domingo, 16 de setembro de 2012

São Paulo recebe ao melhor xadrez

 
Entre os dias 24 e 29 de setembro vai ter lugar a fase brasileira da final do Grand Slam, um dos mais fortes torneios do ano e que reúne a alguns dos melhores enxadristas do mundo. São seis os participantes, que se enfrentaram pelo sistema round robin a dupla volta (as revanchas vão acontecer na cidade espanhola de Bilbao entre os dias 8 e 13 de outubro). Quatro dos seis participantes já são conhecidos pelo público brasileiro:
* O campeão mundial Viswanathan Anand (Índia) na sua primeira presentação após reter o título mundial no match contra Boris Gelfand. Sem desafios pela corõa mundial à vista, Anand não precisa guardar muitos segredos na abertura e, a diferencia dos torneios onde participou antes do mencionado match com Gelfand pode dar o seu melhor nesta prova.
* O número 1 do ráting elo, Magnus Carlsen (Noruega), que este ano participou somente de três torneios pensados: Wijk aan Zee, o memorial Tal em Moscou e Biel; tem a motivação extra de superar o récorde de Kasparov (maior elo da história), do qual está muito perto.
* O número 2 do rating elo, Levon Aronian, recente vencedor nas olimpíadas de Istambul por partida dupla: com a sua equipe Armênia ganhou o ouro e também levou o prémio ao melhor primeiro tabuleiro.
* O representante espanhol Francisco Vallejo (foto). Muita diferencia de elo com os outros participantes, porém um competidor duro que sempre tira pontos a algum deles -sobretudo se se sentem obrigados a vencer de qualquer jeito ao participante de menos elo- e que joga partidas interessantes.
A nómina do ano passado se completava com Ivanchuk e Nakamura. este ano, entretanto, vão participar:
* Sergey Karjakin, no. 7 do mundo, nascido na Ucrânia porém representante da Rússia. Vem de realziar uma boa atuação nas olimpíadas, onde ganhou o bronze no terceiro tabuleiro (e prata com Rússia). Grande técnico, se destaca nas posições simples.
* Fabiano Caruana (Itália) a revelação deste 2012 após grandes atuações nos torneios de Reggio Emilia, Moscou e Dortmund. Um estudioso do xadrez que progride paulatina e sostenidamente.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Voltou problema da semana!!

Depois de tanta emoção olímpica, chega a vez de resolver algúm probleminha. Nesta oportunidad, se trata de um final composto pelo mestre Richard Reti no ano 1929, cuja posição original é a seguinte:
 
 
Uma ajuda adicional: Os primeiros lances são 1.Cc5! Rb4! [1...Cd6+ 2.Rc7! Cb5+ 3.Rc6 Ca7+ 4.Rb7 Cb5 5.Ce4 e as brancas ganham] 2.Rb6! Cd6
 
 
após os quais começa a sua tarefa, prezado leitor. Jogam as brancas e ganham. A solução, na próxima quarta 19



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um arremate brilhante de Ivanchuk

 
Na última rodada da olimpíada celebrada na cidade turca de Istambul, a Ucrânia enfrentou a até então líder China, que surprendia ao mundo se mantendo na primeira colocação junto com Armênia e Rússia. No primeiro tabuleiro, a bonita vitória de Vassily Ivanchuk (foto) sobre Wang Hao desbravou o caminho para a equipe ucrâniana, que finalmente venceu por 3 a 1 e acessou o bronze. Vejam o bonito arremate do jogo de Chuky:
 
Ivanchuk,V (2769) - Wang Hao (2726)
40th Olympiad Open Istanbul TUR (11.1), 09.09.2012

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 0–0 5.Bd3 d5 6.Cf3 b6 7.a3 Bxc3+ 8.bxc3  9.cxd5 cxd5 10.De2 Cc6 11.0–0 Ca5 12.a4 Te8 13.Ce5 Ce4 14.f3 Cd6 15.Ba3 Bb7 16.Bxd6  Dxd6 17.f4 g6 18.Dg4 Cc4 19.Dg3 Dc7 20.Bxc4 dxc4 21.f5 f6 22.fxg6! fxe5 23.Tf7 Dc6
 
 
Com ideia de devolver a peça sacrificando em g2, para trocar damas e tirar poder de fogo as brancas. No entanto, segue um bonito arremate. Ivanchuk, quando está inspirado, é um temível adversário!
 
24.gxh7+!!
 
Brilhante. As pretas podem oferecer alguma resistência em caso de 24.Taf1 Dxg2+ 25.Dxg2 Bxg2 26.gxh7+ Rh8 27.Rxg2±; ou 24.Txh7 Tf8 25.dxe5 Tf5 26.Td1±
 
24...Rxf7 25.Tf1+ Re7
 
 
26.h8D! Txh8
 
26...Dxg2+ 27.Dxg2 Bxg2 28.Dg7+ Rd8 29.Tf7 e pronto as brancas dão mate
 
27.Dg7+ Rd6
 
Ou 27...Rd8 28.Dxh8+ De8 (28...Rc7 29.Tf7+ ganhando) 29.Tf8+-
 
28.dxe5+
 
 
28...Rd5
 
28...Rc5 29.De7+ Rd5 30.Td1+ Re4 31.Dg5 e as brancas dão mate com Td4 ou Df4. Depois do lance do texto, e sem esperar resposta, as pretas rindem, pois recebem mate começando com 29.Td1+ (29...Re4 30.Dg5; 29...Rc5 30.De7+)  1–0

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Olimpíadas Escolares 2012

Ramyres Coelho (PE) ganha segundo título no xadrez das Olimpíadas Escolares (Foto: Heuler Andrey/AGIF/COB)
Ramyres Coelho (dir) é a bicampeã dos JJEE (12 à 14 anos) - Foto: Heuler Andrey (COB)

Acabam de finalizar, na bonita cidade mineira de Poços de Caldas, as atividades relacionadas com a modalidade xadrez das Olimpíadas Escolares 2012 (12 à 14 anos). O torneio principal, disputado em duas categorias (masculino e feminino) se realizou em cinco rodadas pelo sistema suíço durante os dias 7, 8 e 9, enquanto na tarde do dia 9 teve lugar a competência de xadrez rápido (blitz, com cada jogador contando cinco minutos para toda a partida). Organizou o Comité Olímpico Brasileiro, em conjunto com a Confederação Brasileira de Xadrez, sendo coordenador general o vice-presidente financeiro da última entidade, Prof. Charles Moura Netto, e coordenador de arbitragem o árbitro internacional Elcio Mourão.
Cada prova têm, a priori, seus favoritos de acordo ao rating internacional, medido em unidades elo. Geralmente, os primeiros lugares são alcançados pelos enxadristas com mais alto rating, que contam com mais experiência e logros esportivos. No entanto, ser favorito não implica que o torneio se ganhe antes de ser jogado, e surpresas podem aparecer. Em Poços de Caldas a categoria masculina foi justamente cenário de surpresas, porque nos primeiros lugares, além dos costumeiros favoritos foram-se posicionando alguns enxadristas sem rating, e inclusive um deles se apoderou do primeiro lugar! É por este tipo de sucessos que o xadrez é interessante e cada competência um mundo aparte.

Francisco Allyson da Silva Muniz, de Rio Grande do Norte, foi o justo vencedor da prova, com 4,5 unidades sobre 5 possíveis. Em alguns jogos teve que trabalhar duro para defender posições inferiores, mostrando bons recursos técnicos na tarefa, e quando teve a iniciativa –posicional ou tática- não a desperdiçou. Com os mesmos pontos porém inferior sistema desempate ganhou a medalha de prata Marcos Contrera Sakada, de Paraná. O bronze foi para Thiago Carstens Dobuchak, de Santa Catarina, que obteve 4 pontos. Compartilharam o quarto lugar quem era o máximo favorito nesta prova, Arquias Guimarães Cruz (São Paulo), Matheus Silva Marques (Pernambuco) e outro jogador sem rating, o representante de Poços de Caldas, Pedro Paulino, todos eles com 3,5 unidades. 28 enxadristas de todo o país, abarcando os 26 estados e o Distrito Federal, participaram desta prova.
Na categoria feminina, em cambio, a lógica se deu e a principal favorita, Ramyres Santana Coelho (Pernambuco) se fez com o primeiro lugar em impecável atuação: 5 em 5. Thiffani Nakata (São Paulo) levou a prata com 4 unidades, sendo o bronze para Vanessa Rodrigues (Ceará) que também obteve 4 pontos porém tinha inferior sistema desempate.

domingo, 9 de setembro de 2012

Brasil perde com Suécia, o ouro foi para Armênia

Infelizmente o Brasl não pudo repeter a atuação da anterior olimpíada de Khanty Mansiysk ao cair derrotada na última rodada na cidade de Istambul (Turquia) ante o time de Suécia. No que pode-se considerar literalmente um dia negativo para a equipe, os integrantes da verde-amarela fizeram a sua pior produção na prova -esses dias onde nada que fazemos resulta bom-, caindo por 3 a 1. Brasil ficou na posição 39.
Leitão perdeu o invito ante Grandelius, Milos em posição superior perdeu um golpe tático e foi derrotado por Carlsson, Leitão empatou rapidamente com Berg e Vescovi também divideu o ponto com Tikkanen. O jogo de Fier:
 
Berg,Emmanuel (2576) - Fier,Alexandr (2582)
Istambul ol (11), 09.09.2012
[Notas do MI Luis Rodi]

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cc6 5.Cc3 Dc7 6.Be3 a6 7.Dd2 Cf6 8.0–0–0 Be7 9.f3 0–0 10.g4 b5 11.g5 Ch5
 
 
Uma linha bem conhecida pelo grande mestre brasileiro, que a tem no seu repertório faz algúm tempo e experimentou muitas vezes na prática. O último lance de cavalo é uma verdadeira especialidade brasileira: Leitão, Mekhitarian e Diamant também têm ela entre as suas armas
 
12.Cce2 Td8
 
No seu tempo (2008) foi novidade de Leitão, logo incorporada na prática e teoria desta linha
 
13.Cg3
 
A linha principal. Fier tem um antecedente olímpico com vitória na continuação [13.f4 g6 14.Bg2 e5 15.fxe5 Cxe5 16.Thf1 Cc4 17.Dd3 Bb7 18.h4 Bf8 19.Bg1?! Te8³ Agopov - Fier, Khanty Mansiysk ol 2010
 
13...Cxd4 14.Bxd4
 
Assim foi jogado na partida inaugural da linha 12...Td8, porém hoje se considera crítica a outra captura: 14.Dxd4 onde 14...Cf4 15.h4 Bb7 16.Db6 Db8 17.Rb1 d5 18.Bxf4 Dxf4 19.Dxb7 Bc5 com compensação (Ni Hua - Fier, Moscou 2011) é a continuação de moda
 
14...Cf4 15.Be3
 
Posteriormente as brancas tentaram 15.h4 Bb7 16.Df2 Tdc8= Firat - Massoni, Batumi 2010
 
15...Bxg5 16.Ch5
 
O primeiro lance novo. O antecedente é 16.Tg1 f6 Aqui se declarou empate o jogo Mekhitarian - Leitão, Porto Alegre (Brasil ch) 2008
 
16...Cxh5 17.Bxg5 f6 18.Be3 d5
 
 
A "variante brasileira" da Taimanov mais uma vez supera a prova prática. As pretas não têm nem sombra de problema nesta posição
 
19.Df2 Bb7
 
19...Df7!? merece atenção
 
20.Bb6 Df4+ 21.Be3
 
 
21...Dc7
 
Os mestres repitem a posição e logo dividem o ponto. Merece atenção a alternativa 21...De5!? com a ideia 22.f4 (22.Bd4 Db8 23.Bb6 Tc8 e as pretas estão OK) 22...Dc7 23.Bb6 Dxf4+ 24.Dxf4 Cxf4 25.Bxd8 Txd8 26.exd5 Cxd5 27.Tg1 f5 com ligeira vantagem preta
 
22.Bb6 Df4+ 23.Be3 ½–½
 
O time de Armênia venceu Hungria pela mínima diferencia e acessou o ouro, aproveitando a derrota chinêsa ante Ucrânia (o time de Ivanchuk pegou o bronze). Rússia, que venceu de forma clara Alemanha (3x1) alcançou Armênia porém o sistema de desempate a relegou à medalha de prata.
No feminino, Brasil sofreu derrota ante República Tcheca (3x1). O único ponto positivo foi a vitória de Vanessa Feliciano sobre Eva Kulovana, ratificando seu muito bom momento. Nos restantes tabuleiros, derrotas de Terão, Guimarães e Chang. A equipe finalizou na posição 58.
Compartilharam o primeiro lugar Rússia e China, ganhando ouro as russas por melhor sistema desempate. O bronze foi para Ucrânia.

sábado, 8 de setembro de 2012

Antes da última rodada

 
A falta de somente uma rodada, a atuação da equipe de Brasil é semelhante a que tinha neste ponto na olimpíada anterior, realizada em Khanty Mansiysk (Rússia): posição 24, 13 pontos match e 25 nos tabuleiros aquela oportunidade contra posição 26, 13 pontos match e 23 pontos nos tabuleiros atual. Na Rússia, a equipe brasileira venceu Eslovénia pela mínima diferencia e alcançou a colocação 17; na Turquia, para acessar um lugar semelhante vai ter que derrotar Suécia, que nos papeis é uma seleção dura mas com elo médio inferior à brasileira.

Os destaques da equipe nórdica são os grandes mestres Nils Grandelius (7 em 10) e Hans Tikkanen (6 em 8). Mas uma visão comparativa mostra que eles não enfrentaram equipes tão duros quanto os brasileiros: Croácia foi o seu adversário melhor pré-classificado.

Uma vitória por bom margem -um 3x1, por exemplo- ofereceria Brasil uma colocação excelente. E ainda que tudo possa acontecer, acreditamos que o time brasileiro pode obter a vitória.

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No individual, a atuação da equipe brasileira é a seguinte, por ordem de tabuleiro:

* Rafael Leitão, 6 em 9 (+3 =6);
* Giovanni Vescovi, 4 em 8 (+2 =4 -2);
* Alexandr Fier, 4½ em 8 (+4 =1 -3);
* Gilberto Milos, 5½ em 9 (+3 =5 -1);
* Krikor Mekhitarian, 3 em 6 (+1 =4 -1).

Se manteve a tendência enunciada no prévio dia livre, com Leitão e Milos sendo os pontos fortes da equipe. No caso do primeiro tabuleiro, o seu resultado é muito bom considerando a qualidade dos adversários que teve que enfrentar (entre eles Michael Adams, Rustam Kasimdzhanov, Sergei Zhigalko e Yannick Pelletier).

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Na categoria feminina, o Brasil leva 11 pontos e se coloca na posição 46. Um ponto a mais que em Khanty Mansiysk e muitas colocaçoes por acima (na Rússia a equipe estava na posição 64), o que representa uma evidente melhora. De ganhar hoje seu match contra República Tcheca as garotas vão prota-gonizar uma das melhores atuações históricas do xadrez feminino brasileiro nas olimpíadas. É uma difícil missaõ: as tchecas estão melhor pré-classificadas. Seu destaque é Katerina Nemcova, no segundo tabuleiro, com 7½ em 10.
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No individual a atuação das brasileiras é a seguinte (por ordem de tabuleiro)
* Vanessa Feliciano, 7 em 9 (+5 =4);
* Juliana Terao, 6½ em 9 (+6 =1 -2);
* Vanessa Gazola, 1½ em 7 (+1 =1 -5);
* Artemis Guimarães, 4 em 8 (+3 =2 -3);
* Suzana Chang, 3 em 7 (+2 =2 -3)
Vanessa Feliciano (foto) aportou importantes pontos à equipe no primeiro tabuleiro; é a única que não teve derrotas (como Leitão na equipe absoluta) e somente cabe mencionar a sua atuação como sensacional.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Convincente vitória sobre México permite recuperar posições

O time de Brasil venceu hoje por 3 a 1 ao seu semelhante de México, em match onde os mestres sul-americanos tiraram vantagem já desde a abertura.
Como durante todo o resto da prova, Rafael Leitão foi um dos pontos fortes da equipe, ganhando com autoridade a um grande mestre -Leon Hoyos- que vinha fazendo uma boa olimpíada e obtendo resultados razoáveis contra oposição forte. O grande mestre brasileiro aplicou uma receta menos popular contra o gambito Volga -na linha principal com cxb5 e g3- porém efetiva e logo obteve vantagem. No momento crítico o seu adversário não pudo resolver os problemas da posição e ficou muito inferior, permitindo incluso uma bonita pseudo-entrega de dama do brasileiro para transpor a um final ganho.
No segundo tabuleiro o grande mestre Giovanni Vescovi equilibrou com certa facilidade, porém em determinado momento pareceu ficar sem plano e foi paulatinamente superado pelo seu colega Gonzalez Zamora. Uma pena porque depois da abertura parecia que o brasileiro podia obter como mínimo o empate.
Mais uma grande atuação de Gilberto Milos, ganhando com autoridade:
 
Milos,Gilberto (2593) - Gonzalez Garcia,Jose (2532)
Istambul ol (10), 07.09.2012
[Notas do MI Luis Rodi]

1.c4 Cf6 2.Cc3 e6 3.e4
 
O grande mestre brasileiro varia com relação ao seu jogo deste mesmo torneio contra o suíço Kurmann, onde empregou o lance 3.Cf3, de corte mais posicional
 
3...d5 4.e5 d4 5.exf6 dxc3 6.bxc3 Dxf6 7.Cf3
 
7.d4 é aqui mais popular, porém o lance feito por Milos é também muito empregado no nível magistral e apresenta boas estatísticas
 
7...c5 8.Bd3!?
 
 
Uma ideia pouco utilizada, porém com respaldo de conhecidos mestres como Jobava e Nakamura. Já o campeão mundial Anand, nesta posição, prefiriu a mais popular 8.d4
 
8...Bd7
 
As brancas estão obtendo bons resultados contra esta opção. Na prática se mostra mais crítica a ideia 8...Bd6 onde 9.0–0 (9.Be4!?) 9...Bd7 10.Be4 Bc6 11.Dc2 Bxe4 12.Dxe4 Cc6 deixa as pretas na beira do equilíbrio (Jobava - Riazantsev, Poikovsky 2010)
 
9.De2!
 
Por alguma razão o lance mais empregado é aqui 9.Be4, porém o quase inexplorado lance branco são, junto com a inédita 9.Tb1 as melhores apostas brancas
 
9...Bc6
 
Uma ideia nova. Se conhecia 9...Bd6 10.Be4 com ligeira vantagem branca, Rechlis - Golod, Ashdod 2003
 
10.Be4
 
10.Tb1 Cd7 11.Be4 com ligeira vantagem branca parece mais exata
 
10...Bxe4 11.Dxe4 Cc6 12.0–0 Dg6 13.De3 Td8
 
 
Aqui as pretas obtiveram contrajogo; a posição de repente é complexa e obriga Milos mostrar suas melhores qualidades
 
14.d4 Be7 15.Ba3 0–0
 
15...b6!? era a alternativa segura. Com a jogada do texto o mestre mexicano entrega um peão, se bem que vai ter compensação evidente
 
16.Bxc5 Bxc5 17.dxc5
 
 
A mã estrutura branca na ala de dama opera como compensação pelo ligeiro déficit material
 
17...Dg4!?
 
Ou 17...Dc2!? com compensação
 
18.De2 Ca5
 
18...Df5 é melhor forma de pressionar sobre os peões triplicados na coluna c
 
19.Tab1 Tc8 20.h3 Df4
 
20...Dxc4 21.Dxc4 Cxc4 22.Txb7 a6 23.Td1 Txc5 24.Tdd7 com ligeira vantagem branca
 
21.g3 Dc7 22.Cg5!
 
As brancas têm vantagem. O lance de Milos marca o inicio das operações bélicas sobre o roque preto, que apresenta falta de peças defensoras
 
22...Dxc5 23.Tb5 Dc7 24.De4 g6 25.Dh4 h5 26.Ce4 f5 27.Cg5
 
 
Como resultado das ações prévias, a cobertura do rei preto teve que se enfraquecer e as peças brancas se ativaram em direção ao setor onde se acha justamente o rei adversário
 
27...Cxc4
 
27...a6 28.Cxe6 Dd6 29.Txa5 Dxe6 30.Td5 com ligeira vantagem branca
 
28.Cxe6 Dc6 29.Cd4!?
 
29.Cxf8 é a alternativa, onde depois de 29...Txf8 30.Txb7! Ce3!? (30...Dxb7 31.Dxc4+ Df7 32.Df4±) as brancas dispõem de uma manobra que lembra a do famoso jogo Steinitz - von Bardeleben: 31.Tg7+ Rh8 32.Th7+ Rg8 33.Th8+ Rxh8 34.Dd4+ Df6 35.fxe3 com ligeira vantagem
 
29...De4?!
 
Melhor 29...Dd7 30.Dg5 com iniciativa branca
 
30.Dg5 f4?
 
O erro decisivo. 30...Rh7 31.f3 De3+ 32.Dxe3 Cxe3 33.Txb7+ Rh6 34.Te1 Txc3 35.h4 com ligeira vantagem branca
 
31.f3
 
Ou também 31.Cf5!+-
 
31...De3+ 32.Rh1+- Dd3 33.Tg1 Cd6
 
33...fxg3 34.Dxg3+-
 
34.Dd5+ Cf7 35.gxf4! Rh8 36.Txb7 Tcd8
 
 
A partir deste ponto, o arremate de Milos é correto e elegante
 
37.De6 Td6 38.De7 Rg8 39.f5 Txd4 40.Txg6+ Rh7 41.Th6+! Rxh6 42.Dxf8+ Rg5 43.Dg7+ 1–0

No quarto tabuleiro, e depois de muitos empates Krikor Mekhitarian obteve uma merecida vitória, não sem drama e sofrimentos devidos aos apuros de tempo, fase na qual ambos os mestres cometeram imprecisões. Felizmente, o representante brasileiro fez a penúltima!
A falta de uma rodada, são três os líderes: China -venceu pela mínima a Estados Unidos-, Rússia -teve que se esforçar para vencer pela mínima a Argentina- e Armênia -derrotou 3x 1 a Holanda, equipe que depois de um começo ruim tinha-se recuperado e ameaçava as posições de vanguardia-.
No feminino, o Brasil sofreu uma dura derrota ante Suécia por 3,5 a 0,5. Vanessa Feliciano, ratificando o seu bom momento foi a autora do meio ponto que salvou o honor da equipe.