segunda-feira, 21 de maio de 2012

Anand se recupera com uma miniatura!


O match pelo título mundial entre Viswanathan Anand e Boris Gelfand, em marcha na cidade de Moscou, está agora empatado após uma sensacional vitória do campeão mundial.
Anand venceu em somente 17 lances, uma miniatura -acontecimento não visto faz muito tempo neste tipo de competencia-. O indiano acertou na escolha da abertura -o esquema 3.f3 que já na terceira partida tinha oferecido chances-, variando o desafiante no terceiro lance -3...c5 em vez de 3...d5-. A modificação feita outorga à posição semelhanças com os esquemas da Índia do Rei -as brancas, para evitar transposições à variante Sämisch dessa defesa adotaram um esquema com Ce2,Cec3-. Desde a abertura, o jogo ganhou um caráter complexo, que requeria de permanente cálculo. Qualquer erro podia estragar tudo, e finalmente foi o israelí quem o realizou. Na posição final, a sua dama fica engaiolada, e a perda de material é inevitável.

Anand,Viswanathan (2799) - Gelfand,Boris (2739)
WCh 2012 Moscow RUS (8), 21.05.2012
1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.f3 c5 4.d5 d6 5.e4 Bg7 6.Ce2 0–0 7.Cec3 Ch5 8.Bg5 Bf6 9.Bxf6 exf6 10.Dd2 f5


11.exf5 Bxf5 12.g4 Te8+ 13.Rd1 Bxb1 14.Txb1 Df6 15.gxh5 Dxf3+ 16.Rc2 Dxh1 17.Df2


1–0
O encontro, a falta de quatro jogos, está agora empatado em 4 pontos. Amanhá é o quarto dia livre; a nona partida vai se realizar na próxima quarta feira (tudo com quatro). 

domingo, 20 de maio de 2012

Gelfand vence no sétimo jogo!

A segunda metade do match pelo título mundial entre o campeão Viswanathan Anand e o desafiante Boris Gelfand começou com uma vitória deste último, que finalmente logro quebrar a até agora sólido esquema eslavo do mestre indiano.
Gelfand empregou nesta oportunidade um novo sistema na tentativa de refutar o jogo de Anand, mudando com o lance 6.c5 que, a diferencia dos jogos prévios com as mesmas cores, não produz uma simplificação central na esperança de explorar as peças mais ativas; neste caso as brancas pretendem com base a ligeira vantagem de espaço obter as melhores chances.
O campeão mundial, diferente também dos outros jogos onde levou as pretas, empregou ideias estratégicamente arriscadas, saindo da abertura com uma posição inferior. Após o lance 18, as suas peças tinham uma pobre coordenação, enquanto as brancas se apoderavam da iniciativa dobrando as suas torres pela coluna c -via utilizada posteriormente para a invasão decisiva-.
Possivelmente em procura de contrajogo, Anand enfraqueceu ainda mais a sua posição ao jogar 23...g5 (no seu lugar, a mais cauta 23...Cdf6 era possível), e depois da troca de damas introduzida pelo lance 24.Dc7! ficou evidente que as brancas tinham uma clara vantagem devido as suas mais ativas peças e as chances de explorar as debilidades da posição preta.

Gelfand,Boris (2739) - Anand,Viswanathan (2799)
WCh 2012 Moscow RUS (7), 20.05.2012
1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cc3 Cf6 4.e3 e6 5.Cf3 a6 6.c5 Cbd7 7.Dc2 b6 8.cxb6 Cxb6 9.Bd2 c5 10.Tc1 cxd4 11.exd4 Bd6 12.Bg5 0–0 13.Bd3 h6 14.Bh4 Bb7 15.0–0 Db8 16.Bg3 Tc8 17.De2 Bxg3 18.hxg3 Dd6


19.Tc2 Cbd7 20.Tfc1 Tab8 21.Ca4 Ce4 22.Txc8+ Bxc8 23.Dc2 g5


24.Dc7 Dxc7 25.Txc7 f6 26.Bxe4 dxe4 27.Cd2 f5 28.Cc4 Cf6 29.Cc5 Cd5 30.Ta7 Cb4 31.Ce5 Cc2 32.Cc6 Txb2 33.Tc7


33...Tb1+ 34.Rh2 e3 35.Txc8+ Rh7 36.Tc7+ Rh8 37.Ce5 e2 38.Cxe6 1–0

No final, não ajuda 38...Th1+ 39.Rxh1 e1=D+ 40.Rh2 onde as pretas devem entregar a dama (ficando com torre a menos) para evitar o mate branco.
Amanha 21 se desenvolve a oitava partida do match, com Anand levando as brancas. A definição produzida na presente partida sem dúvidas muda toda a estratégia e planejamento do match dos dois competidores, obrigando ao campeão mundial a obter uma vitória para equilibrar o encontro, pelo qual se supõe que a partir de hoje vamos ver um xadrez muito mais agressivo e com mais riscos no tabuleiro.
O placar é agora: Gelfand 4 x Anand 3, a falta de cinco jogos.

sábado, 19 de maio de 2012

Razões estratégicas


O campeonato mundial de xadrez, celebrado na cidade de Moscou entre o campeão Viswanathan Anand e o seu desafiante Boris Gelfand, chegado à metade das partidas previstas, se mostra equilibrado. Seis jogos, seis empates. Com excepção do terceiro deles, onde as brancas (levadas nesse caso por Anand) chegaram a ter uma vantagem evidente no pré-final, nas outras o mesmo cenário aconteceu: as brancas tiveram uma iniciativa de abertura (lembram dos tempos nos quais se falava da tradicional vantagem de abertura das brancas?) que, no entanto, nunca chegou ser suficiente para alcançar uma vantagem que permita ao menos sonhar com o ponto. Pode ser um bom resumo o efetuado por Gelfand após um desses jogos: "Eu não podia siquer imaginar como ameaçar a criação de uma ameaça nessa posição".
Como acontece nestes casos (ainda longe da cadeia de empates de, por exemplo, o primeiro match Karpov - Kasparov), a sucessão de empates trouxe vozes discordantes, sendo a mais estridente a do ex campeão mundial Garri Kasparov, que ontem afirmou que o match não era interessante e que Anand tinha perdido a motivação. O interesse, claro, é de acordo ao olhar de cada um. Outro ex campeão mundial, Tigran Petrosian, tinha uma frase famosa para o caso: "Eu posso ser mais interessante... e também perder!"
Evidentemente, tanto Anand quanto Gelfand têm as suas razões estratégicas para manter a luta neste estado. Em definitiva, o importante no match é ganhar sumando mais pontos que o adversário no correr dos doze jogos, e a vitória por um ponto envolve o mesmo que outra mais ampla. Parece que ambos os grandes mestres elaboraram uma política -por razões que devem ter analisado durante os meses prévios com profundidade- de risco zero, visando a exploração das vantagens que a abertura de brancas possa outorgar e a conjuração de qualquer atividade adversária quando estão do lado preto do tabuleiro.
Os nossos protagonistas acreditam que essa é a melhor estrategia considerando o momento, a circunstância e o adversário. Não parece lógico comparar o segundo elemento com o do match amistoso Kramnik - Aronian como o faz Kasparov. A motivação e os premios são muito diferentes. Também não parece útil compararao nível possível dos participantes deste encontro -com base nos jogos- com o de jogadores com alto elo como Aronian ou Carlsen -como também sinala Kasparov-. Para saber que podem fazer estes mestres no lugar de Gelfand, legítimo vencedor do último candidatura, ou Anand, legítimo e exclusivo campeão do mundo, há uma maneira de averigua-lo: vencer o próximo candidatura. Depois, se um jogo é mais ou menos aberto ou interessante desde o ponto de vista do público, pode ser conversa fiada ou questão de estilo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Anand e Gelfand chegam à metade do match empatando (3x3)


A sexta partida do match entre o campeão mundial Viswanathan Anand e Boris Gelfand (foto) acabou num novo empate -o sexto consecutivo- levando o desafiante as peças brancas. O jogo se desenvolveu na mesma linha que nas partidas prévias onde o indiano levou as pretas, porém esta vez o representante israelí empregou uma continuação diferente (6.Dc2). Como nos anteriores jogos com esta variante, as brancas obtiveram uma pequena iniciativa, embora ela demonstrou não ser suficiente. A partida, com um resumo dos comentários ao jogo da edição de amanha do Xadrez Diário pode-se ver a continuação:



Gelfand,Boris (2739) - Anand,Viswanathan (2799)
WCh 2012 Moscow RUS (6), 18.05.2012


[Notas tomadas dos comentários do MI Luis Rodi]

1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cc3 Cf6 4.e3 e6 5.Cf3 a6

Tendo em conta que os anteriores jogos (a 2a. e 4a. partidas do match) com esta variante foram empates relativamente cômodos para as pretas, o campeão mundial não ve necessidade de mudanças. Entretanto, quem muda é Gelfand, reemplazando o 6.b3 dos jogos prévios pelo seguinte lance, mais dentro do espíritu do sistema anti-Merano da Semieslava

6.Dc2 c5


Esta é a principal réplica, com mais de 400 jogos na minha base! (apesar de não se achar facilmente nos livros de teoria) Num primeiro olhar, o tratamento preto é devagar: esse lado avança o peão c em dois tempos e ainda assim "perde" um tempo no lance ...a6 em vez de desenvolver! Na era classica um jogo assim requeria uma rápida refutação -e recebia as seguras críticas dos formadores de opinão- porém o xadrez é uma atividade muito dinámica e ampla, onde praticamente cada ideia tem o seu lugar sob o sol. Na ordem que segue o jogo, as brancas foram privadas do desenvolvimento ativo do bispo dama (como acontece se as pretas tentam poupar o lance ...c6 e ingressam em posição semelhante desde o Gambito de Dama declinado) ao tempo que comprometeram sua dama na casa c2, onde pode ficar no futuro sob olhar da torre dama preta. O lance ...a6, entretanto, permite o típico contrajogo Merano com base na sequência ...dxc4, b5 -que as brancas evitam com o seu seguinte lance-

7.cxd5 exd5 8.Be2

Na base de dados, há 216 jogos com esta posição, com as brancas mostrando uma estatística razoável (53,9%, semelhante ao que obtém nas linhas principais de qualquer abertura clássica), o que em definitiva pode encorajar a utilização deste tipo de esquemas desde o lado preto! (sim, o nome de variante Anand para este esquema, por ser o mestre indiano o primeiro em emprega-lo de forma constante em jogos de tanta responsabilidade parece adequado)

8...Be6 9.0–0 Cc6 10.Td1 cxd4 11.Cxd4

Naturalmente. As esperanças brancas estão relacionadas com a possibilidade de explorar o peão isolado das pretas nesta posição

11...Cxd4 12.Txd4 Bc5 13.Td1 De7 14.Bf3 0–0


Uma difícil decisão -possivelmente tomada no laboratório caseiro do campeão mundial- que envolve a entrega do peão d5, procurando compensação ativa pelo mesmo em vez de proceder a sua defesa utilizando peças que ficam pasivas. Não sem surpresa é a novidade teórica do jogo, tentando fazer a vida preta mais fácil que na anteriormente jogada e natural 14...Td8 onde 15.b3 (15.Da4+ é também possível) 15...0–0 16.Bb2 Tc8 17.Cxd5 Bxd5 18.Bxd5 Bxe3 19.De2 Cxd5 20.Txd5 Bg5 (20...Bc5 parece melhor ideia, por exemplo 21.Te5 Dd6 22.Td1 Db6 com equilíbrio aproximado) 21.Te5 Df6 22.Te1 é algo melhor para as brancas 

15.Cxd5 Bxd5 16.Bxd5 Cxd5 17.Txd5 Tac8

A posição crítica da partida. Podem as brancas manter o peão de vantagem e ao mesmo tempo solucionar o desenvolvimento da sua ala dama?

18.Bd2

Gelfand da resposta negativa a pergunta prévia ou, mais provavelmente, ele não deseja se introduzir numa linha que deve ter sido muito bem preparada pelo adversário na calma do analises caseiro. Com tempo, para uma futura possibilidade, ele pode estudar as consequências do lance crítico 18.De2

18...Bxe3 19.Bc3 Bb6

Por diferente caminho, o jogo chegou a um cenário comúm neste match: estrutura simétrica, ligeira iniciativa branca pelas peças algo mais ativas

20.Df5 De6 21.Df3 f6 22.h4 Dc6


Anand prepara simplificações, considerando que ainda nas posições com estrutura deteriorada o pouco material presente vai outorgar excelentes chances de empate

23.h5

A última tentativa: utilizando a vantagem de espaço, as brancas tentam provocar algúm debilitamento no campo das pretas (por exemplo ...h6, onde as casas brancas no setor ficam fracas)

23...Tfd8

A solução mais simples

24.Txd8+ Txd8 25.Dxc6 bxc6

No final, alguma vantagem teórica tem as brancas devido aos peões isolados no campo preto, porém o segundo lado deve contar com recursos defensivos suficientes (o seu bem colocado bispo oferece contrajogo adequado)

26.Te1 26...Rf7= 27.g4!? Bd4 28.Tc1 Bxc3 29.Txc3 Td4 


½–½


Um dos destaques da jornada foi a presencia no local de jogos do ex campeão mundial Garri Kasparov (na foto abaixo), quem teve tempo para atender a impressa e comentar suas impressões sobre o encontro pelo título.


Garri também fez declarações políticas: "A siatuação na Rússia -diz- não facilita o desenvolvimento inteletual".
Voltando ao xadrez, a sétima partida do match Anand - Gelfand vai ter lugar o próximo dia domingo 20, com Gelfand novamente levando as brancas (a organização da prova estabelece esta reptição da cor). Amanha, dia livre, ambas as equipes vão ter a possibilidade de profundizar nos seus análises caseiros tentando achar uma chance de quebrar o escudo adversário, que até agora se mostra firme, tanto quanto o resultado após esta primeira metade (seis empates, 3 x 3).

Estadual classe C ante portas!


Poucos dias restam para a realização do estadual classe C organizado pela Fexerj que preside o mestre fide Alberto Mascarenhas (na foto, assistindo ao FENAC 2012). Os dados da prova são os seguintes:

Data: 26 e 27 de maio de 2012.
Suiço em 6 rodadas.
60 minutos para cada jogador.
Classifica para o Estadual Classe "B"
Participação: Aberto a jogadores federados com rating até 1599.
Valendo rating FEXERJ.
Local: AXXM - Associação de Xadrez Xeque Mate.
Avenida Ernani Cardoso 183 - Cascadura. (Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica.)
Premiação - R$600,00
Campeão - R$250,00 e Troféu
Vice-Campeão - R$150,00 e Troféu
Terceiro colocado - R$100,0 e Troféu
Quarto colocado - R$50,00 e Medalha
Quinto colocado - R$50,00 e Medalha.
Taxa de inscrição - R$20,00
Arbitragem: AI Elcio C. Mourão e equipe.
A federação, entretanto, acaba de anunciar a realização do estadual classe B, aberto aos enxadristas com rating Fexerj entre 1600 e 1899 mais os classificados no classe C, para os dias 2 e 3 de junho, no colégio Ipiranga (rua da Imperatriz, 296, Petrópolis)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Novo empate entre Anand e Gelfand

Eugeny Sveshnikov (dir) visitou a sala de jogo no dia que os mestres empregaram a sua variante na Siciliana (foto chess-news.ru)
Para a quinta partida do match pelo título mundial que se celebra na cidade de Moscou, o campeão mundial decidiu mudar de abertura e abrir o jogo com sua antiga favorita, 1.e4 (se percebe que ainda não achou uma continuação prometedora nas variantes críticas da Grünfeld ou nas anti-Grünfeld), porém o resultado dessa estrategia não mudou: o desafiante equilibrou de forma cômoda utilizando uma Siciliana Sveshnikov (por coincidencia, o grande mestre Eugeny Sveshnikov visitou este dia o local de jogo, ver foto acima).
A variante siciliana empregada por Gelfand tem uma interessante história trás; na primeira parte do século XX foi utilizada por Lasker de forma esporádica, e logo por o mestre Jiri Pelikán, radicado na Argentina -que utilizava a linha com ...Be6, quase sem realizar o avanço ...b5-, mas foi Sveshnikov nos anos setenta quem a popularizou e fundamentalmente quem disenhou as linhas centrais estratégicas que demonstravam que as pretas tinham compensação dinámica pelas fraquezas criadas no centro (outros mestres russos como Timoshenko tiveram um papel importante também na difusão das ideias desta linha).
Nos anos oitenta e parte dos noventa era considerada uma das variantes mais agudas de todo o cenário enxadrístico, e teve a sua época de ouro na elite: práticamente todos os grandes mestres de primeiro nível a utilizavam. No entanto, a grande exploração teórica da linha e as resultantes da suas posições críticas (que derivam na maioria dos casos em finais de peças pesadas e bispos de cor diferente) fizeram que no nosso século seja considerada uma linha sólida onde o empate é o resultado mais provável (uma reputação quase semelhante à da Petrov), sendo por isso que na elite foi paulatinamente abandonada na hora de jogar a ganhar de pretas, escolhendo no seu lugar a Najdorf.
As políticas estratégicas no caso de match são diferentes, e um empate levando as pretas se considera bom resultado; por isso hoje Gelfand apelou esta variante, de cara ao meio ponto. O desafiante, cabe destacar, obteve ele sem maiores complicações. Como em casos prévios, Anand não escolheu a linha mais complexa, se decidindo por uma variante posicional de moda (11.c4), e apesar de introduzir uma novidade teórica não obteve mais que uma ligeira iniciativa, insuficiente para lutar pela vitória. Um cenário que se repite neste encontro...


Anand,Viswanathan (2799) - Gelfand,Boris (2739)

Moscou (Wch/5), 17.05.2012

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e5 6.Cdb5 d6 7.Bg5 a6 8.Ca3 b5 9.Cd5 Be7 10.Bxf6 Bxf6 11.c4 b4 12.Cc2 0–0 13.g3 a5 14.Bg2 Bg5 15.0–0 Be6 16.Dd3 Bxd5 17.cxd5 Cb8 18.a3 Ca6 19.axb4 Cxb4 20.Cxb4 axb4 21.h4 Bh6 22.Bh3 Db6


O momento crítico. Alguns comentaristas, como Anton Korobov, opinam que as brancas podiam procurar a iniciative mediante 23.Dc4, porém outros, como o treinador histórico de Gelfand, Albert Kapengut, pensam que ainda assim as pretas não têm problemas nesta estrutura

23.Bd7 b3 24.Bc6 Ta2 25.Txa2 bxa2 26.Da3 Tb8 27.Dxa2 ½–½

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Barão de Münchhausen, Amatzia Avni e Josef Krejcik


Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (11 de maio de 1720 - 22 de fevereiro de 1797, ver disenho acima) foi um militar e senhor rural alemão que integrou (aproximadamente no ano 1750) o exército russo nas duas campanhas realizadas nessa época em Turquia. Os relatos (fantásticos e exagerados) das suas aventuras  serviram de base para a célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e Publicadas em Londres no ano 1785 (Baron Münchhausen's Narrative of his Marvellous Travels and Campaigns in Russia). O Barão não era muito mais exagerado que os militares da sua época -se diz, incluso que era homem honesto nos negócios-, pelo qual a publicação das suas aventuras deterioraram na verdade a sua reputação, outorgándo-le uma inusitada fama de mentiroso oficial.
No século XIX a sua história sofreu transformações e muitos escritores adicionaram contos -incluso alguns deles com o xadrez como tema-, convirtindo ao Barão num personagem popular -muitos leitores soa séculos posteriores nem siquer souberam da sua existência real-. As aventuras se traduziram a muitos idiomas -foram especialmente populares na Rússia e nos países de centro-Europa-, abarcando mais de cen edições diferentes. A partir de disenhos de Gustave Doré, a sua figura ganha barba em ponta e se asemelha a da famoso cavaleiro espanhol Don Quijote.

***************************


A história do Barão vem a tona porque o mestre fide e conhecido treinador Amatzia Avni (autor de reconhecidos livros como Surprise in chess ou The Grandmaster´s mind) publicou recentemente (editado pela Moongose Press) The Amazing Chess Adventures of Baron Munchausen, um livro que apresenta diversos problemas e finais artísticos junto com partidas extraordinárias, sempre acompanhadas de introduções mais ou menos fantásticas.
Algumas delas podem-se ver no review realizado por Steven Dowd no excelente site chesscafe, seguindo o link abaixo:

***************************

krejcik

As mais populares -até esta publicação talvez?- das aventuras enxadrísticas do Barão de Munchhausen foram criação do mestre austríaco Josef Krejcik (conhecido por suas crazy aberturas, como 1.d4 f5 2.g4!?).
Krejcik (Viena, 1885 - 1957) foi além de mestre de xadrez e problemista uma testemunha do seu tempo enquanto autor literario e jornalista. As aventuras do Barão por ele criadas foram, apesar de entretenidas e originais, raramente traduzidas a outros idiomas além do alemã.
Nos centros de fala portuguêsa, as aventuras do Barão são conhecidas por um famoso e único conto de E. Iavitch (ou Yavich, e também pode ser um pseudonimo do próprio Krejcik, quem sabe) amplamente difundido nos blogs brasileiros - por exemplo aqui: