasileiro sênior Lincoln Lucena. Os seis líderes levam 4 pontos, enquanto os participantes com até um ponto a menos conservam ainda chances matemáticas. Em resumo, nada está claro aqui: nem o dia com céu cinza nem a classificação á final, que pode ser para qualquer um dos envolvidos.
A rodada 6 tem nas mesas principais os enfrentamentos Mekhitarian – Di Berardino, Barbosa – Toth, Mendonça – Mena Barreto, Abdalla – Matsuura e Molina – Carneiro.

Rodada 5 em Guarapari

Algumas fotos registradas na semifinal da região 1 que se realiza na cidade de Guarapari (ES):


O que espera aos vencedores


A mesa 1: mi Christian Toth enfrenta uma das revelações do torneio Mateus Nakajo Mendonça


Mesa 3: mi Diego di Berardino contra o mf Lincoln Lucena, ex campeão brasileiro senior


Mesa 9: mi Roberto Molina busca recuperar posições frente ao capixaba Rogerio Zanon Silveira


Mesa 11, duelo capixaba: Jorge Wilson da Rocha enfrenta Paulo Cesar Vieira


Na mesa 12, o ex campeão brasileiro senior Marcio Baeta enfrenta José Osorio


Mesa 13: Kleber Ferreira (RJ) - Helio Peixoto (ES)

 


Mesa 16: Jerry Dibai (Minas Gerais) - Ivo Arruda Filho (Espirito Santo)


Uma vista parcial da sala de jogo