quinta-feira, 26 de julho de 2012

O problema da semana

Na olimpíada de Skopje, na ex Iugôslavia, alguns fortes participantes foram apresentados com o seguinte problema:


Se trata de uma obra do compositor iugôslavo Djaja, onde as brancas jogam e empatam. Por mais de meia hora, mestres como Paul Keres, Lothar Schmid, Robert e Donald Byrne, Jan Donner e Arthur Bisguier tentaram o resolver, sem sucesso.
OK, você tem algo mais de tempo: publicaremos a solução na próxima terça, 31 de julho.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma baixa em Biel


"Talentoso, mas instável" Provavelmente assim os livros de xadrez vão definir Morozevich no século XXII, tal qual hoje vemos escrito de mestres como David Janowski. É que Alexander Morozevich (na foto) acaba de brindar um argumento aos que assim pensam dele, ao abandonar -OK, a explicação oficial é razões médicas- o torneio de grandes mestres de Biel após duas derrotas -a segunda delas, uma pintura de Bacrot no gambito Marshall da Eslava-.
Enxadristas recebem derrotas duras de forma diferente. Alguns -pode ser o caso de Morozevich- somatizam ao extremo de não poder continuar a luta nas melhores condições. Uma pena, pelo aporte que a originalidade e qualidade do jogo deste mestre russo significavam para este torneio de Biel, que além dele conta com a presencia estelar do número 1 do rating elo, Magnus Carlsen -a quem devia enfrentar hoje Morozevich- e do idolo americano Hikaru Nakamura.
A organização da prova confirmou que o reemplazante de Morozevich é o grande mestre moldavo Victor Bologan. O jogo de hoje (agora Bologan - Carlsen) foi posposto até o domingo 29. No entanto, os que correspondiam as rodadas 1 e 2 não vão ser realizados, mantendo Giri e Bacrot os pontos pela vitória que eles obtiveram ante Morozevich.
Nestas horas se realiza a rodada 3, com os enfrentamentos entre Giri e Bacrot e Wang Hao - Nakamura. O torneio é liderado, após duas rodadas, por Magnus Carlsen e Anish Giri, com 4 pontos cada um (uma vitória e um empate; a prova outorga três pontos por jogo ganho e um pelo empate).

terça-feira, 24 de julho de 2012

As chinêsas mandam no xadrez feminino

InterviewwithJuwenjun.jpg

Nos anos cinquenta e até bem entrados os oitenta, com a única excepção de Bobby Fischer, o xadrez soviético era potencia mundial, ao extremo que desafios entre eles e o resto do mundo eram organizados -com vitória invariável para os soviéticos-. Depois da queda do muro de Berlim e as mudanças políticas no mundo comunista, o xadrez se converteu em negócio universal. A aparição de novas tecnologías permiteu que os conhecimentos possam se adquirir em qualquer canto do mundo e logo tevemos enxadristas de grande nível de países que antes não integravam a elite do xadrez, como a India ou Noruega.
No entanto, no xadrez feminino se prodúz um fenomeno único: as enxadristas de um país (China) começaram dominar o cenário, ganhando torneio após outro, pegando títulos mundiais e chegando ao presente onde dominam as provas com margem folgado.
Basta com ver os números, produzida a metade da prova, do torneio que se realzia em Jermuk, Armênia, onde o podio completo é ocupado pelas chinêsas: lidera a mestre internacional Ju Wenjun (na foto) seguida pela campeã mundial Hou Yifan e outra jovem promessa: Ruan Lufei.
Curiosamente, os extraordinários resultados que a China teve no xadrez feminino não se veram reflexados no xadrez masculino -não há receitas universais- mas se consideramos que nos últimos vinte anos as chinêsas dominaram o cenário enxadrístico, não está na hora de aprender um pouco com elas, estudando os seus métodos de treino, como se realiza o fomento da prática entre as garotas e seus programas de estudo?

domingo, 22 de julho de 2012

Caruana vence em Dortmund

Fabiano Caruana

O rei de Dortmund, Vladimir I, teve que ceder, este ano, o prezado trono a mãos do seu colega grande mestre Fabiano Caruana (na foto). O momento decisivo da transição foi na rodada 8, quando o italiano venceu Kramnik mostrando boa técnica numa Ruy Lopez Berlinense (na variante 4.d3) e se adicionou a mais quatro mestres -Karjakin, Ponomariov, Naiditsch e Leko-, compartilhando todos o primeiro lugar -com Kramnik a meio ponto-.
Na última rodada, celebrada hoje, Leko e Naiditsch empataram entre se, Ponomariov não pudo vencer Fridman e Karjakin venceu -como era esperado, tendo em conta o mau torneio do seu adversário- Gustafsson.
Caruana, levando as pretas, tinha que derrotar Bartel. O polonês também não estava no seu melhor torneio, porém escolheu uma variante da Grünfeld conhecida por a sua tendência ao equilíbrio. No entanto, o italiano mostrou melhor conhecimento das sutileças da posição, e quando o condutor das brancas ingressou numa linha duvidosa (15.Tc7 em vez da mais habitual 15.Bb4) explorou as suas chances de forma convincente.

Bartel,Mat (2674) - Caruana,F (2775)
40th GM Dortmund GER (9), 22.07.2012
1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cxd5 Cxd5 5.e4 Cxc3 6.bxc3 Bg7 7.Cf3 c5 8.Tb1 0–0 9.Be2 cxd4 10.cxd4 Da5+ 11.Dd2 Dxd2+ 12.Bxd2 e6 13.0–0 b6 14.Tbc1 Bb7 15.Tc7 Bxe4 16.Cg5 Bd5 17.Bb4 Td8 18.Bb5 a6 19.Cxf7


19...axb5 20.Cxd8 Ca6 21.Txg7+ Rxg7 22.Be7 b4 23.Tc1 Bxa2 24.Tc6 b5 25.h4 b3 26.Ba3 Cb4 27.Cxe6+ Rg8 0–1
Fabiano Caruana merecia uma vitória desta magnitud. Essa que, nos últimos torneios, tinha-se escapulido dos dedos no ultimissimo momento. Em Dortmund, o jovem representante italiano foi capaz de se manter no mais alto até o mesmo final, com este triunfo de laboratório na última rodada. Sergey Karjakin obteve os mesmos pontos, porém o sistema desempate favoreceu ao mestre italiano. Meio ponto menos obtiveram Ponomariov, Kramnik -se recuperou na última rodadas com bela aprtida de ataque ante Meier-, Naiditsch -uma muito boa atuação do mestre alemão- e Leko.

sábado, 21 de julho de 2012

Momento olímpico

Pelo MI Luis Rodi

Alguns são mais amateurs que outros. Desde a concretização dos primeiros jogos olímpicos da era moderna (na Grécia, no ano 1896) uma separação quase fanática entre esportistas amateurs e profesionais foi feita, razão pela qual o xadrez não integra as disciplinas que vão se apresentar em Londres e outras cidades da Grã Bretanha nestas próximas olimpíadas -para mim começam, no pessoal, o dia 26, com o jogo de futebol entre o meu país Uruguai e os Emiratos Árabes-.
Apesar de se realizar cada tempo algúm acercamento entre o Comité Olímpico Internacional e FIDE, e além de alguma experiência piloto como a acontecida em Sidney -bastante leve por certo- ou a absurda exigencia do controle antidoping para enxadristas que chegou se realizar em torneios oficiais -penso que mais preocupante que qualquer sustancia natural de doping é o controle dos elementos tecnológicos que podem ser utilizados para fazer trampas, por exemplo ligando um telefono celular no banheiro para colocar uma posição e pedir dicas aos engines-, os passos não deram certo e o nosso esporte segue fora das olimpíadas.
Xadrez foi sempre signado pelo profesionalismo. Para você chegar a certo nível precisa de estudo que não representa menos horas que as que se requerem para um título univesitário em direito ou medicina. É obvio que quem chega a figurar entre os melhores do mundo precisa uma dedicação cen por cento aos trabalhos relacionados com o aperfeiçoamento do seu xadrez. Isso desde os tempos de Steinitz. Amateurs? Se consideramos como tais aos que priorizaram o desempenho em outra profesão, posso citar Tarrasch, Vidmar e Euwe. Hoje é difícil achar um. Não entre os primeiros rankeados no mundo, por certo.
O COI renega del vil profesionalismo dos enxadristas, que dedicam todo seu tempo a melhorar seu xadrez... para ganhar mais dinhero? Nas suas olimpíadas não podemos ver um José Cubas defendendo Paraguai, nem Georg von Bülow sob bandeira alemã. Eles não vão estar em Londres, e também não José Chauca de Perú, que paga, como os outros, os pecados de sua vida de enxadrista profesional.
Em Londres só teremos amateurs compitendo, assim como gosta o COI. Mens sana in corpore sano. Neymar, por exemplo, o meu compatriota Luisito Suárez. Nadal, se a sua inoportuna lesão não tivesse acontecido. Entre varios outros que nenhúm ofenderia acusando-os malamente de "profesionais".

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um jogo fabuloso em Amsterdam


O ACP Golden Classic está chegando ao seu fim na cidade holandesa, com o ucrâniano Vassily Ivanchuk na liderança porém com Gata Kamsky -nascido na Rússia, atual representante dos Estados Unidos- pudendo alcança-lo em caso de obter os suficientes pontos na sessão de jogos suspendidos.
Um dos pontos altos da prova foi a batalha tática registrada no jogo entre a eslovena Anna Muzychuk -uma das melhores mestres femininas do momento- e o presidente da ACP, o israelí Emil Sutovsky (ambos na foto). Trata-se de uma dessas partidas onde a cada lance o público troca a sua avaliação acerca de quem vai vencer. Passem e vejam...



Muzychuk,Anna (2606) - Sutovsky,Emil (2687)

ACP Golden Classic Amsterdam NED (5), 19.07.2012



1.e4 c6 2.d4 d5 3.e5 Bf5 4.h4 h6 5.g4 Be4 6.f3 Bh7 7.e6 Dd6 8.exf7+ Rxf7 9.f4!


Lutando pela iniciativa ao tempo que se elimina a possibilidade de xeque em g3. Aqui menos exata é 9.Bd3 por 9...e5! onde as pretas aspiram ganhar a iniciativa

9...Cf6 10.Bh3 c5 11.g5 N hxg5 12.hxg5 Ce4

Com chances para os dois lados. As brancas têm o acostumado ganho espacial na ala de rei, e o seu rei pode ter mais segurança, mas a falta de desenvolvimento desse lado equipara as ações. Considerando este item, pode-se esperar um lance como 13.Cf3, porém a seguinte cria ainda mais complicações

13.Bc8 Cc6 14.Bxb7 De6 15.Ce2 Tb8

15...Cxd4 é a alternativa, levando também a posições caóticas na continuação 16.Cxd4 cxd4 17.De2 Tb8 Uma continuação especialmente maluca é 18.g6+ Dxg6 (18...Rxg6!?) 19.Bxd5+ e6 20.Bxe4 Bb4+ 21.Bd2 Dxe4 22.Dxe4 Bxe4 23.Txh8 Txh8 24.Bxb4 Th1+ 25.Rf2 Th2+ 26.Rg3 Tg2+ 27.Rh3 Tg1 com compensação

16.Bxc6 Dxc6 17.f5 g6 18.Cf4 Bg7


19.Txh7!?

Muito tentadora. Uma opção evolutiva é 19.Df3!? para Cc3 e desenvolver antes de lançar o ataque

19...Txh7 20.fxg6+ Dxg6

As pretas contavam com esta defesa. A dama não deveria ser capturada por ...Th1+ que é incluso favorável ao segundo lado após 22.Re2 Txd1, porém depois do seguinte crítico lance Sutovsky tinha que ter prevista uma resposta valedera

21.Df3 Tf8!!


22.Cd2!

De repente a posição branca, com o rei sem muita cobertura, não é fácil. Muzychuk realiza o melhor lance (nunca é tarde para desenvolver!) 22.Cxg6+? Rxg6 e apesar do desequilibrio material as pretas estão melhores! Algumas linhas são: 23.Dg2 (23.Bf4 Th4 24.Cc3 Tfxf4 25.Dg2 Tf2–+) 23...Bxd4 24.Cd2 Tf2 25.Dxf2 Bxf2+ 26.Re2 Cxd2 27.Bxd2 Th2 com clara vantagem preta

22...Dxg5 23.Cxe4 Dg1+ 24.Re2 Th2 25.Cf2 Rg8 26.Dxd5+ Tf7 27.Da8+ Tf8

Depois de tantas aventuras, as pretas se manifestam em favor da divisão do ponto. Uma real luta sem quartel podia se dar na continuação 27...Bf8!? 28.Df3 e6 porém é entendível que as pretas não arrisquem em tão inflamável posição

28.Dd5+ Tf7 29.Da8+ Tf8 30.Dd5+ Tf7 31.Da8+

Uma partida fora do comúm! A mesma pode-se ver comentada amplamente na nossa edição para assinantes de Xadrez Diário ½–½

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sempre Bobby Fischer


Dias trás o presidente da Fexerj, Alberto Mascarenhas, chamou a nossa atenção sobre um artigo (em idioma inglês) publicado originalmente no Pacific Standard website e reproduzido no site Chessville, sob o título "uma autopsia psicológica de Bobby Fischer", feito pelo doutor Joseph Ponterotto.
O artigo do site enxadrístico pode-se ver no seguinte link:
E o artigo original (dezembro de 2010) no link:

Dr. Ponterotto opina que a história familiar de Fischer predispús ele a um desorden paranoico da personalidade. "Bobby não tinha figura paterna e talvez nem siquer soube quem era seu pae até mais tarde na sua vida; foi sustentado por uma mãe solteira que experimentava problemas financieros e sofria estresse pela vigilancia que era objeto pelo FBI. Estas circunstancias se adicionaram ao nivel de estresse psicosocial de Bobby e aumentaram a sua vulnerabilidade à doencias mentais, enquanto o seu estatus de celebridade e a incessante pressão mediática somente ampliaram o problema".
O artigo comenta sobre a quase segura paternidade de Paul Nemenyi -o ex esposo de Regina Wender, a mãe de Bobby, nunca pissou solo estadounidense-. O parecido físico entre ambos é evidente:


Parecido também evidenciado nas descrições que o FBI fizera de Nemenyi -a quem espionavam convencidos de ter simpatías com a União Soviética-, onde se indicam sua forma desproporcionada de caminhar e seu descuido na vestimenta, assim como a sua inteligencia fora do comúm.
Desde os primeiros anos, os colegas de Fischer lhe reconheciam como uma pessoa com problemas psíquicos. O grande mestre Pal Benko, por exemplo, expresa que "eu não sou psiquiatra, porém é obvio que ele não era uma pessoa normal... certa vez eu diz para ele ´você está paranoico´ e ele me respondeu que ´paranoicos podem também ter razão´".
O Dr. Ponterotto acaba de publicar o livro "A Psychobiography of Bobby Fischer" (Charles C Thomas publisher, 2012). Nele, o autor traça um paralelo com a vida de outro malogrado genio americano: Paul Morphy.